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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Brasil: mais de 90% concluem ensino médio sem aprendizado adequado de matemática

No Brasil, mais de 90% dos estudantes terminaram o ensino médio em 2013 sem o aprendizado adequado em matemática, segundo o movimento Todos pela Educação. Tomando por base avaliações do Ministério da Educação, o movimento concluiu que apenas 9,3% desses estudantes aprenderam o conteúdo considerado adequado para o período. O índice é menor que o anterior, registrado em 2011, quando 10,3% aprenderam o considerado adequado pelo movimento.

Além de matemática, o aprendizado em português também apresentou queda, na avaliação feita no terceiro ano do ensino médio, de 2011 para 2013. O percentual de alunos com apredizado adequado passou de 29,2% para 27,2%. "É o terceiro ano consecutivo em que cai o aprendizado em matemática e agora caiu também em português. É um grito de socorro. O ensino médio está piorando no Brasil", avalia a diretora executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz.

O Brasil não tem, oficialmente, metas claras do que deve ser aprendido em cada nível de ensino. O movimento Todos pela Educação estabelece metas para que em 2022, ano do bicentenário da independência do país, seja garantido a todas as crianças e jovens o direito à educação de qualidade. O movimento estabelece também metas intermediárias de aprendizado.

Priscila ressalta que o aprendizado considerado adequado não corresponde a um nível avançado de domínio da disciplina, mas apenas do básico. "Em matemática, são 90% não aprendendo esse básico. Pode parecer exagero, mas de certa forma não é. Estamos negando um futuro digno para eles, que não conseguem ter acesso ao básico da matemática, não conseguem avaliar um contrato de aluguel ou projetar o que pagam de juros em uma prestação. É o básico para viver a vida".

Os dados mostram que no ensino fundamental o quinto ano foi a única etapa que apresentou melhora. Passou de 40% de alunos com aprendizado adequado em português, em 2011, para 45,1% na última avaliação, e de 36,3% em matemática, para 39,5%. No nono ano, o percentual de alunos com aprendizado adequado em 2013 foi 28,7% em português, acima do verificado em 2011 (27%). Em matemática, o indicador apresentou queda, de 16,9% para 16,4%.

Pelos critérios do movimento, nacionalmente o país não cumpriu nenhuma das metas intermediárias, nem mesmo no quinto ano.  No nono ano e no ensino médio, o Brasil não cumpriu nenhuma das metas nem mesmo em nível estadual.

Os números são baseados no resultado da Prova Brasil e do Sistema de Avaliação Básica (Saeb), aplicados em 2013. Na opinião de Priscilla, os dados mostram que nos anos iniciais do ensino fundamental, do primeiro ao quinto ano, o modelo de ensino adotado pelo país mostra resultados e merece mais investimento, mesmo que a meta não tenha sido cumprida. Isso não ocorre com os modelos adotados nos anos finais, do sexto ao nono ano, e no ensino médio. "É como nadar e morrer na praia. De que adianta melhorar o fundamental 1 e chegar ao fundamental 2 e médio e o aluno não aprender?", pergunta. 

Uma das diferenças, segundo ela, é que até o quinto ano, o ensino é mais focado e não há tantas disciplinas quanto até o nono ano e o ensino médio. Ela defende uma reforma de métodos de ensino, que inclua as novas tecnologias, a internet, e também uma revisão do currículo, do que é ensinado em sala de aula. "O currículo é inchado, disperso, tem a ganância de fazer com que o aluno aprenda tudo, enquanto, na verdade, ele não aprende nada".

A Prova Brasil é um dos componentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), considerado um importante indicador de qualidade do ensino. O índice vai até dez e é calculado de dois em dois anos. O Ideb de 2013 foi divulgado pelo governo no início do mês. A meta estimada de 4,9 para anos iniciais foi a única cumprida pelo país, que obteve índice de 5,2. O Saeb é feito por amostragem nas redes de ensino e tem foco na gestão dos sistemas educacionais.

FONTE: Graça Adjuto, da Agência Brasil

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A Polícia Federal é do Brasil

Por Jorge Pontes*
Quando a presidente Dilma Rousseff diz com orgulho que são os órgãos de seu governo que estão investigando os escândalos de corrupção da Petrobrás ela está, em realidade, esbofeteando os 13.000 policiais federais que compõem o Departamento de Polícia Federal. Trata-se do mais puro uso político do trabalho de uma instituição que transcende a esse ou aquele governo.
Tal afirmação consubstancia-se em verdadeiro escárnio, um desrespeito aos integrantes de uma corporação que só vêm conseguindo algum resultado nesse governo, unicamente em razão da abnegação de seus agentes e delegados.
A sociedade melhor entenderia que, apesar desse governo, a Polícia Federal, órgão permanente do Estado brasileiro, e assim como tal previsto na Constituição da República, conseguiu um sucesso histórico na condução da Operação Lava a Jato, que desvendou a máquina de desviar dinheiro instalada na Petrobrás.
O que de fato vem sendo observado, principalmente por nós, policiais federais, é o empenho do atual governo para controlar politicamente as ações da polícia judiciária da União.
Poderíamos citar um grande número de dissabores aos quais fomos submetidos, todos devidamente disfarçados em medidas “de gestão”, e impostos pelo atual governo à Polícia Federal. Contudo, em se tratando do tema “autonomia”, é imperioso registrar que na administração do atual Ministro da Justiça foi estabelecido o “vazamento institucional” na Polícia Federal.
Explico: a aplicação do Decreto nº 7.689/2012, à Polícia Federal, impõe a prévia autorização ministerial para a concessão de diárias de servidores em missão. Com 123 unidades em todo o país, para atender 5.561 municípios, a Polícia Federal se vê refém do Governo Federal em ter as suas grandes operações repressivas sendo indiretamente monitoradas por meio deste Decreto.
O artigo 7º do aludido Decreto acaba sendo, de fato e de direito, um mecanismo que viabiliza o conhecimento prévio e o controle das operações da Polícia Federal, uma vez que o deslocamento de 3 a 10 servidores por período superior a 40 dias indica uma possível operação de inteligência, bem como o arregimentação de mais de 10 servidores para o mesmo evento por 2 a 5 dias indica a deflagração de uma grande operação.
Por exemplo, na solicitação para um contingente de 250 policiais federais, percebendo três dias e meio de diárias na cidade de João Pessoa/PB, fica claro que encontra-se em curso medidas visando deflagração de uma operação repressiva de grande porte na capital paraibana. Tal situação é uma afronta aos princípios da compartimentação e sigilo das operações policiais.
É importante que a sociedade brasileira saiba que o orçamento da Polícia Federal no Governo Dilma caiu drasticamente. E assim também está ocorrendo com os recursos das diárias e passagens e, igualmente, diminuíram substancialmente os recursos das operações sigilosas, de modo que as ações policiais contra políticos são realizadas com verba não sigilosa, exatamente esta que depende dessa autorização do Ministério da Justiça.
Obrigar a Polícia Federal a pedir autorização para pagar diárias de policiais, e, por conseguinte, dar conhecimento prévio a servidores do Ministério da Justiça, sobre as operações em andamento, é uma forma indireta de o Governo controlar as operações do DPF.
Em qualquer academia de polícia de qualquer país do planeta, ensina-se que as operações policiais têm seu sucesso garantido na medida em que o seu sigilo absoluto é preservado.
Talvez, aqui no Brasil, em razão de não termos quase ninguém do estamento político-governamental envolvido no cometimento de crimes graves, a coisa seja um pouco diferente.
* Jorge Barbosa Pontes é delegado federal e ex-diretor da Interpol
Artigo originalmente publicado no 'Estadão'

terça-feira, 4 de março de 2014

Drogas: cada dólar gasto em prevenção pode economizar até dez dólares, aponta relatório da ONU

Em alguns países, abuso de medicamentos é uma ameaça maior que o de drogas ilegais. Documento aponta que prevalência do abuso de cocaína aumentou particularmente no Brasil, que também serve de rota do narcotráfico internacional.

Apenas um em cada seis usuários problemáticos de droga em todo o mundo – cerca de 4,5 milhões de pessoas – recebe o tratamento que ele ou ela precisa, a um custo global de aproximadamente 35 bilhões de dólares por ano, diz a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE ou, na sigla em inglês, INCB), sediada em Viena, no seu Relatório Anual para 2013, lançado nesta terça-feira (4) em Londres.

Heroína, cannabis e cocaína são as drogas mais utilizadas por pessoas que iniciam o tratamento em todo o mundo.

O presidente da JIFE, Raymond Yans, observa que o investimento em prevenção e tratamento é uma “opção de investimento” sábia, pois pode levar a economias significativas em cuidados de saúde e custos relacionados com o crime, além de aliviar o sofrimento das pessoas dependentes de drogas e suas famílias.

Cada dólar gasto em prevenção pode economizar até dez dólares em custos posteriores para os governos. O relatório da JIFE revela disparidades regionais significativas na oferta de tratamento: na África, apenas um em cada 18 usuários problemáticos de drogas recebe tratamento.

Na América Latina, no Caribe e no Sudeste da Europa, um em cada 11 usuários problemáticos de drogas é tratado, enquanto que na América do Norte esse número é de um em cada três.

O abuso de medicamentos é uma grande ameaça à saúde pública, superando as taxas de abuso de drogas ilegais em alguns países. A JIFE alertou para a ampla disponibilidade de medicamentos sob prescrição.

Há iniciativas importantes de eliminação segura de medicamentos prescritos, mas não o suficiente para combater a tendência crescente de abuso de medicamentos, causada pela ampla disponibilidade dessas substâncias, diz o presidente da JIFE . “Há uma percepção errônea de que medicamentos são menos suscetíveis ao abuso do que drogas ‘ilícitas’.”

O ambiente familiar é a principal fonte de medicamentos que não são mais necessários ou utilizados para fins médicos, posteriormente desviados para o abuso. Pesquisas mostram que uma percentagem significativa de pessoas que abusam de medicamentos obteve a droga pela primeira vez a partir de um amigo ou membro da família, que havia adquirido o remédio legalmente.

O abuso de medicamentos é uma ameaça grave e crescente para a saúde pública na América do Norte, que é a região com a maior taxa de mortalidade relacionada a drogas no mundo.

O relatório da JIFE diz que o abuso de medicamentos só pode ser resolvido se forem abordadas as causas principais da oferta excessiva, como a prática de ir a vários médicos ao mesmo tempo para conseguir mais de uma receita para a mesma substância (“doctor-shopping”), a prescrição excessiva por profissionais médicos e a falta de controle na emissão e arquivamento de prescrições.
Referências ao Brasil
O relatório possui diversas referências ao Brasil. O país está, por exemplo, entre os países que não foram capazes de enviar o relatório anual com estatísticas sobre substâncias psicotrópicas para a ONU antes do prazo de 30 de junho de 2012. O documento observa que, além disso, o Brasil está entre as nações que mais produzem, importam e exportam essas substâncias, ao lado de Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Japão, Holanda, Paquistão e Estados Unidos.
O documento aponta que há um aumento nas apreensões de cocaína na África Oriental, onde o consumo dessa droga tem sido até agora limitado. A Tanzânia relatou um aumento significativo em 2011 se comparado aos anos anteriores, sendo que a maior parte da cocaína proveniente do Brasil.
“O Brasil, com suas extensas fronteiras terrestres com todos os três principais países produtores de cocaína e um litoral extenso, além de ser um país de destino para grandes quantidades de cocaína, também oferece fácil acesso ao Oceano Atlântico para exportar drogas para a África Ocidental e Central e de lá seguir para a Europa e outros países”, aponta o item 446 do estudo.
Em 2012, a cocaína apreendida no Brasil veio em maior quantidade da Bolívia, depois do Peru e em seguida da Colômbia. As apreensões de cloridrato de cocaína totalizaram, no entanto, 19,9 toneladas, 19% a menos do que no ano anterior.
O governo do Brasil informou no relatório que o país não fabrica drogas sintéticas ilícitas. As drogas sintéticas seriam traficadas para o Brasil da Europa, muitas vezes em troca por cocaína. Em 2011, o país registrou a maior apreensão de MDMA (ecstasy) das últimas duas décadas (70 kg). Ao longo dos últimos 10 anos, a quantidade dessa substância apreendida no país era geralmente menor que 1 kg. Em 2012, o Brasil apreendeu 339 mil comprimidos de “ecstasy” e 10 mil unidades de anfetaminas.
Em 2011, uma série de países da América do Sul, incluindo Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Uruguai, fez a maior apreensão de alucinógenos desde 2007. Em 2012, as apreensões de alucinógenos, em particular o LSD, foram notificadas pelo Brasil (65 mil unidades), Chile (4.200 unidades), Colômbia (100 unidades) e Uruguai (2 mil unidades).
O problema das novas substâncias psicoativas também surgiu em países da América Latina. Há relatos de abusos de substâncias que incluem a cetamina e substâncias à base de plantas, como a Salvia divinorum, seguida de piperazinas, catinonas sintéticas, fenetilaminas e, em menor grau, os canabinóides sintéticos. O Brasil também relatou o aparecimento das substâncias mefedrona e DMMA (uma fenetilamina).
Cocaína em alta no Brasil
A maconha continua sendo a droga mais consumida na América do Sul, onde estimativas dão conta de cerca de 14,9 milhões de usuários com idades entre 15 e 64 anos no ano passado, 4,5 vezes o número de pessoas que usaram cocaína. De acordo com dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a prevalência do abuso de maconha aumentou de forma significativa na região nos últimos anos, particularmente no Brasil.
A prevalência do uso de cocaína entre a população geral da América do Sul (1,3%) no ano passado é a terceira maior do mundo, depois da América do Norte e da Oceania (1,5% cada), e é em torno do triplo da prevalência média global (0,4%). De acordo com o UNODC, a prevalência de abuso de cocaína em 2013 aumentou, particularmente, no Brasil, de 0,7% (população com idade entre 12-65) em 2005, para 1,75% (população com idade entre 16-64 anos) em 2011.
O tráfico ilícito e abuso de cocaína também aumentaram no Oriente Médio. As remessas chegam da América do Sul por vias aéreas e marítimas. No Iêmen, 115 kg de cocaína foram apreendidos de um contêiner enviado do Brasil. No Líbano, 13 kg de cocaína foram apreendidos em uma aeronave proveniente do Brasil, via Catar.
As apreensões de cocaína pelas autoridades alfandegárias na Europa Ocidental permaneceram relativamente semelhantes em 2011 (34,2 toneladas) e 2012 (35,9 toneladas), o que representa quase metade da quantidade total de cocaína apreendida globalmente pelas autoridades alfandegárias. Dentre os países que enviaram mais de uma tonelada de cocaína para a Europa ocidental estão Equador (14,4 toneladas), República Dominicana (3,2 toneladas), Brasil (2,3 toneladas), Colômbia (2,3 toneladas), Peru (2,2 toneladas), Argentina (1,5 tonelada) e Chile (1,5 tonelada).
FONTE: ONU-Brasil

domingo, 8 de dezembro de 2013

Brasil investe metade do recomendado pela OCDE para o ensino básico

O Brasil deve aumentar os investimentos na educação básica para melhorar também o ensino, analisa o diretor de Educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Andreas Schleicher. Dados coletados pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2012 mostram que o país investe em média US$ 26.765 por estudante entre 6 e 15 anos. Um terço da média dos demais países da OCDE, US$ 83.382. E pouco mais da metade do que o OCDE considera como investimento mínimo por aluno, US$ 50 mil. Representantes do governo reconhecem que é preciso fazer mais e em ritmo acelerado.
"Quando se investe US$ 50 mil por aluno, o dinheiro não importa mais, deixa de ser uma questão limitante para o desempenho do estudante", diz o diretor da OCDE. Segundo o relatório do Pisa divulgado na última semana, o Brasil ocupa o 58º lugar em matemática, o 55º lugar em leitura e o 59º em ciências em um ranking de 65 países. A prova é aplicada a cada três anos pela organização e avalia o conhecimento de estudantes de 15 anos. A cada ano, o relatório tem uma área como foco. Em 2012, o destaque foi para matemática.
Schleicher diz que o investimento deve aumentar, mas atribui a nota do Brasil também à falta de equidade na distribuição dos recursos. Caso todas as escolas tivessem as mesmas condições de aprendizagem e todos os estudantes cursassem a série adequada para a idade, (como 15 anos na 1ª série do ensino médio), o Brasil poderia chegar aos 460 pontos na avaliação, com o mesmo investimento atual. A pontuação atual é 391.
"Se o país conseguisse eliminar a grande repetição dos alunos e se todo estudante tivesse acesso à educação, o Brasil teria um progresso grande, com o investimento atual. Não fiz as contas, mas acredito que chegaria aos 460 pontos em matemática", disse. A pontuação conferiria ao Brasil a 43ª posição no ranking.
O relatório trouxe um alerta em relação à aprendizagem, a nota média do país o coloca no nível 1, em um total de seis níveis. O sexto nível é a proficiência. Estar no nível 1 significa que os alunos conseguem fazer apenas operações básicas. Para Schleicher, é necessária uma maior ênfase nas escolas que enfrentam dificuldades. "No Brasil, os melhores professores estão nas melhores escolas. Em países como a China é o oposto, se você é um bom professor você deve ajudar a melhorar o desempenho das escolas desfavorecidas", diz. Ele também citou a desvalorização dos docentes no país, o que torna a carreira menos atrativa a bons estudantes. O piso para a jornada de 40 horas é R$ 1.567.
Os dados do Pisa apontaram ainda a falta de confiança dos alunos em aprender matemática. "Eles dizem que é preciso ter talento para aprender a disciplina. Isso não ocorre nos países com as melhores pontuações", diz. Mais de 80% dos estudantes dizem que o conteúdo é muito difícil. Em Xangai, na China, que ocupa o primeiro lugar no ranking, esse índice é pouco mais de 50%. No Brasil, quase 55% dos estudantes acreditam que não têm sorte, contra pouco mais de 30% de Xangai. Mais de 45% dizem que os professores não conseguem fazê-los se interessar. Em Xangai, a porcentagem é 40%.
Apesar do cenário, o coordenador parabenizou o Brasil pelo maior crescimento entre os países que participaram do Pisa. O país que passou de uma pontuação de 356 em 2003 em matemática, para 391 em 2012. O Brasil também avançou na inclusão e na redução da defasagem idade-série. São 420 mil estudantes a mais no sistema de ensino. A porcentagem de alunos do ensino médio que não estavam na série adequada à idade caiu de 54,9% em 2000, para 31,1% em 2012.  
Schleicher acredita que, em 21 anos, o Brasil conseguirá alcançar a média da OCDE, que em 2012, chegou a 494 pontos. "As condições atuais sugerem que o Brasil vai ter um crescimento ainda mais acelerado nos próximos anos e talvez alcance esse patamar em menos tempo".
O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa, disse que "os indicadores nacionais e internacionais permitem aprimorar a análise". Ele ressaltou que a principal medida para melhorar o ensino é a valorização e a formação do professor. "Somos o país que mais aumentou o investimento de recursos, apesar de ainda aplicarmos um terço da média dos demais países da OCDE. Alocar recursos no professor é fundamental, e o caminho que estamos seguindo [com programas de formação] reforça essa tese e mostra como temos que acelerar", diz.
Ao analisar os dados Pisa 2012 durante a semana, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que a fotografia da educação no Brasil ainda não é boa, mas destacou que os avanços podem ser considerados uma “grande vitória”. “O resultado em relação a nossa evolução é uma grande vitória da educação brasileira. Não podemos nos acomodar e temos ainda um atraso histórico muito grande quando falamos em qualidade da educação. Fizemos muito, mas temos que fazer muito mais”, disse.
FONTE: Agência Brasil

sábado, 7 de dezembro de 2013

OMC consegue na Indonésia primeiro acordo da sua história

A Organização Mundial do Comércio (OMC) fechou acordo, na madrugada de hoje (7), para facilitação do comércio mundial, depois de cinco dias de reunião ministerial em Bali, na Indonésia. De acordo com nota divulgada pelo Itamaraty, os resultados da conferência da OMC “são amplamente positivos para o Brasil”.
O sinal de aprovação foi transmitido pelo ministro indonésio do Comércio, Gita Wirjawan, tão logo terminou a reunião dos 159 delegados de países-membros da OMC. Os representantes tomaram a decisão no âmbito da 9ª Conferência Ministerial da organização, conduzida pelo diretor-geral, o brasileiro Roberto Azevêdo.
Foi o primeiro acordo global alcançado desde a criação da OMC, em 1995. Com isso, o organismo de intermediação mundial revitaliza sua vertente normativa e reabre o caminho para fortalecer o sistema multilateral de comércio, que estava bloqueado desde a Rodada Doha.
De acordo com Itamaraty, o acordo de facilitação de comércio “impulsiona reformas que já estão sendo implementadas no país e facilita o acesso de nossos produtos a mercados em todo o mundo, ao simplificar e desburocratizar procedimentos aduaneiros”.
O Ministério das Relações Exteriores acrescenta que foram aprovadas regras para preenchimento automático de quotas tarifárias, “de grande importância para exportadores agrícolas”. Também foi aprovada declaração que recoloca a eliminação de todas as formas de subsídio à exportação no centro das negociações da OMC.
Os delegados da conferência também reconheceram a legitimidade dos programas de segurança alimentar no mundo em desenvolvimento, o que permite a manutenção de políticas de estoques públicos, acompanhadas por salvaguardas para prevenir distorções comerciais.
Além disso, o acordo pôs fim a anos de paralisia da Rodada Doha e deu mandato à OMC para preparar, nos próximos 12 meses, programa de trabalho para a retomada dessa negociação, com foco nos temas centrais “de interesse primordial para o Brasil, sobretudo para a agricultura” – conclui a nota.
FONTE: Agência Brasil

domingo, 1 de dezembro de 2013

Brasil terá teste de aids vendido em farmácia

Desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o exame é feito com base em análises de saliva.

Um teste para diagnóstico de HIV em casa começará a ser usado no Brasil no próximo ano. Desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o exame é feito com base em análises de saliva.

Organizações não governamentais já começam a ser treinadas para o uso adequado do kit. Na primeira etapa, o exame será oferecido para populações consideradas vulneráveis para a doença, como profissionais do sexo, gays, usuários de drogas e travestis. Depois de abril, ele deverá ser vendido em farmácias. "Esse é o futuro", disse o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. "O teste é uma ferramenta valiosa para ampliar o diagnóstico da doença", completou.

Nos últimos anos, diversas campanhas para incentivar verificação foram realizadas. Exames rápidos também passaram a ser oferecidos em serviços públicos de saúde. Os números obtidos até agora, no entanto, são considerados tímidos.

O governo estima que 150 mil pessoas tenham HIV no Brasil e não saibam. O problema é considerado grave porque reduz as chances de começar o tratamento na fase inicial da doença. A terapia precoce, além de garantir a qualidade de vida para o soropositivo, é considerada por especialistas um instrumento importante para prevenir novas infecções pelo vírus.

Quando o portador do HIV está sob tratamento, a quantidade de vírus circulante em seu organismo cai, reduzindo o risco de infecção do parceiro em relações sexuais desprotegidas. "Além disso, quando a pessoa sabe da sua condição sorológica, ela pode reforçar as medidas de prevenção", disse Barbosa.

Outra tentativa - Trata-se da segunda geração do teste para HIV feito com saliva desenvolvido pela Fiocruz. O exame atual é considerado seguro e confiável.

Hoje, 20 organizações não governamentais estão em treinamento para usar o teste. Outras 20 deverão ser recrutadas. A expectativa é de que até o início do ano uma portaria com as regras para padronizar o teste seja publicada. Para a venda em farmácias, segundo Barbosa, será preciso um registro, emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Livro - Neste domingo, a jornalista Roseli Tardelli lança o livro O Valor da Vida, que marca os 10 anos da Agência de Notícias da Aids, fundada por ela para disponibilizar conteúdo relativo ao vírus HIV. O objetivo, segundo a autora, é ampliar o alcance do projeto. 

O livro conta sua trajetória ao lado do irmão, Sérgio Tardelli, que era portador do HIV. Nos anos 1990, os dois foram pioneiros na luta pelo direito de brasileiros soropositivos de serem atendidos pelos planos de saúde e convênios médicos. Venceram a batalha nos tribunais, mas Sérgio morreu anos depois.

FONTE: Estadão

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Brasil deverá registrar cerca de 580 mil casos de câncer em 2014

Devem surgir 576.580 novos casos de câncer no Brasil em 2014. A previsão é que o tumor de pele não melanoma, o mais frequente na população feminina e masculina, atinja 182 mil pessoas no próximo ano, equivalente a 31,5% do total. Depois deste, o que mais acomete homens é o câncer de próstata (68,8 mil), que responde por 33,7% da incidência nesse público quando se exclui o de pele. Em relação às mulheres, o segundo de maior ocorrência é o de mama (57,1 mil), responsável por 30% dos casos em relação aos demais tipos.
Os dados são da publicação Estimativa 2014 - Incidência de Câncer no Brasil, que foi apresentada nesta quarta-feira (27) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pelo coordenador de Prevenção e Vigilância do Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomas da Silva (INCA), Cláudio Noronha. As previsões de novos casos da doença, divulgadas a cada dois anos, servem de base para políticas públicas na área de oncologia.
“A estimativa só reforça que o câncer tem de ser uma prioridade em saúde pública, é uma doença que atualmente provoca quatro vezes mais mortes que os acidentes de trânsito. Por isso o esforço do Governo Federal em expandir a rede de assistência. Nos últimos anos, ampliamos em mais de 25% os investimentos no setor com objetivo de interiorizar cada vez mais o diagnóstico e tratamento para a doença”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 
O Coordenador de Prevenção e Vigilância do Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (INCA), Cláudio Noronha, alerta quanto aos fatores que influenciam no aumento da incidência da doença. “O número de casos cresce no Brasil seguindo uma tendência internacional e fortemente influenciada pelo envelhecimento da população. Além do envelhecimento, são fatores de risco importantes o tabagismo, que é responsável por aproximadamente um terço da ocorrência dos casos de câncer, o consumo de álcool, a alimentação, o controle do peso e a prática de atividade física”, destaca.
Com exceção do câncer de pele, a ocorrência de novos casos da doença no próximo ano será de 394.450, sendo 52% em homens e 48% em mulheres. Além do câncer de pele, próstata e mama, os mais comuns no país são intestino (33 mil), pulmão (27 mil) e estômago (20 mil).
Embora as previsões para o câncer seja de aumento do número de casos a cada ano, chama a atenção nos dados dos últimos anos no Brasil a tendência de queda do câncer de pulmão em homens e do câncer de colo do útero em mulheres, resultado das políticas de prevenção e diagnóstico precoce.
Na publicação elaborada pelo INCA, estão relacionados os 19 tipos de cânceres mais frequentes no Brasil. A previsão é de um maior número de novos casos no Sudeste (299.730 mil) e Sul (116.330). Na região Nordeste estimam-se 99.060 novos casos, seguida do Centro-Oeste (41.440) e do Norte (20.020).
O câncer atualmente é a segunda causa de morte no Brasil e no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Em 2011, 184.384 pessoas morreram por conta da doença no País.
Maior número de casos – A incidência de câncer em todo o mundo cresceu 20% na última década. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a expectativa para 2030 é de 27 milhões de novos casos e 17 milhões de óbitos. Os países em desenvolvimento serão os mais afetados, incluindo o Brasil. A doença é uma das grandes preocupações mundiais em políticas de saúde.
No caso do Brasil, a estimativa para 2014 é 11% maior que o total de novos casos esperados dois anos atrás (520 mil). Melhorias na quantidade e qualidade da base de dados podem ter interferido no índice, uma vez que o número é calculado com base nas taxas de mortalidade dos estados e capitais brasileiras. As taxas de incidência são obtidas nas 23 cidades onde existem Registros de Câncer de Base Populacional. As estimativas são válidas também para 2015.
O maior número de casos da doença no Brasil e no mundo está relacionado ao envelhecimento da população, às mudanças na alimentação, à pouca prática de exercícios físicos e ao hábito de fumar, entre outros fatores de risco. De forma geral, todos os tipos de câncer apresentam crescimento no número de casos com o passar do tempo.
Tendência de queda – Na contramão deste cenário, observa-se no Brasil nos últimos anos tendência de queda na incidência de câncer de pulmão em homens. Embora esse tipo da doença seja o terceiro mais frequente entre o público masculino, devendo atingir 16.400 pessoas do sexo masculino no próximo ano, a previsão já foi maior. A estimativa para 2010, por exemplo, era de 17.800 novos casos em homens.
O câncer de pulmão é o que mais fez vítimas no Brasil em 2011, quando foram registrados 22.426 óbitos. Cerca de 90% dos casos estão associados ao tabagismo e a tendência de queda em homens pode ser relacionada às políticas de redução do consumo de cigarro. O Brasil tem se destacado globalmente nas ações de combate ao fumo, com redução de 20% do número de adultos que fumam nos últimos seis anos. O índice de fumantes passou de 15% em 2006 para 12% em 2012. Em 1989, era 35%.
No caso das mulheres, a tendência de queda é em câncer de colo do útero, que deixou de ser o segundo mais frequente entre esse público passando para o terceiro lugar no ranking. A previsão para 2014 é de 15.590 novos casos da doença, sendo que em 2010 a estimativa era de 18.430.
A redução dos casos está associada ao maior acesso da população feminina brasileira ao exame preventivo (papanicolau), a cada ano cerca de 11 milhões de exames são feitos na rede pública de saúde. A partir de 2014, o SUS passará a oferecer vacina contra HPV, cujo vírus é responsável por 95% dos casos de câncer de colo do útero.
Depois do câncer de pele, este câncer apresenta maior percentual de prevenção e cura quando diagnosticado precocemente. O Ministério da Saúde preconiza que as mulheres de 25 a 64 anos façam o papanicolau anualmente. Se no intervalo de dois exames seguidos o resultado for normal, o exame é indicado a cada três anos.
FONTE: Agência Saúde

Tratamento precoce pode curar 70% das crianças com câncer infantil

De acordo com o INCA – Instituto Nacional de Câncer, no Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de um a 19 anos. Os tumores mais frequentes são as leucemias, os do sistema nervoso central e linfomas. A boa notícia é que cerca de 70% das crianças e adolescentes acometidos de câncer podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados.

A chefe da pediatria do INCA, Sima Ferman, alerta para que os pais fiquem atentos às queixas das crianças. "O câncer em criança, na maioria das vezes, você não identifica um fator causal. O que a gente pode fazer em criança é exatamente o diagnóstico precoce. Então a gente sempre fala para os pais que não desvalorizem a queixa da criança. A criança não inventa sintoma, se a criança diz que não está bem, ela tem que realmente ir ao pediatra. O tratamento hoje é feito não só para a cura da criança, mas também a qualidade de vida e a criança ser reintegrada à sociedade, ser um adulto finalmente produtivo", explica a pediatra.     

A cuidadora, Maria dos Reis, por exemplo, tem uma filha adolescente que foi diagnosticada com leucemia. A jovem faz quimioterapia no Hospital da Criança em Brasília que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Maria dos Reis conta que está satisfeita com o tratamento. "O hospital é maravilhoso, os médicos, os enfermeiros, os auxiliares. Todo mundo tem muito carinho por todas as crianças que passam por ali e isso ajuda a gente muito. Oferece várias atividades, todo dia tem uma atividade diferente para eles, tanto para os pais como para os pacientes. A gente tem acompanhamento com psicólogo, tem o tratamento com o psiquiatra quando precisa, a gente tem todo um acompanhamento, está tudo dando certo, graças a Deus."      

Atualmente, 277 hospitais que atendem pelo SUS estão habilitados para o diagnóstico e tratamento de câncer em todo o Brasil. Para saber mais, acesse o site do INCA e saiba mais.

FONTE: Agência Saúde

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Brasil: número de pessoas com diabetes aumenta 40% em seis anos

No Dia Mundial do Diabetes, comemorado nesta quinta-feira (14), o Ministério da Saúde divulgou dados inéditos sobre a doença no Brasil e revela que o número de casos está crescendo. A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2012) revelou um aumento de 40% entre 2006, primeiro ano do levantamento, e ano passado. O percentual de pessoas que se declararam diabéticas passou de 5,3% para 7,4% no período.
O avanço da diabetes está relacionado ao excesso de peso, à falta de exercícios físicos, à má alimentação e o envelhecimento da população. O Vigitel aponta que 75% do grupo de brasileiros convivendo com a diabetes estão acima do peso. Em 2012, pela primeira vez na história o número de pessoas com sobrepeso superou a metade da população, chegando a 51%.
“Os hábitos de vida dos brasileiros sofreram uma profunda mudança nos últimos anos, que estão provocando o aumento de doenças crônicas como o diabetes. Temos trabalhado para preparar o sistema de saúde para lidar com este novo quadro, com ações como a ampliação do acesso aos medicamentos para controle das doenças. Por isso lançamos o Saúde Não Tem Preço, que distribui remédios de graça para o tratamento de hipertensão, diabetes e asma, desde fevereiro de 2011”, destaca o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Depois que a distribuição dos remédios se tornou gratuita, mais que quintuplicou o número de pessoas beneficiadas, saltando de 306,8 mil beneficiários em de janeiro de 2011, mês anterior ao início do Saúde Não Tem Preço, para 1,7 milhão em setembro deste ano. Ao longo do período, já foram 5,7 milhões de diabéticos que recorreram às unidades próprias do Farmácia Popular e às drogarias privadas conveniadas ao Aqui Tem Farmácia Popular para obter o tratamento gratuitamente.
A expansão do acesso aos medicamentos contribuiu decisivamente para evitar uma escalada no número de complicações da doença. O número de brasileiros internados pela doença nos hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) caiu 17,4% - de 172,1 mil, em 2010, para 142,1 mil, em 2012. Com isso, a taxa de pacientes internados teve redução de 19%, de 90,26 internações para cada 100 mil habitantes para 73,3 atendimentos hospitalares a cada 100 mil.
Expansão do diabetes - Pelo Vigitel 2012, o diabetes é mais comum em mulheres (8,1%) do que em homens (6,5%). O estudo revela também a educação é um fator importante de prevenção: 3,8% dos brasileiros com mais de 12 anos de estudo declararam ser diabéticos, enquanto 12,1% dos que têm até oito anos de escolaridade dizem ter a doença.
O crescimento ocorreu em todas as faixas etárias, porém na faixa de 35 a 44 anos o aumento foi mais significativo: 26,6% de 2006 a 2012. No ano passado, o percentual de pessoas nessa faixa etária, que declararam ter diabetes, foi de 3,9%, enquanto em 2006 o dado foi 2,9%. Outra faixa etária de destaque foi a de 65 anos e mais que passou de 19,2% para 22,9%, de 2006 a 2012, respectivamente.
O Vigitel 2012 coletou dados nas 26 capitais e no Distrito Federal, ouvindo 45.448 pessoas. A capital com maior percentual de diabéticos é São Paulo (9,3%), seguido de Curitiba (8,4%), Natal (8%) e Porto Alegre (8%0). Os menores índices estão em Palmas (4,3), Macapá (4,9), Manaus (4,9%) e Porto Velho (5,0%).
Sobre a doença – A diabetes é uma doença crônica resultante do desequilíbrio dos níveis de glicose no sangue. Isso ocorre quando o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente (diabetes tipo 1) ou quando a insulina produzida pelo pâncreas não age adequadamente nas células devido a uma resistência do corpo à ação dela (diabetes tipo 2). Quando um destes problemas com a insulina ocorre, a glicose deixa de ser absorvida pelas células, o que provoca a elevação dos níveis de glicose no sangue.
A principal característica da diabetes é a hiperglicemia (elevação dos níveis de glicose no sangue), que pode se manifestar por sintomas como poliúria (excesso de urina), polidipsia (sede aumentada), perda de peso, polifagia (fome aumentada) e visão turva. Esses sinais e sintomas são mais evidentes no diabetes tipo 1. O diabetes tipo 2 em geral é mais “silencioso” e é mais comum na faixa etária dos adultos.
Fonte: Agência Saúde

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

OMS revela que Brasil convive com desilgualdade na assistência à saúde

O Brasil tem 81,4 profissionais de saúde por 10 mil habitantes, muito acima das metas da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas há uma grande desigualdade entre regiões, revela um relatório da entidade divulgado hoje (11).
A conclusão está no estudo Uma Verdade Universal: Não Há Saúde sem Profissionais, divulgado pela OMS durante o terceiro Fórum Global sobre os Recursos Humanos da Saúde, que reúne mais de 1.300 participantes de 85 países, incluindo 40 ministros da Saúde.

O estudo alerta que faltam, atualmente, 7,2 milhões de profissionais de saúde em todo o mundo e que o déficit subirá para 12,9 milhões até 2035, com graves implicações para milhões de pessoas.

No documento, a OMS apresenta os perfis de 36 países, incluindo o Brasil, que segundo os dados disponíveis tem 2.523 parteiras, 1.243.804 enfermeiros e 341.849 médicos, o que resulta em 1.588.176 profissionais de saúde qualificados, ou seja, 81,4 por 10 mil habitantes.
Entre os 186 países com informações disponíveis, apenas 68 (36,6%), incluindo o Brasil, atingem ou ultrapassam todas as metas definidas, revela a agência das Nações Unidas para a saúde.
O estudo indica que 83 países, ou seja 44,6%, ainda não atingiram sequer o patamar mínimo definido pelo Relatório Mundial de Saúde de 2006, que prevê 22,8 profissionais de saúde qualificados por cada 10.000 habitantes.
Outros 17 países (9,1%) ultrapassam o patamar mínimo, mas não atingem essa meta da Organização Internacional de Trabalho, que aponta para 34,5 profissionais de saúde qualificados por 10.000 habitantes. Há, ainda, 18 países (9,7%) que atingem esta meta, mas não o patamar dos 59,4 profissionais para 10.000 cidadãos.
No perfil relativo ao Brasil, a OMS ressalta que há grandes disparidades geográficas no acesso a profissionais de saúde, e exemplifica que embora a média nacional seja 17,6 médicos por 10 mil habitantes, a densidade varia entre 40,9 por 10 mil no Rio de Janeiro e 7,1 no Maranhão.
A organização destaca que o país tem investimentos e estratégias em curso para abordar a questão das disparidades e lembra que o Ministério da Saúde lançou, em junho, o Programa Mais Médicos, para recrutar clínicos dentro e fora do país e preencher vagas nas regiões mais carentes em atenção básica de saúde.
Pelo programa, já foram contratados 6,6 mil médicos que fizeram a sua formação em universidades estrangeiras, número que o governo estima aumentar para 12.996 até março de 2014. Um total de 50 médicos formados em universidades portuguesas - 18 dos quais de nacionalidade portuguesa - foram recrutados pelo Mais Médicos.
FONTE: Agência Brasil

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Impostos fazem com que bicicletas brasileiras sejam uma das mais caras do mundo

O cenário atual no trânsito em Municípios brasileiros, principalmente os maiores, é o caos. As políticas públicas que deveriam incentivar transportes alternativos, como as bicicletas, estão no sentido contrário. Um estudo da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas mostra que esse veículo tem imposto médio de 40,5%. Enquanto isso o tributo aplicado na venda de carros é de 32% no Brasil.

O estudo faz um alerta para o preço de comércio das bicicletas em todo o país. Como não recebem incentivos fiscais do governo federal, assim como os carros, por exemplo, elas chegam às lojas com preços bem acima do mercado internacional. Isso faz o Brasil comercializar “uma das bicicletas mais caras do mundo”.

Alguns incentivos fiscais existem na Zona Franca de Manaus (ZFM), mas a produção é de apenas 21% do país. A alíquota dos impostos cobrados pela União na fabricação de bicicletas é de 10%. A de carros populares, 3,5%. Ao sair da fábrica, os tributos elevam o preço do veículo em 80,3%, portanto quase metade (44,5%) do valor pago pelo consumidor é de impostos.

Incentivos

Além da questão de mobilidade, o uso das bicicletas como transporte atrai também as pessoas preocupadas com o meio ambiente e a saúde. Afinal, este veículo não polui e ajuda na prática de atividades físicas. O estudo chama atenção para o fato de que não adiantam investimentos em ciclovias e estacionamento de bicicletas se não há incentivo para comprá-las.

A Associação de Ciclistas Urbanos da Cidade de São Paulo afirma que de todas as bicicletas vendidas no Brasil, 50% são destinadas ao transporte. O restante é para lazer e prática de esportes. A responsável pelo estudo, Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, defende a redução de 10% do preço para um aumento de 14% nas vendas. Além disso, a formalização de fábricas informais também pode ocorrer.

FONTE: Agência CNM

sábado, 2 de novembro de 2013

Último eclipse solar de 2013 ocorrerá neste domingo

Algumas localidades do Brasil assistirão amanhã (3) ao último eclipse solar  de 2013. “Só que no Brasil, ele não é um eclipse total”, disse hoje (2) a astrônoma do Observatório Nacional (ON), Josina Nascimento.  Isso significa que os brasileiros assistirão à cobertura apenas parcial pela lua.
O eclipse solar total será observado somente  em uma faixa da África e no Oceano Atlântico.  Ele é chamado de eclipse solar híbrido, porque pode ser visto de forma parcial em algumas áreas.
O fenômeno poderá ser acompanhado em todo o Nordeste, na maioria dos estados  da Região Norte e em parte do Centro-Oeste e do Sudeste. O eclipse não será observado na Região Sul, informou a pesquisadora do ON.
No Rio de Janeiro, o fenômeno vai começar às 8 h de Brasília, lembrando que é horário de verão, com a escuridão máxima do Sol sendo atingida por volta de 8h20. Pelos cálculos de Josina, às 9h39,  o Sol estará totalmente descoberto. Já em Belém, que não tem horário de verão, o eclipse terá início às 7h27, horário local.
Há no fenômeno uma coincidência interessante, destacou a pesquisadora, que é o fato de o diâmetro aparente da Lua, visto da Terra, ser idêntico ao do Sol. “Se não fosse isso, nunca iria encobrir totalmente [o Sol]”.
FONTE: Agência Brasil

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Brasil e Alemanha apresentam à ONU resolução sobre espionagem

Uma proposta de resolução sobre a privacidade na internet será apresentada pelo Brasil e pela Alemanha hoje (1º) à Organização das Nações Unidas (ONU). O documento está quase pronto, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, porém alguns pontos do texto ainda estão sendo discutidos. A expectativa é que a proposta seja entregue às 11h no horário de Nova York (13h no horário de Brasília).

A proposta de resolução, com o título Direito à Privacidade na Era Digital, será entregue à Comissão de Direitos Humanos, subordinada à Assembleia Geral da organização. O texto, para passar a valer, terá de ser aprovado por maioria simples pelas delegações dos 193 países-membros da ONU. O Brasil está articulando diplomaticamente as posições dos países para viabilizar a aprovação.

O documento está no contexto das recentes denúncias de espionagem pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, que teria grampeado o celular da chanceler alemã Angela Merkel. A presidente Dilma Rousseff foi uma das primeiras chefes de Estado a se queixar das práticas dos norte-americanos, depois de reportagem denunciando que suas comunicações foram interceptadas.

Os detalhes sobre a proposta serão divulgados na página do Ministério das Relações Exteriores na internet assim que o texto for entregue à ONU.

FONTE: Agência Brasil

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Brasil exportará vacina contra sarampo e rubéola

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou, nesta segunda-feira (28), parceria para a produção, desenvolvimento e exportação da vacina que protege contra a rubéola e o sarampo. O acordo entre a Fundação Bill & Melinda Gates e o laboratório Bio-Manguinhos/Fiocruz, ligada ao Ministério da Saúde, foi celebrado durante o 9º Encontro Grand Challenges, no Rio de Janeiro. A previsão de exportação é de 30 milhões de doses a partir de 2017.

Esta é a primeira vez que o Brasil produz vacina para a exportação usando tecnologia inteiramente nacional em todas as fases do processo. Esta vacina será desenvolvida na nova planta em Santa Cruz (RJ), que também irá produzir os imubiológicos contra poliomielite, febre amarela e tríplice viral (caxumba, sarampo e rubéola). A previsão de entrega da fábrica é 2016.  A iniciativa vai contar com US$ 1,1 milhão da Fundação Bill & Melinda Gates.

Durante a cerimônia de abertura do evento, o ministro Alexandre Padilha, explicou que o acordo com a Fundação Bill e Melinda Gates irá proporcionar ao Brasil mais investimentos e garantias de compra para aumentar a produção. “ Este acordo possibilita que o Brasil ocupe o mercado global, oferecendo preços reduzidos. Com estes investimentos estaremos capacitados,  já em 2014, a estudar e registrar a vacina nos países africanos”, afirmou Padilha, lembrando que o país já erradicou o sarampo em 2000 e a rubéola em 2009.

“Agora estamos nos preparando para oferecer vacinas a outros países do mundo”, acrescentou. O ministro ressaltou ainda que esta vacina poderá ser comprada pela indústria internacional, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e por fundos privados, como a Fundação Bill e Melinda Gades, que poderão adquirir estes imubiológicos para oferecer aos países mais necessitados.

O Secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, disse que o orçamento do Ministério na área do investimento, produção e inovação quadruplicou nos últimos anos. “Temos recursos de R$ 2 bilhões à área de inovação e pesquisa para os próximos quatro anos que conta com investimentos do FINEP, BNDES e participações privadas, envolvendo vacinas, materiais médicos e novos equipamentos”, explicou o secretário.

O presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, explicou que a instituição tem hoje a possibilidade de ampliar a demanda no mercado nacional, além de sua participação no mercado Global, especialmente para os países em desenvolvimento.

“Devemos destacar a importância da produção da vacina contra o sarampo e a rubéola, que só tem um fabricante no mundo. Por questão de segurança, é muito importante que se diversifique a fabricação da vacina e a custos mais acessíveis”, ressaltou o presidente de Saúde Global da Fundação Gates, Trevor Mundel.

ENCONTRO - Pela primeira vez um país da América do Sul sedia o Encontro Grand Challenges. O evento é uma oportunidade de colaboração científica entre grupos de pesquisadores para discutir soluções inovadoras e de impacto à saúde, reunindo aproximadamente 600 cientistas do mundo no Rio de Janeiro. As edições anteriores foram realizadas em Seattle, Washington; Cidade do Cabo, África do Sul; Bangkok, Tailândia;Arusha, na Tanzânia; Delhi, na Índia, e mais recentemente, em Ottawa, Canadá.

PRODUÇÃO – O laboratório Bio-Manguinhos, da Fiocruz, foi escolhido para receber o aporte por já ter experiência acumulada desde 2003 na produção da tríplice viral, em acordo de transferência de tecnologia com a GlaxoSmithKline (GSK). A tríplice é usada no Programa Nacional de Imunizações (PNI) e nas campanhas de vacinação brasileiras. O Brasil produz atualmente 96% das vacinas fornecidas à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Bio-Manguinhos já exporta vacinas para 75 países no mundo. Em 2012, foram exportados 10 milhões de doses de vacinas de febre amarela e meningocócica. Com estas duas novas vacinas, a expectativa é dobrar as exportações. Os testes clínicos deverão ser iniciados em 2014, mas a vacina será disponibilizada ao mercado em 2017, podendo atender também aos países da Ásia e América Latins, pela Aliança GAVI e órgãos das Nações Unidas.

FONTE: Agência Saúde

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ipea diz que mais de 1 milhão de pessoas saíram da extrema pobreza em 2012

A desigualdade de renda registrou queda em 2012, apesar de o desempenho da economia ter sido considerado fraco. O Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 0,9% no ano passado, enquanto a renda per capita das famílias cresceu, em média, 7,9%.
As famílias mais pobres, em especial, conseguiram evolução na renda maior do que a média, 14%, entre os 10% mais pobres da população. Os dados são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no estudo Duas Décadas de Desigualdade e Pobreza no Brasil Medidas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgado hoje (1º).
A população extremamente pobre (que vive com menos de US$ 1 dólar por dia) caiu de 7,6 milhões de pessoas para 6,5 milhões. A população pobre (que vive com entre US$ 1 e US$ 2 dólares por dia), de 19,1 milhões de pessoas para 15,7 milhões.
"Três milhões e meio de pessoas saíram da pobreza em 2012 e 1 milhão da extrema pobreza, em um ano em que o PIB cresceu pouco. Para a pobreza, o fundamental é o que acontece na base – cuja renda cresceu a ritmo chinês. O bolo aumentou com mais fermento para os mais pobres, especialmente para os mais pobres dos pobres", disse o presidente do Ipea, Marcelo Neri.
Os principais indicadores do crescimento dos rendimentos da população são a posse de bens duráveis – como televisão, fogão, telefone, geladeira e máquina de lavar – e o acesso a serviços públicos essenciais – como energia elétrica, coleta de lixo, esgotamento sanitário e acesso à rede de água.
A ampliação da posse de bens e de acesso a serviços se deve, em grande parte, a dois fatores: o aumento da renda do trabalho e o impacto do Bolsa Família. "Nos últimos dez anos, o protagonista da redução da desigualdade é a renda do trabalho, o coadjuvante principal é o Bolsa Família", diz o estudo. De acordo com o Ipea, de 2002 a 2012, 54,9% da redução da desigualdade foi devido à contribuição da renda do trabalho. O Bolsa Família contribuiu 12,2% para essa queda.
"O Bolsa Família é um custo de oportunidade social, tem mais impacto sobre a desigualdade do que a Previdência", informou Neri. A Previdência é o terceiro fator que mais contribui para a redução da desigualdade, 11,4% para os que ganham acima do piso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e 9,4% para os que ganham um salário mínimo (R$ 678). Se somados os dois grupos, a Previdência tem impacto superior ao do Bolsa Família.
FONTE: Agência Brasil

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Brasil não conseguiu economizar em agosto para pagar dívida

O Brasil não conseguiu fazer economia em agosto para pagamento da dívida pública, representada pelo superávit primário. Ao contrário, o setor público consolidado (União, estados, municípios e empresas estatais) registrou déficit primário de R$ 432 milhões, sendo R$ 55 milhões do governo central, R$ 174 milhões dos governos regionais e R$ 203 milhões das estatais.
Foi o pior mês de agosto nas contas públicas de 2010 para cá, de acordo com o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel. O déficit de agosto ficou distante da economia de R$ 2,28 bilhões em julho e dos R$ 5,42 bilhões de superávit obtido em junho.
No acumulado de janeiro a agosto, a economia para pagamento da dívida soma R$ 54,01 bilhões, equivalentes a 1,73% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país). Mas é um superávit aquém dos R$ 74,22 bilhões (2,58% do PIB) contabilizados em igual período do ano passado. O superávit primário tem caído gradativamente em relação aos R$ 96,54 bilhões no mesmo período de 2011.
As despesas com o pagamento de juros da dívida somaram R$ 21,87 bilhões em agosto, com leve declínio em relação a julho, quando foram gastos R$ 23,39 bilhões, porque o mês passado teve menos dias úteis. No ano, os juros nominais somam R$ 163,35 bilhões, ante R$ 147,58 bilhões em igual período de 2012, e nos últimos 12 meses acumula R$ 229,64 bilhões, ou 4,94% do PIB.
O resultado nominal, que inclui o superávit primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$ 22,3 bilhões em agosto, e no ano o déficit atinge R$ 109,3 bilhões, elevando-se R$ 36 bilhões em relação ao mesmo período do ano passado. Em 12 meses, o déficit chega a R$ 144,9 bilhões (3,12% do PIB).
FONTE: Agência Brasil