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domingo, 12 de maio de 2013

Adoção: o caminho solidário da maternidade


O desejo de construir uma família e vivenciar a maternidade quase sempre está ligado a partilhar a mesma herança genética. Mas para muitos isso nem sempre é possível. Por isso, para tornar realidade esse sonho a opção é adotar, uma atitude que une o desejo de ter um filho com o direito de cada criança de ter uma família.
Dados dos Cadastro Nacional de Adoção (CNA) mostram que atualmente existem cerca de 30 mil pessoas (homens e mulheres) dispostos a receber cerca de 5.500 pessoas como seus filhos. Para algumas pessoas, a legislação engessa o processo, diminuindo as chances da criança ou do adolescente encontrar um novo lar.
De acordo com a supervisora substituta da Seção de Colocação em Família Substituta da Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, Niva Campos, o que mais dificulta é o fato de as pessoas quererem adotar, majoritariamente crianças recém-nascidas deixando de lado as mais velhas.
“Mais de 95% dos pretendentes hoje querem adotar uma criança em tenra idade. Então praticamente a pessoa tem a fila inteira a sua frente. Se a pessoa vier a se interessar a adotar um adolescente provavelmente vai ser a primeira da fila, pois não temos famílias disponíveis para o acolhimento de adolescentes",explicou.
Niva esclarece que, com a nova legislação, as pessoas interessadas tem que passar por um processo de habilitação, antes de serem incluídas no cadastro e que, muitas vezes, a demora se deve ao perfil de criança escolhido. Os dados do CNA mostram que do total de pessoa habilitadas 15,69% querem adotar somente crianças recém-nascidas, 18,96% crianças com um ano de idade e 20,35% com dois anos. “A questão etária restringe muitas vezes a inclusão das crianças nas famílias, pois a partir dos seis anos de idade cai o número de candidatos interessados”, observa Campos.
Não é o o caso da arquiteta e funcionária pública Patrícia Garcia Melasso, mãe biológica de uma adolescente de 17 anos ela resolveu adotar uma criança para ampliar a família. “Sou divorciada e quando minha filha cresceu mais um pouco nós retomamos a ideia. Quando ela fez 15 achamos que era um momento ideal", disse Patricia que desde setembro de 2012 ganhou uma nova filha: Vitória.
“Escolhi uma menina, [com idade entre 2 e 8 anos]. Eu sabia que viria uma criança mais velha. No final de agosto fui habilitada pelo juiz. Saiu uma sentença dizendo que eu poderia ser mãe adotiva e quando foi em outubro me ligaram da comarca de Ipatinga para saber se eu tinha interesse em conhecer a Vitória. Filho a gente não escolhe, né.”
Patricia diz que trilhou um caminho mais curto, por ter escolhido um perfil mais amplo de criança. Entre a entrada com o pedido e o encontro com Vitória passou pouco mais de um ano. “Achei super rápido. sempre falavam que era muita burocracia, que demorava demais. Mas [o processo] confirma o que tudo mundo diz: depende muito do perfil que a gente coloca”, observa.
A informação é confirmada pela Vara da Infância e Juventude. De acordo com Niva Campos, a legislação privilegia o cadastro e consequentemente o perfil para evitar o que acontecia antes, as adoções dirigidas em que a mãe entregava o filho para outra família adotar.
“A adoção dirigida era muito prevalente antes da lei. Era em torno de 80% das adoções". Ela esclarece que muitas vezes, existia uma relação desigual entre a mãe que entregava o filho e a família adotante. “É uma relação de poder desigual entre que adota e quem entrega".
Para evitar este tipo de situação, atualmente as pessoas precisam passar por um processo de habilitação. Ao manifestar a intenção de adotar, a pessoa deve procurar a defensoria pública para entrar com o pedido, que vai ser analisado pelo juiz, sem custos. Em seguida, o interessado passa por um curso e é submetido a um estudo psicossocial. Nessa etapa, é elaborado um relatório que será encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário.
Depois dessa análise, o juiz diz se o candidato está habilitado. Durante o processo verifica-se a disponibilidade do candidato e o perfil de criança que ele quer adotar. Uma vez habilitado, ele vai aguardar na fila do cadastro, de acordo com o perfil elaborado.
“É importante que a pessoa seja o mais honesta e mais verdadeira com o seu desejo, para que a compatibilização [com a criança] seja concreta, para que não se inicie o estágio de convivência e depois se quebre, o que vai gerar mais sofrimento para a criança”.
Antes da apresentação da criança à possível família adotante, ambos passam por uma preparação com o apoio de psicólogos e assistentes sociais. “Depois da liberação da criança, se tudo der certo, o juiz vai deferir a guarda provisória e o acompanhamento posterior. Em, geral ele fixa em três meses esse estágio". Nesse período também é feito um acompanhamento, com um trabalho direcionado para estas famílias, feito em grupo e essas pessoas podem se beneficiar da experiência de outras pessoas que já estão em outra fase do processo, explica.
Patrícia conta que a preparação foi fundamental na sua experiência com Vitória. “Logo que a criança chega a gente fica alucinado pra dar amor, pra querer fazer carinho, mimar e tudo o mais. Mas essa é a fase em que a criança começa a fazer aqueles testes pra querer ver se a gente quer ser mesmo mãe, faz birra, [tem] mudanças súbitas de comportamento, [para] ver se a gente vai abandoná-la ou não”. Patrícia lembra que Vitória, atualmente com 8 anos, já está plenamente adaptada à nova vida.
De acordo com Niva Campos, a preparação é necessária porque a adoção está focada na proteção dos direitos de crianças e adolescentes, muito mais do que nos interesses dos adultos. Patrícia conta que viu muita gente desistir durante o processo de preparação.
“Eu vi gente no curso da Vara da Infância levantar e ir embora quando [ouviu] a primeira frase dita: 'A gente não está aqui para resolver o problema de vocês, a gente está aqui para resolver o problema da criança'. Isso me marcou tanto, porque na verdade inicialmente eu queria resolver o meu problema de aumentar a família também".
FONTE: Luciano Nascimento, da Agência Brasil

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sertão de Crateús: bebê morre na hora do parto em maternidade



As condições precárias de um parto realizado na cidade de Monsenhor Tabosa poderão ter sido a principal causa da morte de um bebê do sexo feminino, no último dia 26. A mãe da criança estava com o bebê em posição indevida para o parto normal, detectada desde o pré-natal, e precisava de uma cirurgia noutra cidade, conforme a família, que está revoltada com a situação.

O parto aconteceu no Hospital e Maternidade Francisquinha Farias Leitão, que não possui sala de cirurgia para procedimento. O médico de plantão que realizou o atendimento é clínico geral, segundo o próprio hospital informou.

De acordo com a família, a paciente de 22 anos, Lucinaura Neves, se dirigiu da cidade de Catunda, onde mora, para Monsenhor Tabosa, onde também realizava o pré-natal em um PSF daquela localidade, para realizar uma consulta.

Desconhecimento

Ela chegou ao hospital sentindo dores, ainda pela manhã. A cunhada de Lucinaura, Elizangela Jorge Alves, disse que a criança tinha todas as possibilidades de nascer de forma saudável, mas acabou perdendo a vida de uma forma que os pais e a família ainda não sabem.

De acordo com a tia da criança, a pequena Júlia ainda passou poucos minutos com vida após o parto. No acompanhamento da gravidez foi detectado pela enfermeira do PSF que a criança estava sentada e que era previsto solicitar os serviços de outra cidade, para o procedimento cirúrgico. A gestante deu entrada no hospital com dores de parto por volta de 8 horas da manhã.

Os exames indicavam a necessidade de uma cesariana urgente, mas o tempo não foi suficiente para a transferência para Crateús, que tema melhor estrutura hospitalar. Elizângela diz que, inclusive, houve riscos que a própria paciente sofreu, em virtude da criança estar "sentada" para a realização do parto. Ela explica que Lucinaura chegou ao hospital e pouco tempo depois, ao sentar, percebeu que a bolsa havia estourado. A paciente foi conduzida à sala de parto do hospital. "Nesse momento, o pé da criança já estava fora e não houve mais condições para a transferência", afirma.

O pai da criança, Francisco Ricardo Jorge Alves, e sua esposa chegaram a pedir a médica e enfermeira do PSF do Bairro Carrapicho, que faziam o acompanhamento da gestante em seu pré-natal, a realização da cesariana. A enfermeira Stela Rodrigues, pertencente à equipe do PSF do Bairro Carrapicho, disse que o bebê da paciente estava "sentado" e não mudaria de posição até a data do parto.

Lucinaura foi orientada sobre todos os sinais de parto, além do momento de procurar a unidade de saúde. Segundo Elizângela, pela contagem da mãe da criança, foram completadas as 40 semanas no último domingo. Nas ultrassonografias realizadas, passavam de 37 semanas. "Realmente é imprevisível esse momento, e principalmente para uma mãe inexperiente", diz. A criança, conforme o acompanhamento do pré-natal, deveria nascer no dia 12 de março. Em virtude da posição do bebê, houve grande dificuldade durante o parto, conforme os familiares. Os pais creditam também grande parte da responsabilidade do parto ao próprio hospital e prometem recorrer à Justiça, se for o caso. A criança era o primeiro filho do casal e chegou a ser sepultada no mesmo dia do nascimento.

A enfermeira responsável do hospital, que não quis se identificar, disse que a maternidade não está habilitada para realizar cirurgia. Nesses casos, todas as pacientes são encaminhadas para o Hospital São Lucas, em Crateús, referencia da região. Segundo ela, estão sendo feitos levantamentos para que esses serviços sejam reativados no local. Ela disse que os detalhes do acompanhamento poderiam ser dados pelo médico, um clínico geral, que atendeu Lucinaura, mas ele não foi encontrado no contato repassado pelo hospital. A Secretaria de Saúde de Monsenhor Tabosa fará um levantamento dos procedimentos realizados para esclarecer a situação.






















FONTE: Diário do Nordeste

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Campinas: tuberculose infectou mais de 100 bebês em maternidade


Secretaria de Saúde de Campinas, no interior de São Paulo, concluiu nesta quinta-feira, 28, os exames em mais de 1 mil crianças que nasceram entre janeiro e junho de 2012, na ala 3, da maternidade do hospital Madre Theodora. Elas tiveram contato direto ou indireto com uma técnica em enfermagem que estava com tuberculose.
Os resultados dos exames, que serão anunciados pela secretaria na sexta-feira, 1, vão mostrar que pelo menos 107 bebês foram contaminados dentro do hospital particular - incluindo os três primeiros recém-nascidos que apresentaram a doença e desencadearam a triagem.
Os números vão confirmar o caso como o maior surto de transmissão do bacilo em uma maternidade com registro na literatura médica mundial e o segundo do mundo - o primeiro foi registrado na Itália, em 2004.
Do total de recém-nascidos que foram contaminados com o bacilo de Koch, pelo menos 17 desenvolveram a doença e estão em tratamento com antibióticos por seis meses. Outros 90 estão infectados, mas a doença não se manifestou, casos chamados de infecção latente. Para esses, o tratamento é mais curto.
A tuberculose é uma doença infecciosa que tem cura. Em recém-nascidos, tanto o diagnóstico como o tratamento são mais difíceis. Transmitida pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, o Bacilo de Koch, ela é uma doença conhecida por afetar principalmente os pulmões, mas também pode atingir outros órgãos do corpo, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro). Transmitida pelo ar, pelas gotículas de saliva, bebês não são transmissores da bactéria.
Uma das características mais comuns para identificação da tuberculose em adultos é tosse com duração superior a três semanas. Em bebês, não há tosse. Sintomas como febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento, comuns nos adultos, também não aparecem nas crianças. Geralmente elas apresentam problemas pulmonares, que são tratados e retornam, e têm dificuldades de ganho de peso.
No caso registrado na Itália, o índice de crianças com infecção latente foi de 8% para aquelas que tiveram contato com o foco de transmissão. No Madre Theodora, 354 crianças tiveram contato direto com o foco da transmissão, a técnica de enfermagem. Em outubro, um balanço parcial divulgado pela coordenadora do programa de tuberculose da prefeitura de Campinas, Maria Alice Satto, indicava que de 166 crianças analisadas, 13 tinha infecção latente - o equivalente a 7,8%. A estimativa era que 1,3 mil crianças seriam analisadas. 
FONTE: Ricardo Brandt, de O Estado de S.Paulo