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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Falta feijão para o Programa Hora de Plantar

A seca provocou menor oferta dos grãos para aquisição pelo Governo do Estado, por meio do programa público

Está faltando sementes de feijão para a maioria dos agricultores cadastrados no Programa Hora de Plantar, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA). O motivo é pouca oferta do produto em decorrência da seca do último ano. Além do feijão, a maniva usada para o cultivo de mandioca também está escassa. Em alguns municípios, já teve início a distribuição das sementes pelo governo.

Produtores no Interior do Estado amargaram perdas no cultivo de feijão, devido à escassez de chuvas. Isto prejudicou a formação do estoque de sementes para distribuição junto aos agricultores cadastrados FOTO: CID BARBOSA

A seca do último ano prejudicou o estoque de sementes principalmente de feijão, segundo afirmou o coordenador de Desenvolvimento da Agricultura Familiar da SDA, Itamar Lemos. De acordo com ele, muitos produtores de sementes voltaram sua produção para o consumo, já que o feijão praticamente desapareceu das pequenas lavouras. Isso teria elevado o aumento do preço do produto. Daí a dificuldade para o Estado adquirir o grão a ser distribuído entre os pequenos agricultores.

"Nosso maior problema tem sido o feijão, onde nós só conseguimos 30% do que queríamos comprar. O preço do quilo para o consumo ano passado estava a R$ 7,00, então isso desestimulou a produção de sementes para o plantio", lamenta.

Com relação à maniva, Lemos afirma que os preços também se elevaram devido ao baixo estoque. "O pouco que tem os produtores estão vendendo a preços muito altos e não há como o Estado competir. O metro cúbico de maniva era vendido a R$ 55,00. Tem produtor comprando a um preço de R$ 120,00 a R$ 170,00, e não temos condições devido ao nosso orçamento ser limitado", reclama.

Além do baixo estoque, o governo disponibilizou R$ 16 milhões para a compra das sementes. Lemos afirma que o valor é insuficiente para atender à grande demanda. "Esse valor foi o mesmo disponibilizado no ano passado mas, neste ano, porque estamos saindo de um ano de seca, a demanda aumentou. Há locais onde não haverá disponibilidade de feijão e maniva para o cultivo", lamenta.

Em 2012, o Programa Hora de Plantar disponibilizou 500 toneladas de feijão e 12 mil metros cúbicos de maniva para distribuir entre os agricultores cadastrados em todo o Estado. A demanda atendeu cerca de 140 mil beneficiários. Porém, neste ano, o número será reduzido, já que, devido à baixa disponibilidade de algumas sementes, estarão disponíveis aos produtores somente 150 toneladas de feijão e três mil metros cúbicos de maniva, número muito abaixo do esperado pelos produtores.

A procura por outras sementes foi satisfatória. O Programa conseguiu adquirir 3.100 toneladas de milho, 160 toneladas de mamona, 420 mil mudas de cajueiro anão precoce, 3 mil metros cúbicos de palma forrageira, dentre outras.

Algumas regiões já estão recebendo as sementes para serem distribuídas. Segundo afirmou o gerente do escritório regional da Ematerce em Russas, Tarcísio Paiva, as sementes serão distribuídas na próxima terça-feira. "Infelizmente, devido a esses problemas, não vamos conseguir atender a todos, mas estaremos disponibilizando o milho, sorgo forrageira, mudas de caju anão precoce e feijão guandu em pouca quantidade", explica.

Segundo ele, estão cadastrados no programa cerca de 3 mil pessoas só em Russas. O gerente alerta para que os agricultores compareçam cedo, afim de garantir as sementes.

De acordo com o secretário de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Ceará (Fetraece), Luiz Carlos Ribeiro de Lima, o problema é visto com muita preocupação pela entidade. "Ano passado já foi um ano muito difícil para a agricultura devido à seca. Neste ano, ainda estamos sofrendo consequências da falta de chuvas. O agricultor que quer aproveitar esse período de chuvas para plantar vai encontrar muitas dificuldades", lamenta o sindicalista.

Luiz Carlos orienta para os presidentes de associação e sindicatos alertarem os agricultores cadastrados, para que eles busquem receber as sementes junto à Ematerce. "Ano passado, tivemos um grande problema de agricultores que não estavam cadastrados no programa e que receberam as sementes", afirma. Segundo ele, devido à baixa oferta, os produtores devem ficar atentos às datas de distribuição.

FONTE: ELLEN FREITAS, colaboradora do Diário do Nordeste

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Ceará tem menos de um médico para cada mil habitantes

Estudo divulgado pelo CFM apontou que 78% dos profissionais registrados ainda se concentram nas capitais

Apesar dos 9.953 médicos registrados no Estado, estudo divulgado, ontem, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) denúncia: ainda faltam profissionais para atender à grande demanda, principalmente na Atenção Básica. O Ceará tem menos de um médico para cada mil habitantes; a razão é de 0,75 no Sistema Único de Saúde (SUS), a quarta pior colocação do País.

A pesquisa ´Demografia Médica do Brasil´ revela que 64% (6.461) estão na rede pública. Enquanto Fortaleza tem uma taxa de 3,16 médicos para cada mil habitantes, no Interior a situação é pior, de 0,003 FOTO: KID JÚNIOR

A ´Demografia Médica do Brasil´ revela que 64% (6.461) estão na rede pública. Mas onde, em que especialidades? Na matemática cearense, a problemática é a centralização nos grandes hospitais e carência nos postos de saúde e no Programa Saúde da Família (PSF), locais em que a população tem demandado e necessita.

E para agravar o cenário, a maioria dos médicos está ainda concentrada na Capital (7.821), 78% deles. Enquanto Fortaleza tem uma taxa de 3,16 médicos para cada mil habitantes, no Interior a situação é pior, de 0,003. Levando em consideração rede pública e privada, a taxa de cobertura cearense é de 1,16, ficando abaixo da média nacional de 2. O País já soma mais de 388 mil médicos no CFM.

Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec), Ivan Moura Fé, é preciso enfrentar esse dilema - se faltam ou não médicos - e pensar sim na universalização.

"Até que existem profissionais, problema é que estão todos centralizados em determinados locais e em algumas residências. O SUS é o que mais tem sofrido com essa precarização", afirma.

Mas, a realidade do Ceará não é diferente dos demais estados. Número de médicos nas capitais chega a ser quatro vezes maior que no Interior dos estados. E muitas são as nuances do problema, detalha o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), José Maria Pontes.

Investimento

Para ele, há que se pensar também no financiamento da saúde como um todo, na falta de investimento na atenção básica e também nos Programas de Saúde da Família (PSF). Daí a população reclamar tanto da ausência deles. É preciso se valorizar mais os profissionais, abrir novos concursos, melhorar a remuneração, formalizar um plano de carreiras, garantir boa estrutura física, criar atrativos para que eles se mantenham na profissão e colaborem, principalmente, com o SUS. "Não basta só ficar abrindo um monte de grandes hospitais e fazer propaganda deles", diz.

Conforme o sindicato, os valores pagos no SUS ainda estão bem inferiores que em demais trabalhos privados ou nas carreiras liberais. "O ideal é que se pagasse, pelo menos, R$ 10 mil para a carreira de 20 horas, mas tem prefeitura que só está pagando R$ 2,5 mil de salário base. Isso, aliado à falta de qualidade nas unidades, desestimula muito", afirma José Maria Pontes.

Para o médico Ramom Rawache, a quantidade de profissionais no Ceará (1,16 para cada mil habitantes) parece estar suficiente - maior que a recomendação de 1,00 da Organização Mundial de Saúde -, a questão seria como valorizar e incrementar mais essas equipes deficitárias nos postos de saúde e do PSF, por exemplo, na Capital.

"Termos mais médicos na atenção primária garantiria o melhor acesso e faria com que a gente tivesse uma medicina mais preventiva. O modelo que se tem hoje trata mais as complicações que as doenças em si", detalha Rawache. Para ele, é desestimulador a situação precária de algumas unidades básicas, falta não só médico, como medicamentos e utensílios básicos.

Qualidade

"Os salários ruins também agravam a situação. Os médicos acabam tendo que trabalhar muito e ficam sem qualidade de vida", desabafa. Ele é um dos muitos que chegam a acumular quatro empregos, mais de 14 horas seguidas de trabalho e esforço.

A titular da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Socorro Martins, concorda com muitas das críticas feitas e reforça: não faltam médicos, mas sim melhores salários e estrutura física.

"A precarização e os baixos salários são realidades sim. Não podemos negar. Estamos aguardando os resultados do Programa de Valorização da Atenção Básica com 127 vagas e tentando abrir novos concursos", diz. Um outro problema, segundo ela, é também o pouco tempo (20h semanais) que esse médico se dedica ao SUS, por exemplo.

O secretário da Saúde do Estado, Arruda Bastos, reconhece a realidade crítica dessa centralização de médicos na Capital, mas conta que muito já tem sido feito. "Estamos abrindo bons hospitais e cursos de residência no Interior. Isso está fazendo a diferença", finaliza Bastos.

SAIBA MAIS

Mapa dos médicos:

- Brasil tem 388.015 profissionais, taxa de 2 médicos por mil habitantes
- A taxa de médicos por habitantes no Sistema Único de Saúde (SUS) é a metade da taxa apresentada no País
- Ceará possui 9.953 médicos, uma taxa de 1,16 por mil habitantes, a sétima pior posição do País
- 78% dos médicos estão registrados em Fortaleza, total de 7.821, uma razão de 3,1 por cada mil habitantes
- 22% dos médicos estão registrados no Interior, um total de 2.132 uma razão de 0,03 profissionais por cada mil habitantes
- 64% dos médicos atendem pelo SUS, um total de 6.461 uma razão de 0,75 médicos
-No Ceará, 168 profissionais atuantes tiveram formação no exterior, 54% deles estão no Interior e 45% em Fortaleza
- Com relação ao sexo, o CRM tem observado crescimento de mulheres. No Estado do Ceará, há 6.182 homens e 3.999 mulheres. No ano passado, um total de 438 médicos, além de 399 médicas, se inscreveu no CRM.

FONTE: IVNA GIRÃO, repórter do Diário do Nordeste

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sudeste concentra duas vezes mais médicos que o Norte




O Brasil tem atualmente dois médicos para cada mil habitantes, de acordo com pesquisa divulgada hoje (18) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O Sudeste lidera o ranking com 2,67 profissionais por mil habitantes, seguido pelo Sul, com 2,09, e pelo Centro-Oeste, com 2,05. Já no Nordeste, o índice é 1,23 e no Norte, 1,01.


O estudo Demografia Médica no Brasil 2: Cenários e Indicadores de Distribuição aponta que a distribuição desigual de profissionais de saúde pode ser observada também entre as unidades da Federação. O Distrito Federal (DF) lidera o ranking com 4,09 médicos por mil habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro (3,62), por São Paulo (2,64), pelo Rio Grande do Sul (2,37), pelo Espírito Santo (2,17) e por Minas Gerais (2,04).
Dados mostram que mais de 388 mil profissionais de saúde atuavam no país até outubro de 2012. De 1970, quando existiam 58.994 médicos no país, ao último trimestre do ano passado, o número cresceu 557,72%. O percentual é quase seis vezes maior em comparação ao do crescimento da população brasileira que, em cinco décadas, aumentou 101,84%.
De acordo com o professor da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pelo estudo, Mario Scheffer, o país nunca teve tantos médicos em atividade em razão de fatores como a abertura de cursos de medicina, o aumento de novos registros (mais de 4% ao ano) e a maior longevidade profissional.
“O Brasil é um país de médicos jovens. A idade média é 46 anos, sendo que mais de 40% deles têm menos de 40 anos. Com isso, eles ficam cada vez mais anos trabalhando na profissão, o que amplia o contingente de médicos à disposição”, disse. “Mas o aumento persistente do efetivo médico não beneficiou de maneira homogênea todos os cidadãos brasileiros”, completou.
A expectativa, segundo Scheffer, é que o país alcance um total de 400 mil profissionais de saúde este ano, sendo que 55,5% atuam no Sistema Único de Saúde (SUS). “Consideramos uma presença insuficiente para um sistema universal. Precisamos definir como deslocar os médicos que estão em outras estruturas para trabalhar no SUS”, concluiu.
FONTE: Paula Laboissière, repórter da Agência Brasil