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terça-feira, 5 de março de 2013

Morre Hugo Chávez


Doença venceu um político que tentou manter uma imagem de invencibilidade até quando o agravamento de seu estado de saúde já mostrava outra realidade

Em mais de uma ocasião, Hugo Rafael Chávez Frías disse que pretendia permanecer no poder na Venezuela até 2031. A realidade de um câncer na região pélvica abreviou os planos do caudilho, que impôs um estilo personalista a um governo que durou 14 anos. E que deixa um vácuo de poder difícil de ser preenchido, já que nenhum sucessor tem condições de comandar o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o povo e os militares. Junto com Chávez, morre o chavismo, estilo que mistura o pior do populismo, do ultranacionalismo, do esquerdismo, do caudilhismo e do ‘socialismo à cubana’ imposto pelo mandatário na Venezuela.

Chávez morre aos 58 anos. No início de dezembro, ele viajou a Havana, Cuba, para submeter-se a quarta cirurgia para combater o tumor diagnosticado em junho de 2011 e que sempre foi envolto em mistério pelo governo venezuelano – nem mesmo a localização exata do tumor foi revelada. Em 18 de fevereiro deste ano, após 71 dias de ausência, ele anunciou seu retorno à Venezuela pelo Twitter. No entanto, nenhuma imagem do coronel havia sido divulgada desde então. Ele estaria recebendo tratamento no hospital militar da capital, e, nesta terça-feira, o governo informou que seu estado de saúde sofreu uma piora após "nova e severa infecção".

A doença venceu um político que vendia uma imagem de invencibilidade e que tentou mantê-la até quando o agravamento de seu estado de saúde já mostrava que a realidade era outra. O carismático Chávez deverá ser lembrando pelo estilo espalhafatoso na maneira de se comunicar e por ignorar as instituições e a divisão dos poderes. Ao longo de mais de uma década no poder, ele criou uma milícia própria, manobrou para garantir resultados favoráveis em eleições, confiscou empresas, perseguiu opositores e a imprensa e submeteu a Justiça aos seus interesses.

Origens – Nascido em 28 de julho de 1954, o segundo filho de dois professores da cidade venezuelana de Sabaneta, no oeste da Venezuela, chegou a pensar em se dedicar profissionalmente ao esporte mais popular do país, o beisebol. A mudança de rumo veio depois que entrou para o Exército, aos 17 anos, com o objetivo inicial de se mudar para a capital, Caracas, onde seu talento esportivo poderia ser mais facilmente reconhecido. 

Acabou mergulhando no campo militar e foi um dos fundadores do grupo que ficou conhecido como Movimento Bolivariano Revolucionário – em homenagem ao líder da independência da Venezuela, Simon Bolívar. Começou então a organizar seus aliados para tomar o poder. A tentativa de golpe fracassada contra o governo de Carlos Andrés Pérez, em 1992, resultou na morte de 18 pessoas e na prisão de Chávez. Depois de dois anos preso, ele foi perdoado pelo presidente Rafael Caldera e libertado em 1994.

Quatro anos depois, o coronel paraquedista assumiu o comando da Venezuela ao ser eleito com 56% dos votos. Diante de um cenário político marcado pela corrupção, Chávez apresentou-se como um representante das classes mais baixas que promoveria uma melhor distribuição da riqueza vinda do petróleo. De fato, a maior fonte de recursos do país financia os programas assistencialistas conhecidos como “misiones”, que consistem basicamente em uma fórmula para distribuir pequenas quantias de dinheiro aos beneficiários. Há misiones de alfabetização de adultos, de cooperativas agrícolas, de atendimento médico e de venda de alimentos subsidiados, entre outras. Todas estabeleceram uma dependência entre a população pobre e a figura onipresente de Chávez. 

O medo de perder os benefícios sociais ou um cargo público manteve a população fiel ao coronel, em um estilo de governo batizado por opositores de “medocracia”. A suspeita de que o sigilo do voto poderia ser violado buscava alicerces em momentos como o verificado em 2004, quando aliados do presidente elaboraram uma lista com o nome de todos os venezuelanos que foram a favor da convocação de um referendo contra Chávez. Além disso, ao longo de seus três mandatos consecutivos, outras irregularidades foram relatadas, como mesários votando no lugar dos eleitores ausentes ou permitindo que militantes chavistas acompanhassem eleitores na cabine de votação. Até sua saída de cena, as artimanhas foram alteradas, mas nunca eliminadas.

Trajetória – Logo depois de assumir o poder, Chávez convoca um referendo em abril de 1999 e consegue autorização popular para eleger os representantes da Assembleia Constituinte que elaboraria a nova Constituição, da agora República Bolivariana da Venezuela. A Constituição acabou com o sistema legislativo bicameral – desde então, o Parlamento é dominado por aliados do presidente. Novas eleições são convocadas para julho de 2000, é Chávez é eleito com quase 60% dos votos. Pouco depois é aprovada a chamada Lei Habilitante, permitindo ao coronel governar por meio de decretos. 

A era Chávez foi um período de intensa polarização no país. Os opositores, vendo na figura do presidente uma ameaça comunista, começaram a alertar a classe média sobre os planos de Chávez de nacionalizar toda a iniciativa privada. Já o mandatário rotulava a oposição como “burguesa” e “oligárquica”, influenciada pelo “imperialismo americano”.

As diferenças ficaram evidentes em 2002, quando Chávez demitiu os gestores da PDVSA e substitui-los por pessoas da sua confiança. A decisão associada à insatisfação com as medidas como a desapropriação de latifúndios, o que acabou provocando uma tentativa de golpe de estado pela oposição. Em protesto, a Fedecámaras, entidade representante dos empresários, convoca uma greve geral para o abril, que termina com 13 mortos. O descontentamento com a liderança de Chávez atingiu também alguns setores do Exército, e antigos apoiadores do coronel o abandonaram. No dia 12 de abril, um grupo de oficiais anuncia que Chávez tinha renunciado e que o presidente da Fedecámaras, Pedro Carmona, havia assumido o comando do país. Mas o plano deu certo apenas por 47 horas. Partidários de Chávez, apoiados por comandantes militares, pedem a volta do mandatário e Carmona abandona o posto. Depois de se restabelecer, Chávez passou a reprimir os meios de comunicação independentes, com a acusação de que eles estariam distorcendo as informações em favor da oposição. 

Mas a insatisfação resulta em novos protestos e greve geral, que afeta a produção de petróleo na Venezuela. Afetados pelo problema interno, os Estados Unidos pressionam a oposição por um acordo com o governo. Em 2003, uma coligação de partidos opositores convoca um referendo sobre a permanência ou não de Chávez no poder. A consulta popular foi realizada no ano seguinte, com a maioria dos eleitores apoiando o mandatário – sob acusações de fraude por parte da oposição que, no ano seguinte, boicotou as eleições parlamentares.

Em dezembro de 2006, Chávez é reeleito para um terceiro mandato, com quase 63% dos votos. No ano seguinte, ele decide não renovar os direitos de transmissão da emissora de TV mais popular do país, a RCTV. Governando sem oposição no Parlamento, o caudilho ganha poderes para governar novamente por meio de decretos. Ainda em 2007, no entanto, sofre um revés quando os venezuelanos votam contra a proposta de reforma constitucional que previa, entre outras coisas, o direito de reeleição ilimitada para a Presidência. A derrota foi logo revertida pelo ditador, que convocou, no ano seguinte, uma nova consulta popular para aprovar o item que lhe permitiu perpetuar-se no poder. A aprovação, mais uma vez, foi feita com amplo uso da máquina pública. 

Em 2010, a oposição recebeu a maioria dos votos na eleição parlamentar, mas Chávez conseguiu garantir mais representantes do PSUV na Assembleia Nacional ao alterar os mapas dos distritos eleitorais, dando mais peso aos votos das zonas rurais, onde tem mais apoio. 

Nas últimas eleições presidenciais, em 7 de outubro, Chávez voltou a usar a máquina para impor toda sorte de obstáculos à campanha do opositor Henrique Capriles, governador do estado de Miranda. Logo depois da unificação opositora em torno do nome de Capriles, ele foi punido com um corte no orçamento do seu estado. O governo nacional também tirou de sua administração todos os hospitais e postos de sáude. Ao longo da campanha, Chávez lançou mão do expediente antidemocrático de usar a cadeia nacional para interromper transmissões de atos políticos de Capriles pelas emissoras. E chegou até mesmo a acusar a oposição de fazer bruxaria contra sua campanha eleitoral. Depois do resultado que assegurou um quarto mandato ao coronel, a oposição afastou a hipótese de fraude, mas destacou que a campanha foi feita em condições desiguais.

Bufão – Internamente, Chávez usou as emissoras de TV com desenvoltura para cantar, fazer longos discursos e palhaçadas. Essa personalidade excêntrica também foi apresentada a líderes mundiais em diversas ocasiões. Uma das mais marcantes foi seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2006, quando chamou o ex-presidente americano George W. Bush de “demônio” e recomendou a leitura de um livro de Noam Chomsky, conhecido crítico do governo dos EUA, sobre os perigos do imperialismo americano. 

No ano seguinte, no entanto, ele encontrou um interlocutor com pouca paciência. O rei da Espanha, Juan Carlos, disse a Chávez a célebre frase “¿Por qué no te callas?”, durante uma Cúpula Ibero-Americana, em Santiago, Chile. A reação do rei ocorreu depois que Chávez chamou o ex-premiê espanhol José Maria Aznar, um aliado de Bush eleito democraticamente, de "fascista"

As ações de Chávez no exterior, contudo, foi muito além de bravatas. Além de financiar o assistencialismo que deu origem a uma fiel base eleitoral na Venezuela, o dinheiro do petróleo foi usado pelo ditador para comprar aliados na América Latina, como Cuba e Bolívia. O petróleo também estreitou as relações entre a Venezuela e a China. O governo chinês financia projetos na Venezuela e recebe petróleo em troca. Com isso, Chávez pretendia reduzir a dependência dos Estados Unidos, realidade da economia de seu país, a despeito do declarado antiamericanismo do caudilho – que chegou a ser incluído no currículo das escolas. 

Em nome dos aliados, Chávez não se constrangeu ao enviar um navio com petróleo para a Síria em fevereiro de 2012, quando a comunidade internacional tentava isolar o governo de Bashar Assad, e não deixou de apoiar Mahmoud Ahmadinejad mesmo com os esforços do Ocidente para tentar dissuadir o Irã dos planos de desenvolver armas nucleares.

A tentativa de ampliar sua influência na América Latina – por meios tortos ou equivocados – nunca foi abandonada. Suas ações foram desde o financiamento de insurreições nos países vizinhos à criação da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), anunciada em 2005 como uma resposta à Alca, a área de livre-comércio das Américas proposta pelos Estados Unidos, e que se tornou um clube de amigos do Chávez. Em outra frente, o coronel foi grande apoiador das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Documentos encontrados em poder da narcoguerrilha colombiana revelaram que a ajuda vinha na forma de dinheiro, guarida, armas, assistência médica.

Uma das últimas intervenções do ditador teve como alvo o Paraguai. Chávez mandou o então chanceler Nicolás Maduro reunir-se com a cúpula das Forças Armadas paraguaias para incitar uma reação a favor de Fernando Lugo, que foi alvo de impeachment em junho do ano passado. As relações entre os dois países estão estremecidas desde então. 

Doença - Desde junho de 2011, quando revelou sofrer da doença, o presidente viajou diversas vezes a Cuba para dar continuidade ao tratamento, sem detalhar sua situação. As informações sobre o câncer foram desencontradas desde o início - nem o tipo nem a localização dos tumores foram revelados com exatidão. Até mesmo os comentários de Chávez sobre o câncer oscilavam. Em um momento, ele parecia otimista e se dizia “curado”. Em outro, alertava para uma queda de ritmo. Depois, prometia voltar “com mais energia”.

Em novembro de 2012, seis meses depois da última sessão de quimioterapia e após ficar semanas sem aparecer em público, ele voltou a Cuba para um tratamento especial. Oficialmente, anunciou que as sessões de oxigenação hiperbárica "consolidariam o processo de fortalecimento" de sua saúde. Depois de ficar mais de uma semana na ilha, voltou à Venezuela. Porém, apenas dois dias depois, informou que viajaria novamente a Cuba para se submeter à quarta cirurgia em 18 meses. Admitiu que a nova intervenção cirúrgica apresentava um risco e, pela primeira vez falou em um sucessor: o vice-presidente, Nicolás Maduro. Depois de mais de dois meses internado em Cuba, o governo divulgou fotos do mandatário com as filhas. Ele aparecia sorridente. 

Ao longo do tratamento, Chávez apelou para a fé. Durante a Semana Santa de 2012, o ditador venezuelano demonstrou um fervor religioso fora do comum. Logo ele - que costumava condenar a Igreja e toda a sua hierarquia, insultando cardeais, bispos e até mesmo o Vaticano como instituição em seus discursos - nesse feriado religioso participou de uma missa em Barinas, sua cidade natal, onde se mostrou um católico devoto. 

Chávez casou-se duas vezes: a primeira com Nancy Colmenares, com quem teve três filhos - Rosa Virginia, María Gabriela e Hugo Rafael -, e a segunda com a jornalista Marisabel Rodríguez, de quem se separou em 2003 e com quem teve uma filha, Rosinés. Além disso, Chávez também teria mantido uma relação amorosa por cerca de dez anos com a historiadora Herma Marksman, enquanto era casado com sua primeira esposa.
FONTE: Veja

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Chávez segue com problema respiratório;governo divulga fotos


Hugo Chávez lê o jornal cubano Granna ao lado de suas filhas
FOTO: Governo da Venezuela
"A infecção respiratória surgida no curso do pós-operatório foi controlada, ainda que persista um certo grau de insuficiência. Dada esta circunstância, que está sendo tratada, no momento o comandante apresenta respiração através de cânula traqueal, o que dificulta temporariamente a fala", disse o ministro da Comunicação, Ernesto Villegas, lendo um comunicado.

Posteriormente foram divulgadas as fotos, que o ministro de Ciência e Tecnologia, Jorge Arrreaza, disse que foram feitas na quinta-feira à noite.

Nas fotos, o militar aposentado, de 58 anos, aparece inchado e acamado, mas sorridente e lendo uma edição de quinta do jornal cubano Granma.

A cânula traqueal é um tubo que se coloca no paciente através de uma abertura criada mediante traqueostomia para permitir uma respiração adequada. As fotos não mostram o pescoço de Chávez.

Villegas acrescentou que "a equipe médica aplica tratamento enérgico para a enfermidade de base, que não está livre de complicações. O paciente coopera com o tratamento e a reabilitação em ligação estreita com a equipe médica de trabalho."

O ministro garantiu que Chávez se mantém em "comunicação" com sua equipe de governo, apesar de o comunicado ter afirmado que ele tem dificuldades para falar.

A divulgação das fotos acontece dias após o vice-presidente Nicolás Maduro ter dito que Chávez estava recebendo tratamentos complementares "duros" e "complexos", após ter concluído o ciclo pós-operatório.

Em suas declarações, que foram menos otimistas que seus informes anteriores sobre a saúde do presidente, Maduro não passou mais detalhes.

Os rumores sobre a real situação de Chávez não param.

Ele não compareceu à cerimônia de posse para seu novo mandato presidencial em 10 de janeiro, mas as autoridades que governam o país durante sua ausência garantem que ele retornará quando estiver recuperado da operação.


FONTE: Por Marianna Párraga e Mario Naranjo - Reuters

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Hugo Chávez enfrenta uma 'severa infecção pulmonar'


Em comunicado oficial, ministro das Comunicações da Venezuela relata uma nova complicação no delicado estado de saúde do presidente do país

Sob chuva, o presidente Hugo Chávez participa do último comício de campanha para tentar a reeleição
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está internado há mais de vinte dias em Havana (Jorge Silva/Reuters)

A uma semana da data marcada para a cerimônia de posse de seu novo mandato, o presidente reeleito da Venezuela Hugo Chávez enfrenta novas complicações em seu estado de saúde. Em um comunicado oficial veiculado na televisão do país, o ministro das Comunicações Ernesto Villegas informou que Chávez sofre de insuficiência respiratória provocada por uma "severa infecção pulmonar".

"O comandante Chávez enfrentou complicações como consequência de uma severa infecção pulmonar", afirmou Villegas. "Esta infecção derivou em uma insuficiência respiratória que requer do comandante Chávez um estrito cumprimento do tratamento médico." No pronunciamento, Villegas também acusou a imprensa internacional de realizar uma "guerra psicológica" sobre a saúde do governante, com o objetivo de "desestabilizar a Venezuela"

O caudilho venezuelano está internado em Cuba há mais de vinte dias, desde que foi submetido a uma delicada operação contra um câncer na região pélvica. Foi a quarta intervenção cirúrgica desde que a doença foi diagnosticada em junho do ano passado. Chávez anunciou a volta do câncer em um pronunciamento no início de dezembro e indicou o vice, Nicolás Maduro, como seu sucessor caso não tenha condições de tomar posse.

Retorno da cúpula chavista - Na noite de quinta-feira, Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, voltaram à Venezuela após uma viagem a Cuba para acompanhar a recuperação de Chávez. Maduro, que esteve duas vezes com o presidente venezuelano em Havana, profetizou o retorno do coronel "mais cedo do que tarde" e afirmou que Chávez "está consciente da batalha que está realizando" contra a doença.

O retorno de Maduro e Cabello acontece às vésperas de uma importante votação na Assembleia Nacional, agendada para o sábado. Na data, o Parlamento deverá se reunir para eleger sua cúpula em uma sessão que será determinante para o futuro do país. Isso porque, se Chávez não tomar posse no dia 10, o chefe do legislativo tomará posse interinamente até a realização de novas eleições.

A imprensa venezuelana especula que Cabello poderia permanecer na chefia do Parlamento ou passar o cargo para Blanca Fekhout. Na segunda hipótese, ele ficaria livre para apoiar o vice-presidente Maduro em uma futura campanha presidencial - o que não poderia fazer se assumisse a Presidência.

Maduro aproveitou os holofotes nesta quinta para refutar os boatos sobre uma disputa interna na cúpula chavista diante da possibilidade de uma transição de poder. "Nós estamos aqui hoje unidos mais do que nunca, com a maior lealdade que se conheceu na história da nossa pátria junto ao comandante Chávez e ao nosso povo", garantiu.

Nas mãos do irmão - Outro membro da cúpula do governo a participar da viagem a Cuba foi o irmão mais velho do presidente, Adán Chávez, governador do estado de Barinas. O jornalista Nelson Bocaranda, que mantém o blog RunRun.es, divulgou em sua conta no Twitter que está nas mãos de Adán a decisão sobre manter ou não em funcionamento os aparelhos que estariam mantendo Chávez vivo. Foi Bocaranda quem primeiro revelou o câncer do governante, mas nem sempre o blog acerta: já anunciou, por exemplo, a morte de Fidel Castro.

FONTE: Veja (com agências EFE e France-Presse)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Chávez não voltará a exercer a presidência, diz sociólogo


O presidente venezuelano não deve estar em Caracas para a nova posse, no dia 10, afirma o criador do 'Socialismo do Século XXI'

Imagem de Chávez pintada em um muro de Caracas

A presença do presidente venezuelano, Hugo Chávez, em Caracas para a posse no dia 10 é “pouco provável”, mas o país deve seguir “suas bases constitucionais” com a convocação de novas eleições no caso de ausência definitiva do líder. A avaliação é do sociólogo alemão radicado no México Heinz Dieterich, criador da doutrina do “Socialismo do Século XXI”, base ideológica de Chávez. Até uma ruptura em 2007, Dieterich era considerado um dos maiores mentores políticos do mandatário da Venezuela.

Em entrevista ao Estado, o sociólogo avalia que a oposição, liderada por Henrique Capriles, ainda não tem força suficiente para vencer uma possível nova eleição. Pelas regras da Constituição, a votação teria que ser convocada em um prazo de até 30 dias após a confirmação da ausência definitiva do presidente. 

Dieterich não acredita em instabilidade e não vê mal-estar entre os militares com a deterioração do estado de saúde do presidente, mas enxerga que um “chavismo sem Chávez” teria seus conflitos no futuro, especialmente entre o sucessor designado, Nicolás Maduro, e o atual presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello.

Qual é a possíbilidade real de que o presidente Hugo Chávez esteja em Caracas para a posse no dia 10?
Vejo como pouco provável. Mas, certamente se pode dizer, e essa é a informação crucial, que não conseguirá voltar a exercer a presidência.

No caso da ausência do presidente, é mais provável que se convoque eleições (de acordo com a Constituição) ou haverá instabilidade?
Não haverá instabilidade. A maioria da população quer ordem e paz. Os principais líderes da oposição, particularmente Henrique Capriles, já entenderam isso. É a mesma posição do lado oficialista. Quer dizer, não há nenhuma força relevante na Venezuela que pretenda ou possa provocar instabilidade. O processo venezuelano continuará por suas bases constitucionais, e isso significa novas eleições.

A oposição unida em torno de Henrique Capriles não parece ter força suficiente para tomar vantagem da ausência de Chávez. No caso de novas eleições, a MUD será capaz de vencer?
Não, a oposição não pode vencer as novas eleições. Está dividida entre si, e, acima de tudo, não tem um projeto convincente de governo. Para ganhar, precisa deslocar-se para o centro. Capriles e Ramos Allup começaram esse processo, mas ainda necessitam de alguns anos para obterem credibilidade. Os opositores perderão a eleição que virá se o chavismo jogar bem suas cartas.

O sr. falou ao diário chileno La Tercera sobre um “chavismo sem Chávez”. Como seria esse contexto?
Um governo liderado por um presidente Nicolás Maduro seria o “chavismo sem Chávez”. No entanto, à medida em que Maduro se consolidasse no poder e Hugo Chávez se debilitasse cada vez mais pela doença, Maduro poderia estabelecer mudanças no modelo original. Seria um processo semelhante ao cubano. Raúl Castro segue formalmente o modelo socialista cubano de Fidel, mas o está alterando qualitativamente. De fato, o sistema cubano atual é qualitativamente muito diferente do que Fidel criou.

A relação entre Venezuela e Cuba seria um ponto muito importante em uma transição de poder. Os financiamentos de Caracas a Havana continuariam inalterados no “chavismo sem Chávez”?
Sim, continuariam por alguns anos, até que a correlação de forças na Venezuela mudasse. Mas, nos próximos três ou quatro anos, com Maduro, o apoio a Cuba será mantido.

O vice-presidente Maduro é capaz de concluir um processo de sucessão? O mal-estar entre ele e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, pode ser um obstáculo a isso?
Cabello perdeu a batalha pública pela sucessão, mas continua a ter um considerável poder. Ele utilizará esse poder para tratar de moldar o processo de transição e manter seu potencial político para o futuro. O mais provável é que Maduro e Cabello façam uma aliança tática agora para ganharem as eleições. Depois, a história será outra.

Por que o poder foi entregue ao ministro Hector Navarro na ausência de Chávez e Maduro? Não seria natural que Diosdado Cabello fosse incumbido da presidência?
Seria natural, mas Hugo Chávez quis deixar absolutamente claro que Cabello deve se subordinar às suas decisões de sucessão. E o sucessor é Maduro. Navarro, e isso é importante, é o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento. Por isso, sua nomeação evidencia o xadrez de poder do presidente a favor de Maduro.

Como os militares venezuelanos estão monitorando a situação? Há mal-estar nos quartéis?
Não, não há mal-estar. A tropa e os comandantes médios estão com Hugo Chávez, e o mesmo vale para os altos oficiais, tanto os que estão na ativa quanto os que viraram governadores - são 11 de 20 - e passaram a integrar a classe política chavista. São altamente politizados, conscientes da situação e têm toda a informação necessária para analisar e atuar como um bloco coeso de poder.

A escolha do tratamento em Havana foi motivada por questões políticas ou médicas?
A medicina cubana, em muitas áreas, tem nível mundial. Quer dizer, estaria garantido um tratamento profissional em Cuba e, ao mesmo tempo, a segurança física do presidente, assim como o controle de informações. Uma longa amizade e a proximidade geográfica também compuseram o cenário a favor da ilha.

FONTE: Estadão

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Caracas cancela comemoração de ano-novo após piora da saúde de Chávez

Presidente enfrenta complicações após cirurgia para retirada de um câncer - Marcelo Garcia/AP
Presidente enfrenta complicações após cirurgia para retirada de um câncer


CARACAS - Por causa das "novas complicações" no estado de saúde do presidente venezuelano Hugo Chávez, o escritório do prefeito de Caracas anunciou no Twitter que cancelou a comemoração anual de Ano-Novo na cidade, realizada tradicionalmente na icônica Plaza Bolívar. Em vez da festa, a mensagem da prefeitura encorajava "toda família a receber um ano novo com uma oração de fé e esperança pela saúde do presidente Chávez".

No domingo a noite, o vice-presidente do país, Nicolás Maduro, disse em um discurso pela televisão que o presidente venezuelano enfrenta "novas complicações" e permanece em estado "delicado", uma vez que se recupera de uma cirurgia para retirada de um câncer realizada em Cuba.

"Depois de 19 dias desde uma complexa cirurgia, o estado do presidente Hugo Chávez continua delicado, apresentando complicações que estão sendo tratadas, em um processo que não está isento de riscos", disse em tom sóbrio o vice-presidente Maduro, que recentemente foi indicado pelo líder como seu sucessor preferido.

Como Chávez luta contra uma infecção respiratória pós-operatória e permanece em uma "situação difícil", Maduro disse ontem que planejava ficar em Havana com o presidente e sua família "nas próximas horas" para ver como o estado de saúde de Chávez evoluiria. Maduro não deu mais detalhes sobre os novos problemas enfrentados pelo líder. As informações são da Dow Jones. 

FONTE: Estadão