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sábado, 11 de maio de 2013

PGR: Justiça Federal deve julgar crimes contra moradores de rua de Goiânia


O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ajuizou incidente de deslocamento de competência (IDC) na sexta-feira, 10 de maio, perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em razão dos crimes cometidos contra moradores de rua em Goiânia (GO). Para o PGR, a Justiça Federal deve julgar as violações de direitos humanos ocorridas no estado, nos termos do art. 109, §5º, da Constituição Federal (CF).

Na opinião de Roberto Gurgel, o desrespeito ao direito à vida é uma das hipóteses mais patentes e graves de violação aos direitos humanos. Segundo o PGR, “desde o ano 2000 ocorreram sistemáticas violações aos direitos humanos no Estado de Goiás, a maioria envolvendo policias militares daquela unidade da federação, seja na composição de grupos de extermínio ou durante ações policiais repressivas, sendo necessário o deslocamento da competência da apuração dos delitos correspondentes”.

O chefe do Ministério Público Federal (MPF) relatou que os recorrentes homicídios de moradores de rua em Goiânia são fatos de repercussão nacional, que atentam contra os direitos humanos. “Em apenas cinco meses, entre agosto de 2012 e março de 2013, foram mortos 24 pessoas em situação de rua”, registrou. Dos 24 homicídios ocorridos, ao menos três possuem policiais militares como suspeitos de autoria, informa a peça processual.

A pedido da Procuradoria Geral de Justiça do Estado de Goiás, foi instaurado o Inquérito Policial 290/2010 pela Polícia Federal, conhecido como Operação Sexto Mandamento, em razão de indícios da existência de um grupo de extermínio formado por policiais militares. “Verifica-se que a adoção, pela Polícia Militar de Goiás, de uma doutrina operacional voltada ao enfrentamento e aniquilação de ameaças foi utilizada como ferramenta legitimadora de ações policiais violentas, calcadas em torturas, desaparecimentos e homicídios”, destaca.

Na visão de Roberto Gurgel, o governo do Estado de Goiás deveria ter tomado providências enérgicas diante dos flagrantes casos de violação aos direitos humanos, como investigar e punir os agentes estatais envolvidos, visando cessar os casos de violência policial desmedida e execuções de pessoas por grupos de extermínio. Da mesma forma, a Justiça Estadual de Goiás não condenou, até o presente momento, nenhuma das pessoas envolvidas nos homicídios, torturas ou desaparecimentos ocorridos desde 2000. Diante do exposto, cabe ao PGR, conforme determina a CF, pedir a federalização dos crimes.

“No exercício de tal atribuição, deverão ser instauradas no âmbito federal tantas apurações quantas forem necessárias para apuração das mortes, torturas e crimes já relacionados, decorrentes da violência policial em Goiás e da atuação de grupos de extermínio”, conclui o pedido.

FONTE: Secretaria de Comunicação Social da PGR

domingo, 7 de abril de 2013

Secretaria de Direitos Humanos envia força-tarefa para investigar assassinato de moradores de rua em Goiânia


A Secretaria de Direitos Humanos enviou ontem (6) uma força-tarefa para investigar o assassinato de moradores de rua em Goiânia. Na madrugada de hoje, um garoto de 11 anos e um adulto foram mortos a pauladas, elevando para 26 o número de casos registrados desde agosto do ano passado na região metropolitana da cidade.
Foto: Victor Andrade/TV Anhanguera
De acordo com o secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Gabriel Rocha, os números mostram uma onda de homicídios de moradores de rua na capital goiana. “Há uma política de extermínio em curso”, disse o secretário. Segundo ele, depoimentos recolhidos por entidades locais de apoio aos moradores de rua indicam a suspeita de participação de agentes públicos em pelo menos parte dos assassinatos.
Encabeçada por Gabriel Rocha, a missão é composta por sete coordenadores federais, entre os quais representantes da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, da Coordenação-Geral dos Centros de Referência em Direitos Humanos e do Comitê Intersetorial da Política da População em Situação de Rua. A força-tarefa avalia se permanece na cidade até a próxima terça-feira (9), quando a Câmara Municipal promoverá uma audiência pública sobre os homicídios.
“Existem notícias de várias testemunhas que põem sob suspeita o envolvimento de agentes públicos nos assassinatos. Isso nos preocupa bastante”, destacou. Segundo Rocha, das 26 mortes apuradas, 25 ocorreram em Goiânia. Uma foi registrada em Aparecida de Goiânia, cidade ao sul da capital do estado.
Citando dados da Secretaria Municipal de Assistência Social de Goiânia, Rocha informou que existem 900 moradores de rua na cidade, dos quais a maioria vem do interior do estado em busca de tratamento de saúde ou para fugir de situações de violência familiar. Segundo ele, as drogas podem não ser o motivo principal dos assassinatos. “De acordo com a prefeitura, somente 30% dos moradores de rua têm envolvimento com entorpecentes. Essas estatísticas são importantes para direcionar as políticas para essa parcela da população.”
Hoje, a missão pretende ouvir moradores de rua que testemunharam assassinatos e se reunir com representantes do Ministério Público e da Polícia Civil de Goiás para pedir a apuração imediata dos casos. Também estão previstos encontros com representantes da prefeitura, do governo do estado e com entidades sociais como pastorais de rua e o Centro de Referência em Direitos Humanos da cidade, operado em parceria com padres jesuítas.
FONTE: Wellton Máximo, da Agência Brasil