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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Desempenho de atletas em 2016 é prioridade do Ministério do Esporte

O Ministério do Esporte define como prioritários os resultados dos atletas brasileiros nas Olimpíadas de 2016. “Hoje a gente tem um foco, que é a participação do Brasil nos Jogos Olímpicos de 2016. Depois de vários estudos, foi estabelecido que é possível atingir uma meta de estar entre os dez primeiros nos Jogos e entre os cinco primeiros nos Jogos Paralímpicos”, disse Ricardo Fonseca, coordenador-geral de Excelência Esportiva da Secretaria Nacional do Esporte.
Fonseca disse, no entanto, que o governo, por meio do Plano Brasil Medalhas, fará um trabalho com os atletas amadores e que as Olimpíadas do Rio de Janeiro devem ser o ponto de partida para uma reformulação no esporte brasileiro. “É óbvio que, neste momento, a gente tem foco nos Jogos Olímpicos e a base fica um pouco deixada de lado, mas a intenção do governo federal é que 2016 seja o início. Então, a partir daí, com o plano, fortalecer e dar caminhos, definir papéis e as responsabilidades da base de cada modalidade”.
O representante do ministério participou na tarde desta quarta-feira (5) de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, promovida pela Comissão de Turismo e Desporto, representando o ministro Aldo Rebelo. Também presente na audiência, a ex-atleta Carmem de Oliveira, ex-corredora de longa distância, contou um pouco de sua história e lamentou a falta de visão das autoridades ao objetivar, prioritariamente, o resultado.
“Nós aprendemos a desprezar certos resultados se não forem o primeiro, se não figurarem entre os melhores. Existem certos momentos, quando estamos próximos de um grande resultado, de um grande evento, em que nos sentimos sozinhos, que chegamos a pensar que estamos ali por puro desejo nosso. Passei a minha vida toda buscando e choramingando patrocínio”.
Carmem questionou também a falta de apoio aos atletas da base. “Estou observando as meninas que estão buscando resultados. Volta e meia, largam o foco de representatividade do país para comer, para ganhar um trocado em uma corrida de rua. E é nessa estrutura que eu vivi há 20 anos”.
Para uma reformulação na formação dos atletas, Fonseca defende o aperfeiçoamento do modelo, segundo ele, já praticado no país, onde a escola e os clubes dividiriam as responsabilidades de trabalhar o jovem. “O Brasil, diferentemente de outros países, tem os dois lados. Não tem como afirmar que a tendência é ir para um dos lados. Pretende-se uma mescla de duas formações. Você ter uma formação básica, continuada, na escola, mas com os clubes desenvolvendo e especializando esses atletas. Hoje a gente não sabe qual é o caminho [para fazer funcionar], mas que vai haver um caminho definido, você pode contar”.
FONTE: Agência Brasil

domingo, 31 de março de 2013

Recursos de clubes para a formação de atletas estão parados e devem chegar a R$ 113 milhões


A indefinição sobre a necessidade de regulamentação dos recursos repassados pela nova Lei Pelé para a formação de atletas olímpicos e paraolímpicos pode deixar R$ 113 milhões parados na conta da Confederação Brasileira de Clubes (CBC).

Do total, R$ 71 milhões chegaram aos cofres da Confederação em 2012. Os R$ 41,8 milhões restantes estão previstos para repasses deste ano no Orçamento Geral da União, aprovado no Congresso Nacional e que aguarda apenas a sanção da presidente Dilma Rousseff.

A verba, vinda das loterias federais, sai dos cofres do Ministério do Esporte (ME) para a CBC. Porém, na falta de regulamentação da legislação, o presidente da Confederação, Francisco Antonio Fraga, afirma que não utilizará os recursos. “No nosso entender é necessária a regulamentação, para que não haja dúvidas quanto à aplicação do dinheiro”, explica.

Por outro lado, segundo assessoria do ME, não há necessidade de regulamentação. “A Confederação pode fazer uso dos recursos que já estão disponíveis assim que julgar conveniente”, afirmou.

Apesar disso, a assessoria informou que a regulamentação da “nova” Lei Pelé nos itens que expressamente determinam aplicação de acordo com regulamentação, está em análise nas instâncias competentes do governo federal.

Sancionada em 16 de março de 2011, a Lei 12.395 alterou a Lei Pelé (n. 9.615/98). Dessa forma, segundo entendimento da CBC, caberia ao Executivo expedir decreto para regulamentar as mudanças. Porém, 25 meses depois da publicação da legislação, isso ainda não aconteceu.

Repasses

Dentre as alterações da Nova Lei Pelé, destaca-se o repasse para a CBC de 0,5% dos 4,5% a que o Ministério do Esporte tem direito de toda verba arrecadada nas loterias federais e similares, com destino único e exclusivo para a formação de atletas olímpicos e paralímpicos.

Enquanto os recursos se acumulam na caderneta de poupança da CBC, as agremiações, maiores beneficiárias do montante, se desdobram para realizar projetos de formação de atletas. O Flamengo, por exemplo, extinguiu investimentos nas modalidades de ginástica artística, judô e natação. O Clube da Gávea dispensou nomes como Cesar Cielo, Érika Miranda, Nacif Elias, Jade Barbosa e os irmãos Diego e Daniele Hypólito.

Fraga destaca, no entanto, que o intuito não é investir em atletas que já estão no nível de alto rendimento e com capacidade para conseguir patrocínios, ou, ainda, com finalidade imediata para competir em 2016. “O ideal é que consigamos aproveitar o potencial que os clubes se tornaram em termos de formação de atletas, fomentando e dando condições para o desenvolvimento da prática esportiva até massificá-la”, explica.

De acordo com o presidente, que assumiu o comando da Confederação no começo deste ano, foi solicitada audiência com o ME para discutir como devem agir com os recursos. “Temos pressa em usar os recursos, que já somam quantia razoável para o fomento do esporte. Porém, queremos fazê-lo da forma mais transparente e correta possível. Sem regulamentação é possível que surjam problemas”, explica.

FONTE: Dyelle Menezes, do Contas Abertas