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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Luto na saúde de Crateús: falece a agente de saúde Ana Joaquina

A Saúde de Crateús está de luto. Na noite desta quinta-feira (24), faleceu, em Fortaleza, a agente comunitária de saúde (ACS) Ana Joaquina Elias de França Rocha, que lutava há um ano contra um melanoma, o tipo mais perigoso de câncer de pele.

Residente na localidade de Arvoredo, onde atuava, Ana Joaquina, de 56 anos, lutou por cerca de 4 meses para que o governo Cid Gomes cumprisse decisão da Justiça Federal que obrigava a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) a dispensar-lhe gratuitamente o medicamento antineoplásico VEMURAFENIB (ZELBORAF), sua única chance de sobrevida e cuja dose diária custa cerca de mil reais.

Ana Joaquina ainda chegou a utilizar a medicação, comprada graças aos esforços de parentes e amigos, que realizaram campanha para arrecadação de recursos. Somente no último dia 15 de abril o governo do Estado finalmente repassou o medicamento à família, mas o médico que acompanhava Ana Joaquina suspendeu o tratamento com ZELBORAF, diante da piora do seu quadro clínico.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Brasil deverá registrar cerca de 580 mil casos de câncer em 2014

Devem surgir 576.580 novos casos de câncer no Brasil em 2014. A previsão é que o tumor de pele não melanoma, o mais frequente na população feminina e masculina, atinja 182 mil pessoas no próximo ano, equivalente a 31,5% do total. Depois deste, o que mais acomete homens é o câncer de próstata (68,8 mil), que responde por 33,7% da incidência nesse público quando se exclui o de pele. Em relação às mulheres, o segundo de maior ocorrência é o de mama (57,1 mil), responsável por 30% dos casos em relação aos demais tipos.
Os dados são da publicação Estimativa 2014 - Incidência de Câncer no Brasil, que foi apresentada nesta quarta-feira (27) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pelo coordenador de Prevenção e Vigilância do Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomas da Silva (INCA), Cláudio Noronha. As previsões de novos casos da doença, divulgadas a cada dois anos, servem de base para políticas públicas na área de oncologia.
“A estimativa só reforça que o câncer tem de ser uma prioridade em saúde pública, é uma doença que atualmente provoca quatro vezes mais mortes que os acidentes de trânsito. Por isso o esforço do Governo Federal em expandir a rede de assistência. Nos últimos anos, ampliamos em mais de 25% os investimentos no setor com objetivo de interiorizar cada vez mais o diagnóstico e tratamento para a doença”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 
O Coordenador de Prevenção e Vigilância do Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (INCA), Cláudio Noronha, alerta quanto aos fatores que influenciam no aumento da incidência da doença. “O número de casos cresce no Brasil seguindo uma tendência internacional e fortemente influenciada pelo envelhecimento da população. Além do envelhecimento, são fatores de risco importantes o tabagismo, que é responsável por aproximadamente um terço da ocorrência dos casos de câncer, o consumo de álcool, a alimentação, o controle do peso e a prática de atividade física”, destaca.
Com exceção do câncer de pele, a ocorrência de novos casos da doença no próximo ano será de 394.450, sendo 52% em homens e 48% em mulheres. Além do câncer de pele, próstata e mama, os mais comuns no país são intestino (33 mil), pulmão (27 mil) e estômago (20 mil).
Embora as previsões para o câncer seja de aumento do número de casos a cada ano, chama a atenção nos dados dos últimos anos no Brasil a tendência de queda do câncer de pulmão em homens e do câncer de colo do útero em mulheres, resultado das políticas de prevenção e diagnóstico precoce.
Na publicação elaborada pelo INCA, estão relacionados os 19 tipos de cânceres mais frequentes no Brasil. A previsão é de um maior número de novos casos no Sudeste (299.730 mil) e Sul (116.330). Na região Nordeste estimam-se 99.060 novos casos, seguida do Centro-Oeste (41.440) e do Norte (20.020).
O câncer atualmente é a segunda causa de morte no Brasil e no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Em 2011, 184.384 pessoas morreram por conta da doença no País.
Maior número de casos – A incidência de câncer em todo o mundo cresceu 20% na última década. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a expectativa para 2030 é de 27 milhões de novos casos e 17 milhões de óbitos. Os países em desenvolvimento serão os mais afetados, incluindo o Brasil. A doença é uma das grandes preocupações mundiais em políticas de saúde.
No caso do Brasil, a estimativa para 2014 é 11% maior que o total de novos casos esperados dois anos atrás (520 mil). Melhorias na quantidade e qualidade da base de dados podem ter interferido no índice, uma vez que o número é calculado com base nas taxas de mortalidade dos estados e capitais brasileiras. As taxas de incidência são obtidas nas 23 cidades onde existem Registros de Câncer de Base Populacional. As estimativas são válidas também para 2015.
O maior número de casos da doença no Brasil e no mundo está relacionado ao envelhecimento da população, às mudanças na alimentação, à pouca prática de exercícios físicos e ao hábito de fumar, entre outros fatores de risco. De forma geral, todos os tipos de câncer apresentam crescimento no número de casos com o passar do tempo.
Tendência de queda – Na contramão deste cenário, observa-se no Brasil nos últimos anos tendência de queda na incidência de câncer de pulmão em homens. Embora esse tipo da doença seja o terceiro mais frequente entre o público masculino, devendo atingir 16.400 pessoas do sexo masculino no próximo ano, a previsão já foi maior. A estimativa para 2010, por exemplo, era de 17.800 novos casos em homens.
O câncer de pulmão é o que mais fez vítimas no Brasil em 2011, quando foram registrados 22.426 óbitos. Cerca de 90% dos casos estão associados ao tabagismo e a tendência de queda em homens pode ser relacionada às políticas de redução do consumo de cigarro. O Brasil tem se destacado globalmente nas ações de combate ao fumo, com redução de 20% do número de adultos que fumam nos últimos seis anos. O índice de fumantes passou de 15% em 2006 para 12% em 2012. Em 1989, era 35%.
No caso das mulheres, a tendência de queda é em câncer de colo do útero, que deixou de ser o segundo mais frequente entre esse público passando para o terceiro lugar no ranking. A previsão para 2014 é de 15.590 novos casos da doença, sendo que em 2010 a estimativa era de 18.430.
A redução dos casos está associada ao maior acesso da população feminina brasileira ao exame preventivo (papanicolau), a cada ano cerca de 11 milhões de exames são feitos na rede pública de saúde. A partir de 2014, o SUS passará a oferecer vacina contra HPV, cujo vírus é responsável por 95% dos casos de câncer de colo do útero.
Depois do câncer de pele, este câncer apresenta maior percentual de prevenção e cura quando diagnosticado precocemente. O Ministério da Saúde preconiza que as mulheres de 25 a 64 anos façam o papanicolau anualmente. Se no intervalo de dois exames seguidos o resultado for normal, o exame é indicado a cada três anos.
FONTE: Agência Saúde

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Aprovado projeto que obriga plano de saúde custear medicamentos orais para tratamento de câncer

Os planos de saúde terão que arcar com os custos da quimioterapia para pacientes que optarem e tiver licença médica para o tratamento de câncer em casa. Um projeto de lei aprovado ontem (22) no Senado inclui no rol de coberturas obrigatórias para os seguros privados de saúde os medicamentos de tratamentos antineoplásicos de via oral, os procedimentos radioterápicos e a hemoterapia.
O repasse dos medicamentos poderá ser feito diretamente na residência, por meio de rede credenciada do plano ou ainda ao representante legal do paciente, desde que sem cobrança de qualquer custo adicional. O plano também poderá optar por entregar os remédios de maneira fracionada por ciclo, conforme prescrição médica.
Periodicamente, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e as sociedades médicas de especialistas em oncologia serão ouvidas sobre os protocolos clínicos aos quais a cobertura obrigatória de medicamentos para tratamento de câncer estará relacionada. Dessa forma, poderão ser acrescentados novos remédios ou retirados os que estiverem defasados. A princípio, serão incluídos 54 medicamentos para diversos tipos de câncer na cobertura obrigatória dos planos de saúde.
A senadora Ana Amélia (PP-RS), autora do projeto, comemorou a aprovação. “Hoje é o dia mais importante do meu mandato, porque está sendo concluído um processo que diz respeito a 1,1 milhão de pacientes portadores de câncer”, disse.
O projeto foi aprovado na forma de um substitutivo da Câmara dos Deputados. Ele segue agora para sanção da presidenta Dilma Rousseff. As novas regras começarão a valer 180 dias após a data de publicação da sanção.
FONTE: Agência Brasil

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Planos terão de cobrir 37 medicamentos para tratamento domiciliar de câncer

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) confirmou hoje (21) a inclusão de mais 87 procedimentos para beneficiários de planos de saúde individuais e coletivos que passam a valer a partir de janeiro de 2014. Pela primeira vez, ocorreu a inclusão de 37 medicamentos orais para o tratamento domiciliar de diferentes tipos de câncer. Outros 50 novos exames, consultas e cirurgias passam a fazer parte dos procedimentos que devem ser cobertos pelos planos.
Serão ofertados medicamentos para tratamento de tumores de grande incidência entre a população como os de estômago, fígado, intestino, rim, testículo, útero, ovário e mama. As propostas estavam em consulta pública, mas em maio o governo já havia decidido que estas mudanças seriam garantidas. Na época, os novos procedimentos eram 80, mas foram ampliados agora para 87. A lista de medicamentos também cresceu, passando de 36 para 37.
“Medicamento extra-hospitalar, principalmente para o câncer, passa a ser obrigatório para os planos de saúde. Medicamentos e procedimentos de assistência farmacêutica fora do hospital não eram obrigatórios para o plano de saúde. É uma mudança de paradigma para o que passa a ser obrigatório. E dá uma maior qualidade de vida ao paciente de câncer”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Foram incluídas no rol de procedimentos 28 cirurgias por videolaparoscopia, que é uma técnica menos invasiva, e a obrigatoriedade de fornecimento de bolsas coletoras intestinais ou urinárias para pacientes ostomizados. Além da inclusão de novos procedimentos, a ANS ampliou o uso de outros 44 procedimento já ofertados no rol da agência. Entre eles estão o exame de Pet Scan, que passa de três para oito indicações.
A ampliação beneficia 42,5 milhões de consumidores com plano de saúde de assistência médica e mais 18,7 milhões com planos exclusivamente odontológicos, de acordo com a ANS. Uma consulta pública foi feita pela agência para colher contribuições para a inclusão e ampliação do rol de procedimentos. Foram recebidas 7.340 contribuições e os consumidores foram responsáveis por 50% delas.
FONTE: Agência Brasil

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Justiça determina que SUS deve iniciar tratamento de câncer em 60 dias após o diagnóstico

A Justiça Federal determinou que o tempo máximo de espera para o início do tratamento de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é 60 dias após a data do diagnóstico da doença. A decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região anula artigo da Portaria nº 876 do Ministério da Saúde, que usava a inclusão do diagnóstico no registro do SUS como ponto de partida para a contagem do prazo.
Ricardo Salviano, defensor público federal autor da ação que ensejou a decisão, explica que depois do exame que traz o diagnóstico da doença, o paciente precisa marcar uma consulta para que um médico possa prescrever o tratamento, o que pode levar meses.
"A gente sabe a dificuldade que as pessoas têm de marcar uma consulta", disse. Salviano defende que a saúde das pessoas não pode ficar a mercê de questões burocráticas como a demora na marcação de consultas. A decisão determina que a data do resultado do exame é que vai ser o ponto de partida da contagem do prazo de 60 dias e não a consulta médica com a inclusão do diagnóstico no registro do SUS, como trazia a portaria.
A decisão mantém o texto original da Lei 12.732/2012 que está em vigor desde maio . Segundo Salviano, o legislador estabeleceu o lapso temporal de 60 dias para que o médico possa avaliar o laudo e indicar o tratamento dentro deste prazo.
O presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos, Gabriel Faria Oliveira, ressalta que o acesso à saúde é uma das principais demandas da Defensoria Pública da União (DPU) em todo país. Segundo ele, processos relacionados a pedidos de medicamentos de alto custo e diversos procedimentos médicos representam grande parte dos processos movidos nas unidades da DPU em todo país.
O descumprimento da lei pode submeter os gestores responsáveis a penalidades administrativas. O Defensoria Pública da União frisa que o paciente que verificar qualquer irregularidade pode procurar uma unidade para pedir ajuda.
FONTE: Agência Brasil

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Câncer: entra em vigor no dia 23 lei que garante início do tratamento em até 60 dias


Pacientes com câncer deverão iniciar o tratamento até 60 dias após o registro da doença no prontuário médico. A regulamentação da Lei 12.732/12, que determina o prazo, foi detalhada hoje (16) pelo Ministério da Saúde. A legislação entra em vigor no próximo dia 23. Na tentativa de auxiliar estados e municípios a gerir os serviços oncológicos da rede pública, a pasta anunciou a criação do Sistema de Informação do Câncer (Siscan).
software, disponível gratuitamente para as secretarias de Saúde esta semana vai reunir o histórico do paciente e do tratamento. “É um acompanhamento em tempo real do que acontece nos serviços de saúde”, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “[Isso] inaugura uma nova etapa no tratamento do câncer no país”, completou.
A previsão do governo é que, a partir de agosto, todos os registros de novos casos de câncer no país sejam feitos pelo Siscan. Segundo Padilha, estados e municípios que não implantarem o sistema até o fim do ano terão suspensos os repasses feitos para atendimento oncológico.
Outra medida anunciada trata da realização de visitas a hospitais que atendem via Sistema Único de Saúde (SUS) para avaliar as condições de funcionamento e a capacidade de ofertar atendimento oncológico com agilidade. Uma comissão de monitoramento e avaliação, de caráter permanente, deverá acompanhar o processo de implantação do Siscan e a execução de planos regionais de oncologia.
Por fim, o ministério informou que as unidades de Saúde que ofertam serviços de radioterapia serão estimuladas a adotar um terceiro turno de funcionamento, uma vez que o atendimento costuma ser feito apenas pela manhã e pela tarde. De acordo com o ministério, até o momento, 93 serviços demonstraram interesse em expandir o horário de funcionamento. Outra opção considerada pelo governo é a contratação de hospitais da rede privada para prestação de serviços ao SUS.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que aproximadamente 518 mil novos casos da doença devem ser registrados no Brasil este ano. A previsão é que 60.180 homens tenham câncer da próstata e 52,6 mil mulheres sejam diagnosticadas com câncer da mama.
Em 2010, o país registrou 179 mil mortes em decorrência da doença. O câncer dos brônquios e do pulmão foi o tipo que mais matou (21.779), seguido do câncer do estômago (13.402), de próstata (12.778), de mama (12.853) e de cólon (8.385).
FONTE: Agência Brasil

quarta-feira, 27 de março de 2013

SUS terá de fazer retirada e reconstrução da mama em cirurgia única


O Plenário do Senado aprovou na terça-feira (26) o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 3/2012, que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fazer cirurgia plástica reparadora imediatamente após a retirada da mama, em casos de câncer. A matéria vai à sanção presidencial.
A relatora da matéria, senadora Ana Amélia (PP-RS), lembrou que a proposta já havia sido aprovada por unanimidade na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). A medida, segundo ela, vai beneficiar sobretudo as mulheres mais pobres.
A aprovação do projeto, de autoria da deputada Rebecca Garcia (PP-AM), foi saudada também pelos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Waldemir Moka (PMDB-MS).
Na votação na CAS, há duas semanas, Ana Amélia considerou meritórios dois aspectos do projeto: a determinação da “imediata” reconstrução da mama e a preocupação em garantir que, na ausência de condições favoráveis para a cirurgia única, o ato seja realizado assim que estas forem alcançadas.
Atualmente, conforme frisou a senadora, as cirurgias são adiadas “indefinidamente” em muitas unidades do sistema público habilitadas para o procedimento. Por isso, para Ana Amélia, o projeto aperfeiçoa a legislação, ao concretizar um direito já previsto em lei, para que as mulheres possam contar com a reconstrução da mama em casos de mutilação devido ao câncer.
FONTE: Agência Senado

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Médicos pedem ampliação de uso de remédio anticancer no SUS


Médicos e entidades que atendem pacientes com câncer criticam a forma como o governo vai incorporar no SUS o trastuzumabe, droga útil a cerca de 20% das mulheres com câncer de mama.

Em julho, o Ministério da Saúde anunciou a oferta do remédio --usado em conjunto com a quimioterapia-- para o início de 2013, quando também será publicado o protocolo para uso da droga.

A proposta da pasta é oferecer o medicamento às pacientes em fase inicial ou avançada localmente, o que deixa de fora o grupo daquelas que tiveram metástase, ou seja, a disseminação do câncer para outros órgãos.

Enquanto o governo entende que, no caso de metástase, o impacto do remédio no tempo e na qualidade de vida é pequeno, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica diz que pode se falar em alguns anos de sobrevida.

Editoria de Arte/Folhapress

A entidade chegou a elaborar um boletim informativo em que contesta o ministério.

"A gente vê respostas extraordinárias. Paciente com muita metástase que, com o remédio, chega ter redução de até 90% [no tumor]. O governo tem que reconhecer o benefício do medicamento", afirma Anderson Silvestrini, presidente da sociedade.

Para Max Mano, chefe do grupo de câncer de mama do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de SP), é "remar contra a maré" não usar o trastuzumabe no caso metastático.

"Seria aceitável dizer que o benefício não justifica o investimento ou que não há dinheiro, mas não se pode dizer que não existe um benefício reconhecido", diz.

Outro receio dos médicos é que a compra, que agora passará a ser centralizada e não mais feita pelo serviço de saúde, gere problemas de distribuição e conservação.

O ministério avalia que vai gastar pouco menos de R$ 130 milhões por ano para ofertar o remédio nas duas situações definidas. E estima que abarcar as pacientes com metástase significaria praticamente dobrar esse valor inicial.

O país tem mais de 50 mil casos de câncer de mama a cada ano. Em 2010, foram 12.812 mortes pela doença.

IMPACTO JUDICIAL

Luciana Holtz, presidente do Oncoguia (instituto que atua na área), teme que um protocolo que exclua esse grupo tenha impacto nos juízes que, hoje, dão ganho de causa a pacientes com metástase. Ou que Estados que oferecem o remédio, como São Paulo, parem a distribuição.
Para o advogado Julius Conforti, especializado em saúde, a norma do ministério não deverá fechar a porta da Justiça às pacientes. Ele lamenta, porém, a chance perdida de reduzir as demandas judiciais pela oferta ampla.

Clarice Petramale, diretora da comissão do ministério que avaliou a incorporação do medicamento, diz que a decisão leva em conta evidências científicas, dados epidemiológicos e estatísticos.

"Se uma pessoa tem uma extensão maior de vida não é só pelo remédio. Podem existir outros motivos, como a doença não ser tão violenta."

Petramale diz que o protocolo que vai ser lançado poderá ser reavaliado. Por outro lado, ela garantiu a qualidade e rapidez da compra centralizada.

MELHORA

A assistente social Aparecida Velasco, 34, diz que usa o trastuzumabe desde que teve um câncer de mama em 2007, que reapareceu de forma severa no fígado (em 2011) e, em tamanho pequeno, no cérebro (no fim de 2012).

Recém-operada, Aparecida conta que ouviu do neurocirurgião que o último tumor era pequeno e operável porque ela vinha usando o trastuzumabe -que conseguiu pelo plano de saúde, sem necessidade de ir à Justiça.

Segundo ela, um ano depois da descoberta do câncer no fígado, depois da quimioterapia e do uso do trastuzumabe, ela tinha tido "uma resposta completa" no órgão, antes tomado pela doença.

Aparecida questiona a decisão do Ministério da Saúde de não oferecer o medicamento a pacientes que tenham uma história semelhante à dela.

"Você acha os dados que você procura. Se o governo fizesse uma pesquisa com pacientes da rede pública e privada, com certeza encontraria mais casos como o meu. Eu não sou uma exceção."

"Fiquei mal [quando descobri a primeira volta do câncer]. A primeira atitude do meu médico foi colocar os dois quimioterápicos junto com o trastuzumabe. A minha melhora foi surpreendente. Depois eu fiquei só com o trastuzumabe", conta.

FONTE: JOHANNA NUBLAT, da Folha de S. Paulo

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Caracas cancela comemoração de ano-novo após piora da saúde de Chávez

Presidente enfrenta complicações após cirurgia para retirada de um câncer - Marcelo Garcia/AP
Presidente enfrenta complicações após cirurgia para retirada de um câncer


CARACAS - Por causa das "novas complicações" no estado de saúde do presidente venezuelano Hugo Chávez, o escritório do prefeito de Caracas anunciou no Twitter que cancelou a comemoração anual de Ano-Novo na cidade, realizada tradicionalmente na icônica Plaza Bolívar. Em vez da festa, a mensagem da prefeitura encorajava "toda família a receber um ano novo com uma oração de fé e esperança pela saúde do presidente Chávez".

No domingo a noite, o vice-presidente do país, Nicolás Maduro, disse em um discurso pela televisão que o presidente venezuelano enfrenta "novas complicações" e permanece em estado "delicado", uma vez que se recupera de uma cirurgia para retirada de um câncer realizada em Cuba.

"Depois de 19 dias desde uma complexa cirurgia, o estado do presidente Hugo Chávez continua delicado, apresentando complicações que estão sendo tratadas, em um processo que não está isento de riscos", disse em tom sóbrio o vice-presidente Maduro, que recentemente foi indicado pelo líder como seu sucessor preferido.

Como Chávez luta contra uma infecção respiratória pós-operatória e permanece em uma "situação difícil", Maduro disse ontem que planejava ficar em Havana com o presidente e sua família "nas próximas horas" para ver como o estado de saúde de Chávez evoluiria. Maduro não deu mais detalhes sobre os novos problemas enfrentados pelo líder. As informações são da Dow Jones. 

FONTE: Estadão

sábado, 29 de dezembro de 2012

SUS terá 11 novas terapias para câncer


Governo lança medidas para remodelar o tratamento na rede pública; hospitais receberão gratificação por número de cirurgias feitas


O Ministério da Saúde lançou um pacote de medidas para remodelar o tratamento de pacientes com câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A lista de procedimentos foi atualizada, com a inclusão de 11 terapias, readequação de 20 e exclusão de 9, consideradas obsoletas. Além da revisão dos procedimentos, o ministério criou uma gratificação para incentivar hospitais a fazer mais cirurgias.
"O País dispõe de centros com capacidade para aumentar o número de atendimentos com a infraestrutura existente", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O incentivo será dado para hospitais classificados com porte A e B, que realizam, respectivamente, mais de 1,6 mil cirurgias para tratamento de pacientes com câncer por ano.
Aqueles que superarem a meta receberão um acréscimo de 20% nos valores pagos pelos procedimentos. "A ideia é que centros ganhem em escala. Muitos podem perfeitamente trabalhar em três turnos, realizando, por exemplo, cirurgias ou quimioterapia à noite para pacientes internados", completou Padilha.
A estratégia começou a ser estudada no início do ano por uma equipe do ministério, integrantes do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e representantes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. "O objetivo é reduzir ao máximo a espera para o início do tratamento de câncer", disse o ministro.
Além de aproveitar a capacidade já instalada dos centros, Padilha disse ser necessária a criação de pontos de atendimento em áreas onde hoje a oferta ainda é deficiente. "Precisamos reduzir as desigualdades. Para criação de novos serviços, é preciso também garantir profissionais."
O ministro conta que a partir de 2013 uma nova dinâmica para discussão do atendimento de pacientes com câncer será adotada. A ideia é fazer reuniões periódicas com direção de hospitais e representantes de Estados e municípios onde serviços funcionam para avaliar as necessidades, criar estímulos e, se necessário, reorganizar o atendimento.
Fragilidades. O grupo formado no início do ano identificou duas fragilidades no atendimento: a oferta de serviços de radioterapia e cirurgias.
Numa primeira etapa, o governo anunciou a expansão dos centros de radioterapia. A meta é ter, até 2014, 80 centros de atendimento. Além dos serviços públicos, o governo autorizou a realização de tratamentos radioterápicos em serviços especializados particulares conveniados com o SUS.
"Novos centros foram credenciados, sobretudo nas Regiões Norte e Nordeste", disse o ministro. A meta agora é melhorar a oferta de cirurgias. "Além da incorporação de novas técnicas, decidimos reajustar as tabelas."
Entre as novas cirurgias, cinco são de cabeça e pescoço. O valor da internação para quimioterapia em pacientes com leucemias também foi ampliado em três vezes. O valor passará de R$ 167 para R$ 562. Pelos cálculos do governo, isso vai representar um aumento de R$ 25,2 milhões no orçamento de quimioterapia. Ao todo, serão reservados para o tratamento R$ 39,4 milhões.
A revisão nos valores das cirurgias também trará um impacto significativo. A expectativa é de que, para financiar os 121 procedimentos existentes, o orçamento reservado para cirurgias oncológicas passe de R$ 172,1 milhões para R$ 380,3 milhões.
FONTE: Estadão