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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Gestantes devem ficar atentas ao consumo excessivo de iodo

Um estudo feito na Universidade de São Paulo (USP) mostrou que o consumo excessivo de iodo durante a gravidez e lactação pode tornar os filhos mais propensos a sofrer de hipotireoidismo quando adultos. O estudo foi feito com ratas e faz parte do projeto de pós-doutorado de Caroline Serrano do Nascimento. O iodo é um nutriente essencial para o ser humano, usado na síntese dos hormônios da tireoide T3 e T4, necessários para regular o metabolismo e auxiliar no funcionamento correto de todos os órgãos.
De acordo com Caroline, a deficiência de iodo pode causar um aumento da glândula tireoide e durante a gestação danos cerebrais em crianças, porque os hormônios dessa glândula também são alguns dos responsáveis pelo desenvolvimento do sistema nervoso central. “Mas ao mesmo tempo, o consumo maior do que a dose diária recomendada (150 microgramas) pode prejudicar o ser humano, por isso a dose de iodo no sal passou para 20 a 60 miligramas por quilo no Brasil. Esse é o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para populações que consomem até dez gramas de sal por dia”.
Caroline explicou que a pesquisa avalia os ratos filhos de mães que passaram pela superdosagem de iodo, na vida adulta para ver se houve algum tipo de alteração. “Uma série de genes tiroidianos relacionados com a síntese de hormônios da tireoide estão diminuídos nesses animais. Isso quer dizer que a prole pode estar mais exposta a desenvolver o hipotireoidismo quando a mãe ingere excesso de iodo [durante a gestação]”.
Ela disse também que no primeiro trimestre da gestação, o feto é totalmente dependente dos hormônios tireoidianos produzidos pela mãe e qualquer alteração na síntese hormonal nessa fase pode causar consequências graves para o desenvolvimento fetal. Após o segundo trimestre, o bebê já tem sua própria tireoide desenvolvida, mas ainda depende do aporte de iodo da mãe, que é feito pela placenta.
Para fazer o estudo a pesquisadora ofereceu água com uma dose de iodo cinco vezes maior que a recomendada para as ratas desde o início da gestação até o fim da lactação, o que seria o equivalente a ingerir o iodo contido em 12 gramas de sal. Outro grupo ingeriu a quantidade considerada ideal. “Após o desmame, aos 21 dias de idade, as proles dos dois grupos passaram a receber ração e água com quantidades ideais de iodo. Aos 90 dias de idade, constatamos que os filhotes das ratas submetidas à sobrecarga do mineral haviam desenvolvido hipotireoidismo, enquanto os do grupo controle estavam com a tireoide saudável”.
O próximo passo, segundo a pesquisadora, é descobrir em que momento da gestação ou da lactação esse excesso de iodo é mais prejudicial. Caroline ressaltou que mesmo conhecendo os efeitos nocivos do excesso de iodo não é possível eliminá-lo do sal e sim investir em políticas públicas para reduzir o consumo do sal pela população, evitando não só os riscos de doenças na tireoide como de doenças cardiovasculares.
FONTE: Agência Brasil

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Durante a gravidez, cuidado com uso de remédios deve ser redobrado

Medicamentos que fazem bem para a gestante podem oferecer sérios riscos para a saúde do bebê em desenvolvimento. Nenhum remédio deve ser consumido pela mulher sem a orientação do profissional de saúde. Até aspirina pode fazer mal.

Quando foi lançada, no final dos anos 50, a talidomida logo conquistou grávidas no mundo inteiro. Os comprimidos eram extraordinariamente eficazes contra os enjoos matinais típicos dos primeiros meses da gestação. Iniciava-se a maior tragédia da história da medicina. Em vários países, o Brasil incluído, mulheres dariam à luz bebês deformados — com braços e pernas encurtados ou simplesmente sem braços e pernas. A talidomida havia sido posta à venda sem que os efeitos sobre o feto fossem conhecidos. O remédio foi banido das farmácias no início dos anos 60. Já era tarde. Estima-se em até 15 mil o número de bebês que nasceram com as malformações físicas da talidomida.
Até então, tinha-se a ideia de que a placenta funcionava como um escudo que protegia o feto das substâncias nocivas ingeridas pela mãe. O episódio da talidomida serviu para ensinar aos laboratórios farmacêuticos, aos cientistas e aos médicos que remédios que fazem bem para a mulher podem ser fatais para o bebê em formação.
Os medicamentos percorrem o mesmo caminho dos nutrientes para chegar ao sangue do feto. O problema é que, ao contrário da mãe, o bebê no útero ainda não tem capacidade de metabolizar corretamente as drogas. A amarga lição deixada pela talidomida vale até hoje, apesar de todos os avanços da medicina: uma grávida não deve tomar nenhum remédio — absolutamente nenhum — sem antes consultar o profissional responsável pelo pré-natal.
Drogas vetadas
O ibuprofeno, um dos anti-inflamatórios mais populares do mercado, pode desencadear aborto espontâneo. O captopril, que controla a hipertensão, pode matar o bebê por falência renal. O antibiótico tetraciclina pode deformar os ossos do feto e deixar os dentes com manchas acinzentadas. O lítio, usado no tratamento do transtorno bipolar, pode provocar defeitos no coração.
Até mesmo a aparentemente inofensiva aspirina, que é vendida sem receita médica, oferece riscos — pode prolongar a gravidez e causar hemorragia na mãe e na criança. Como alternativa segura à aspirina, os médicos receitam o paracetamol e a dipirona.
Outra droga vetada para as grávidas é a isotretinoína (princípio ativo do Roacutan). Trata-se do mais potente dos remédios contra a acne. Ao ultrapassar a placenta e chegar ao organismo do bebê, pode provocar falhas nas orelhas, problemas de audição e visão, deficiência mental e defeitos no coração capazes de levar à morte. A mulher só consegue comprar a isotretinoína depois de assinar um documento em que atesta estar ciente dos riscos para o feto e da necessidade de usar simultaneamente dois métodos contraceptivos (a camisinha e a pílula, por exemplo) para não engravidar durante o tratamento.
"Os remédios não são inofensivos. Pelas pessoas em geral, devem ser utilizados com bastante cautela, sempre sob orientação médica. Durante a gravidez, os cuidados precisam ser redobrados", afirma Helaine Milanez, médica e professora de Obstetrícia da Unicamp.
Na grande maioria dos medicamentos, ao contrário dos exemplos enumerados acima, não se conhecem com precisão os efeitos colaterais no bebê. Os experimentos costumam ser feitos com ratas ou macacas prenhes e os resultados nem sempre são os mesmos nos humanos. Os testes nunca são feitos com mulheres grávidas devido aos perigos para o desenvolvimento do feto. ­

Os efeitos colaterais vão sendo descobertos aos poucos, à medida que são relatados aos laboratórios farmacêuticos e às autoridades sanitárias pelas mulheres que inadvertidamente tomaram os remédios na gravidez.

Pelas contas dos médicos, 3% das malformações congênitas são provocadas pelos medicamentos.
"Os riscos dos remédios durante a gravidez precisam ser explicados à grávida pelo médico obstetra logo na primeira consulta do pré-natal. Isso é particularmente essencial no Brasil, onde ainda temos o perigoso hábito da automedicação", diz o médico José Mauro Madi, integrante da Comissão de Assistência Pré-Natal da Febrasgo (entidade dos ginecologistas e obstetras).
Os especialistas dizem que nem sequer os remédios fitoterápicos (feitos à base de ervas), os homeopáticos e os florais podem ser consumidos durante a gestação sem orientação médica. Tampouco as vacinas devem ser tomadas por conta própria. Certos produtos para os cabelos (como os que contêm amônia) e para o rosto (como os compostos de ácido retinoico) estão terminantemente proibidos na gravidez.
Há, naturalmente, casos em que a grávida não pode ficar sem remédio. A diabética que não toma os remédios na gestação, por exemplo, tem um elevado risco de sofrer aborto e dar à luz um bebê morto. Quem sofre de hipertensão ou asma também não pode ficar sem tratamento, para o bem do feto. Em situações do tipo, o médico busca o remédio que, dentro do possível, ofereça o menor risco para o bebê em formação.

Rastros da talidomida
Passados 50 anos do traumático episódio, a talidomida ainda deixa rastros no mundo. Muitos dos bebês sobreviveram e hoje são adultos que convivem com as sequelas.
Todos os meses, cerca de 200 brasileiros vítimas da talidomida recebem do governo uma pensão especial, instituída em 1982. Em 2010, criou-se uma indenização por danos morais. É uma espécie de reconhecimento de que as autoridades sanitárias do país falharam ao permitir que a droga fosse utilizada livremente pela população. O valor vai de R$ 50 mil a R$ 400 mil, de acordo com o grau da incapacidade física. A indenização foi criada a partir de um projeto de lei apresentado em 2006 pelo então senador Tião Viana (PT-AC).
O Senado estuda um projeto de Paulo Paim (PT-RS) que permite ao portador da síndrome da talidomida aposentar-se após 20 anos de contribuição, não importando que idade tenha (PLS 512/2011 — Complementar).
Pouco tempo após o banimento mundial, descobriu-se que a talidomida era capaz de aliviar as dores de pacientes de hanseníase, lúpus e certos tipos de câncer. O remédio voltou a circular.
No Brasil, para que o erro do passado não se repita, a talidomida é fabricada por um único laboratório público e não pode ser vendida em farmácias. A distribuição é feita nos postos de saúde públicos, sob rígido controle. Ainda assim, há casos em que os comprimidos inadvertidamente acabam parando nas mãos de mulheres grávidas. Em 2007, ao menos dois bebês nasceram no país sem braços e pernas.
FONTE: Agência Senado

sexta-feira, 29 de março de 2013

Número de partos prematuros registrados no Ceará dobra


Em 2005, 5,4% dos partos foram prematuros. No ano passado, a quantidade passou para 12,4%

A falta de um pré-natal correto e o uso de drogas estão entre os fatores que contribuem para a prematuridade. De acordo com o diretor do Hospital César Cals, Eliezer Arraes, também há carência de assistência no planejamento familiar Foto: Alex Costa

Engravidar é uma decisão que vem sendo tomada cada vez mais tarde pelas mulheres. Seja por motivos profissionais, afetivos ou financeiros, o fato é que elas estão adiando o momento da maternidade. Um dos reflexos desse novo comportamento está nas estatísticas, que apontam que houve uma redução do número de partos no Ceará.

Em 2005, foram 140.035 em todo o Estado, enquanto no ano passado, caiu para 124.040. Em contrapartida, o número de partos prematuros (antes de 37 semanas de gestação) no igual período praticamente dobrou. Passou de 7.584 (5,4%) em 2005, para 14.503 (11,7%) em 2012. Na Capital, o cenário é semelhante. Dos 38.905 partos que ocorreram em 2005, 6,4% (2.499) foram prematuros. Já em 2012, dos 34.427 registrados, 12,4% (4.263) foram prematuros, conforme a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).

Os índices são significativamente superiores aos nacionais. De acordo com o Ministério da Saúde, a prevalência de prematuridade no Brasil tem apresentado discreto aumento, passando de 6,7% em 2000, para 7,1% em 2010, o que corresponde a 204.299 nascidos vivos com menos de 37 semanas de gestação.

De acordo com estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 15 milhões de bebês nascem de forma prematura a cada ano no mundo. Mesmo em países desenvolvidos como Estados Unidos, Austrália, Japão e Canadá, as tendências ainda são ascendentes.

Como teve começo de eclâmpsia (pressão alta na gestação), a agricultora Ana Gislene Barroso da Silva, 30 anos, do município de Ocara, situado a 101 Km de Fortaleza, acabou tendo o seu filho com 28 semanas (6 meses de gestação). Por conta disso, o procedimento teve de ser realizado no Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), na Capital. Ela ocupa um dos 21 leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para prematuros da unidade.

Eliezer Arraes, diretor do Hospital César Cals comenta que, como a maioria dos municípios cearenses não estão capacitados para receber prematuros, grande parte vem para Fortaleza. Vários fatores contribuem para a prematuridade, dentre eles o parto em adolescentes e em mulheres acima de 35 anos.

No Ceará, chama atenção o alto índice de partos em adolescentes. Foram 25.996 no ano passado, o que corresponde a 21% dos nascidos vivos entre adolescentes (32.174). Enquanto, em Fortaleza, foram 6.727, o que representa 18% do total, segundo dados da Sesa.

Dentre os outros fatores que contribuem para a prematuridade, acrescenta Arraes, está o uso de drogas e o fato de a mulher não se cuidar, fazendo o pré-natal corretamente. "Não existe uma explicação muito científica para isso, parte de fatores como esses que citei", explica o diretor do César Cals. Para ele, falta assistência no planejamento familiar. "Não é muito comum do brasileiro programar a gravidez, por isso, grande parte das gestações ocorre de maneira inesperada. Se os jovens tivessem mais acesso à informação, diminuiria o risco de gravidez".

Cesáreos

Zenilda Bruno, médica obstetra e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), afirma que esse aumento do número de partos prematuros se deve à maior incidência de partos cesáreos no Estado e, também, porque muitos desses partos são de gemelares (gêmeos). 

A alta incidência de infecção tanto urinária quanto vaginal é outro fator que contribui para o aumento de prematuros. Tem ainda a ocorrência de pressão alta na gravidez, principalmente em decorrência da má nutrição. "A prematuridade sempre aconteceu, mas porque a mulher não fazia o pré-natal. Hoje, a gente sabe que ela faz, mas nem sempre corretamente, até o fim".

Para evitar uma gravidez de risco, a especialista ressalta que a idade ideal para a mulher engravidar é dos 20 aos 30 anos. "O risco existe quando a mulher passa dos 30 anos, principalmente depois dos 35 anos. Existe ainda o risco de engravidar antes dos 18 anos, o que também contribui para a prematuridade", salienta. Zenilda afirma que a gravidez na adolescência vem diminuindo, mas muito lentamente.

Desde 2003, a gravidez entre as mulheres de 10 a 19 anos vem caindo. Passou de 673.045 em 2003, para 552.630 em 2010. A redução, segundo o Ministério da Saúde, está diretamente associada à ampliação do acesso a métodos contraceptivos na rede pública e farmácias conveniadas das farmácias populares, bem como ao fortalecimento das ações de planejamento familiar.

FONTE: Luana Lima, repórter do Diário do Nordeste

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Gravidez no aviso prévio dá direito a estabilidade, diz TST




O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu, no início deste mês, que a gravidez ocorrida no período de aviso prévio, ainda que indenizado, garante à trabalhadora a estabilidade provisória no emprego. A decisão unânime da Terceira Turma do TST dá à gestante o direito ao pagamento dos salários e da indenização.
Em processo analisado na Corte, uma trabalhadora que ficou grávida no período do aviso prévio conseguiu o direito de receber os salários e demais direitos correspondentes ao período da garantia provisória de emprego assegurada à gestante. A Terceira Turma deu provimento ao seu recurso e reformou as decisões das instâncias anteriores.
De acordo com a Constituição Federal, o período de garantia provisória de emprego assegurada às mulheres grávidas é cinco meses após o parto.
Após duas decisões negativas na Justiça, a trabalhadora recorreu ao TST. O relator do processo, ministro Maurício Godinho Delgado, destacou que a data de saída a ser anotada na Carteira de Trabalho deve corresponder à do término do prazo do aviso prévio, ainda que indenizado e entendeu que a estabilidade estava configurada. Entretanto, apesar da decisão favorável à gestante, não foi assegurada a reintegração ao trabalho.
O voto do ministro relator foi acompanhado pelos demais ministros da Terceira Turma. A empresa ainda pode recorrer da decisão do TST.

FONTE: Heloisa Cristaldo, repórter da Agência Brasil