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domingo, 1 de dezembro de 2013

Brasil terá teste de aids vendido em farmácia

Desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o exame é feito com base em análises de saliva.

Um teste para diagnóstico de HIV em casa começará a ser usado no Brasil no próximo ano. Desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o exame é feito com base em análises de saliva.

Organizações não governamentais já começam a ser treinadas para o uso adequado do kit. Na primeira etapa, o exame será oferecido para populações consideradas vulneráveis para a doença, como profissionais do sexo, gays, usuários de drogas e travestis. Depois de abril, ele deverá ser vendido em farmácias. "Esse é o futuro", disse o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. "O teste é uma ferramenta valiosa para ampliar o diagnóstico da doença", completou.

Nos últimos anos, diversas campanhas para incentivar verificação foram realizadas. Exames rápidos também passaram a ser oferecidos em serviços públicos de saúde. Os números obtidos até agora, no entanto, são considerados tímidos.

O governo estima que 150 mil pessoas tenham HIV no Brasil e não saibam. O problema é considerado grave porque reduz as chances de começar o tratamento na fase inicial da doença. A terapia precoce, além de garantir a qualidade de vida para o soropositivo, é considerada por especialistas um instrumento importante para prevenir novas infecções pelo vírus.

Quando o portador do HIV está sob tratamento, a quantidade de vírus circulante em seu organismo cai, reduzindo o risco de infecção do parceiro em relações sexuais desprotegidas. "Além disso, quando a pessoa sabe da sua condição sorológica, ela pode reforçar as medidas de prevenção", disse Barbosa.

Outra tentativa - Trata-se da segunda geração do teste para HIV feito com saliva desenvolvido pela Fiocruz. O exame atual é considerado seguro e confiável.

Hoje, 20 organizações não governamentais estão em treinamento para usar o teste. Outras 20 deverão ser recrutadas. A expectativa é de que até o início do ano uma portaria com as regras para padronizar o teste seja publicada. Para a venda em farmácias, segundo Barbosa, será preciso um registro, emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Livro - Neste domingo, a jornalista Roseli Tardelli lança o livro O Valor da Vida, que marca os 10 anos da Agência de Notícias da Aids, fundada por ela para disponibilizar conteúdo relativo ao vírus HIV. O objetivo, segundo a autora, é ampliar o alcance do projeto. 

O livro conta sua trajetória ao lado do irmão, Sérgio Tardelli, que era portador do HIV. Nos anos 1990, os dois foram pioneiros na luta pelo direito de brasileiros soropositivos de serem atendidos pelos planos de saúde e convênios médicos. Venceram a batalha nos tribunais, mas Sérgio morreu anos depois.

FONTE: Estadão

domingo, 20 de outubro de 2013

Pacientes com HIV poderão ter tratamento antecipado

Está em consulta pública um protocolo de atendimento do governo que prevê tratamento contra a aids para todos os adultos que sejam diagnosticados soropositivos, independentemente do estágio da doença. A expectativa do Ministério da Saúde é que a expansão da oferta de tratamento gratuito chegue a mais 100 mil pacientes.
O protocolo atual usado pela rede pública de saúde prevê que o tratamento seja fornecido ao paciente com aids que tiver CD4 (células de defesa do organismo) abaixo de 500 para cada milímetro cúbico de sangue. Desde o início de 2013, também podem receber o tratamento casais sorodiscordantes (aqueles em que um dos parceiros tem o vírus e o outro não), com CD4 acima de 500 células para cada milímetro cúbico de sangue, pacientes que convivem com outras doenças, como tuberculose e hepatite, e pacientes assintomáticos com CD4 menor de 500.
Com o novo protocolo, o tratamento poderá chegar a um grupo de pacientes que têm CD4 acima de 500, não apresentam os sintomas da doença e, portanto, não podem receber o tratamento gratuito conforme o protocolo vigente. Segundo o Ministério da Saúde, estudos internacionais mostram que o uso precoce de antirretrovirais reduz em 96% a taxa de transmissão do HIV.
O Ministério da Saúde estima que atualmente cerca de 700 mil pessoas vivam com HIV e aids no país, mas 150 mil não sabem que têm o vírus ou a doença. Ao todo, 313 mil recebem tratamento com medicamentos antirretrovirais gratuitos. O Brasil registra, em média, cerca de 38 mil casos de aids por ano. Desde os anos 80, quando teve início a epidemia, foram contabilizados 656 mil casos.
O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, destaca que a medida terá efeito benéfico especialmente sobre as populações mais vulneráveis ao HIV, entre elas homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e pessoas que usam drogas. Ele ressalta que o Brasil será o primeiro país em desenvolvimento a adotar a política de tratamento como prevenção.
A consulta pública está aberta para contribuições da sociedade até o dia 5 de novembro. A validação das proposições recebidas e elaboração da versão final consolidada do protocolo será coordenada pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, que deve finalizar o documento no próximo mês.
FONTE: Agência Brasil