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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Brasil deverá montar base para pesquisadores dentro do Continente Antártico no final de 2014


Ao mesmo tempo em que o governo brasileiro concentra esforços na reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, na Ilha Rei George, destruída por um incêndio em fevereiro de 2012, cientistas buscam consolidar a presença de pesquisadores do país mais ao Sul, dentro do Continente Antártico.
Cientistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) pretendem montar uma base com capacidade para oito pesquisadores, no local onde já funciona o módulo autônomo Criosfera 1, que opera sem a presença de cientistas, na latitude 85 Sul, a 500 quilômetros do Polo Sul.
A informação foi divulgada pelo pesquisador Heitor Evangelista, da Uerj, coordenador do Criosfera. Segundo ele, um módulo dormitório, com quatro beliches e uma cozinha, deverá ser instalado ao lado do Criosfera a partir do final do ano que vem. Há ainda a possibilidade de ter  e um mini módulo, que funcionará como banheiro.
A estação garantirá a presença brasileira no continente, já que a Comandante Ferraz e os refúgios mantidos pelo Brasil na Antártica ficam todos em ilhas, fora da massa continental. O módulo Criosfera 1 foi instalado em janeiro de 2012, para fazer pesquisas sobre mudanças da atmosfera, do clima e da camada de gelo.
O módulo funciona sem a necessidade de pesquisadores, com o auxílio de geradores solares e eólicos e de baterias, além de equipamentos posicionados dentro e fora do contêiner. Os dados coletados são enviados por satélite para o Brasil. Uma missão com pesquisadores brasileiros foi enviada no final do ano passado para avaliar o funcionamento do módulo e fazer coletas de mais materiais.
No entanto, o grupo precisou dormir, comer e improvisar banheiros em barracas, que foram posicionadas no entorno do Criosfera 1. Sob essas condições, explica Evangelista, não é possível ficar mais do que um mês no local. “Hoje é muito difícil ficar mais do que 30 dias. Em uma missão dessa de 30 dias, nas condições que você encontra lá, você praticamente chega ao seu limite físico. Isso é muito comprometedor.”
A instalação do módulo dormitório permitirá que os pesquisadores permaneçam até três meses no local, durante o verão antártico. “Será muito bom, porque vai permitir uma ampliação das pesquisas”, disse o cientista.
Hoje toda a operação logística do Criosfera é feita por uma empresa privada, contratada pelo consórcio universitário que opera o módulo de pesquisa. Os pesquisadores devem conversar com a Força Aérea Brasileira (FAB) para pedir que pilotos brasileiros sejam capacitados e aprendam a pousar seus aviões Hércules (que transportam os equipamentos) no Continente Antártico, em uma pista de pouso existente na latitude 80, próximo à Criosfera 1.
Isso, segundo o cientista, baratearia os custos de operação do Criosfera. “Queremos que a FAB faça algo que os chilenos já fazem, que é pousar um Hércules na latitude 80. O pouso é feito no gelo. É um tipo de gelo, formado na base das montanhas, que tem uma densidade bem alta, o gelo azul. Nesse gelo azul, uma aeronave pode pousar com rodas”, disse Evangelista.
FONTE: Vitor Abdala, da Agência Brasil

quarta-feira, 27 de março de 2013

Acidente em base brasileira na Antártica já custou R$ 45,6 milhões aos cofres públicos


Um ano após o incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz e matou dois militares, o governo federal já gastou R$ 45,6 milhões com as consequências do incidente. A verba foi destinada apenas para a remoção da antiga base e a construção de Módulos Antárticos Emergenciais (MAE), para garantir a continuidade da presença brasileira e as pesquisas na Antártica. Os recursos estão alocados na ação “Reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz”, dentro do programa “Mar, Zona Costeira e Antártica”.

Em 2012, a União disponibilizou R$ 76,6 milhões para a reconstrução da estação, dos quais R$ 47,2 milhões foram empenhados (reservados para pagamento posterior) e R$ 33 milhões foram efetivamente gastos (veja tabela). Este ano, R$ 12,6 milhões já foram desembolsados, sendo que R$ 11,1 milhões foram destinados aos restos a pagar (despesas não pagas de anos anteriores, transferidas para os exercícios seguintes).

De acordo com a Marinha, em 06 de outubro de 2012, foi iniciada a maior operação logística já efetuada na região, com o propósito de apoiar as pesquisas científicas, conduzir o desmonte da Estação Antártica Comandante Ferraz e instalar os MAE, que servirão de abrigo para o Grupo-Base e apoio para a construção da nova estação.

Após o início da Operação Antártica XXXI já foram removidos 60 mil m³ de gelo e neve e desmontados 850 toneladas de aço da estrutura da antiga base. Segundo a Marinha, os escombros foram carregados para um navio mercante alugado e foi feita a limpeza da área, juntamente com atividades de redução do impacto ambiental.

A verba desembolsada até agora serviu para a aquisição de máquinas e equipamentos para desmontagem e remoção da estação; apoio à manutenção dos dois navios polares utilizados na desmontagem da base e na continuidade das pesquisas científicas e o aluguel de um navio mercante para o transporte de todo o maquinário pesado de demolição e dos destroços resultantes do desmonte.

Além disso, os recursos serviram para a aquisição dos MAE instalados neste ano e para a contratação de empresa responsável pela elaboração de projeto de gestão que foi utilizado no planejamento da desmontagem da Estação.

Da dotação autorizada em 2012, R$ 8,2 milhões foram gastos em serviços técnicos profissionais, R$ 5,3 milhões em serviços de produção industrial, R$ 4 milhões em serviços de manobra e patrulhamento e R$ 3 milhões em equipamentos e utensílios hidráulicos e elétricos.

A Marinha ainda desembolsou R$ 2 milhões em locação de bens móveis e R$ 1,8 milhão em materiais para a manutenção destes bens. Foram gastos outros R$ 1,6 milhão em máquinas, ferramentas e utensílios de oficina, R$ 702,4 mil na compra de veículos de tração mecânica e R$ 386 mil em embarcações. O órgão também pagou R$ 330 mil em passagens e despesas com locomoção e R$ 522 mil com diárias.

No fim de janeiro, a Marinha lançou o Concurso Estação Antártica Comandante Ferraz, que será realizado em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). A seleção vai escolher o melhor projeto de arquitetura e os projetos complementares para a reconstrução da estação.

Para 2013, foram destinados R$ 36,2 milhões para a reconstrução da base. De acordo com a Marinha, a dotação para este ano destina-se somente às ações decorrentes do concurso público que definirá o projeto da nova estação e à confecção do projeto executivo para a licitação internacional que definirá a empresa responsável pela execução da obra.

Ainda segundo o órgão, a licitação para a construção da nova estação será realizada somente depois que o respectivo projeto estiver concluído, sendo prevista para o final de 2013.

FONTE: Contas Abertas