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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Expectativa de vida do brasileiro sobe para 74,6 anos

A expectativa de vida ao nascer no Brasil chegou a 74,6 anos em 2012, segundo dados divulgados hoje (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com a Tábua Completa de Mortalidade para o Brasil de 2012, entre 2011 e 2012, os brasileiros tiveram ganho de cinco meses e 12 dias na expectativa de vida ao nascer. O número passou de 74,1 anos em 2011 para 74,6 anos no ano seguinte.
As mulheres tiveram maior ganho: seis meses e 25 dias, chegando a 78,3 anos em 2012. Já a expectativa entre os homens subiu quatro meses e 10 dias, alcançando 71 anos.
Em uma análise retrospectiva, os dados mostram que na comparação com 1980, a população brasileira teve ganho médio de 12,1 anos já que, à época, a esperança de vida era 62,5. Duas décadas depois, em 2000, os números mostram ganho de quatro anos e dois meses. Segundo o pesquisador do IBGE Fernando Albuquerque a tendência é que a expectativa de vida continue a crescer.
“Os índices de mortalidade da população brasileira ainda são distantes de países mais desenvolvidos. Por isso, ainda vamos continuar aumentando a expectativa de vida. O Brasil ainda tem 'gordura' para queimar em termos de mortalidade. Além disso, a expectativa é que, com programas governamentais e não governamentais de melhoria do saneamento, transferência de renda e acesso a medicamentos, a mortalidade continue a cair”, disse.
A variação da expectativa de vida muda conforme a faixa etária do brasileiro. Para um brasileiro de 40 anos, por exemplo, a estimativa é que ele viva até os 78,3 anos. Para pessoas acima de 80 anos, a expectativa é que elas vivam nove anos e um mês a mais. A tábua completa com dados da mortalidade no Brasil foi publicada no Diário Oficial de hoje.
FONTE: Agência Brasil

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

IBGE prevê que safra agrícola de 2014 será menor que a deste ano

O Brasil deve produzir no próximo ano 184,2 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas. O montante é 1,4% menor do que o obtido na safra de 2013 até o mês de outubro.
Já a área a ser colhida em 2014 deverá alcançar 53,6 milhões de hectares, 1,8% maior do que a colhida neste ano. Os dados fazem parte do primeiro prognóstico de área e produção para a safra agrícola de 2014, divulgado hoje (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A décima estimativa da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas – referente aos dez primeiros meses do ano e também divulgada nesta sexta – aponta uma produção de 186,8 milhões de toneladas, 15,4% maior do que a obtida em 2012 no mesmo período, quando foram produzidas 161,9 milhões de toneladas.
A estimativa da área colhida até outubro teve aumento em relação ao ano passado. O IBGE prevê que o acumulado do ano feche em 52,7 milhões de hectares, 8% maior do que os 48,8 milhões de hectares dos dez primeiros meses de 2012.
De acordo com o IBGE, o arroz, o milho e a soja são os três principais produtos da safra. Somados, eles representam 93% da estimativa de produção e 86,2% da área a ser colhida. “Em relação ao ano anterior, houve acréscimo na área de 7,6% para o milho, 11,2% para a soja e decréscimo de 0,6% na área colhida de arroz. No que se refere à produção, os acréscimos foram de 2,7% para o arroz, de 12,9% para o milho e de 23,8% para a soja, quando comparados a 2012”, diz o instituto.
FONTE: Agência Brasil

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Inflação acumulada fica em menos de 6% pela primeira vez em 2013

A queda de itens monitorados, como a energia elétrica, e a variação menos acelerada de produtos alimentícios no segundo trimestre de 2013 contribuíram para que a inflação acumulada em 12 meses chegasse, em setembro, a um patamar inferior a 6% pela primeira vez neste ano, avaliou a coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes.
"Isso ocorreu porque as taxas do IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] estão menos fortes de julho para cá do que em igual período do ano passado, considerando os preços dos produtos alimentícios, que não estão exercendo uma função tão forte quanto a que exerceram naqueles meses. Estamos trocando taxas mais altas por taxas mais baixas no acumulado de 12 meses".
O índice acumulado no período de outubro de 2012 a setembro de 2013 foi 5,86%, contra 6,09% entre setembro de 2012 e agosto de 2013. A taxa do mês de setembro deste ano foi 0,35%, enquanto a do mesmo mês em 2012 ficou em 0,57%.
Entre os índices monitorados, cujas variações não se dão livremente de acordo com o mercado, Eulina destaca a energia elétrica e a passagem de ônibus como os que mais ajudam no controle da taxa.
"Para que a inflação atingisse um nível bem mais baixo nesses últimos três meses, certamente contribuíram muito os produtos monitorados, em particular a energia elétrica, que foi um alivio para o bolso do consumidor. Os ônibus urbanos também, porque se considerarmos de janeiro a setembro estavam com uma variação muito mais alta no ano passado do que estavam neste ano, em que a média está perto de zero".
Enquanto no ano passado os monitorados acumulavam 2,51% de inflação até setembro, neste ano a variação está próxima de zero. Segundo Eulina, mesmo os reajustes que costumavam ser feitos pelas companhias de abastecimento de água e esgoto no segundo trimestre ficaram abaixo do esperado desde as manifestações iniciadas em junho.
Na taxa de setembro, apesar disso, o IPCA cresceu em relação a agosto, puxado pelas passagens aéreas, que tiveram impacto de 0,08 ponto percentual no resultado final, de 0,35%. Para o aumento desse item, o dólar exerceu pressão nos custos das companhias, que também elevaram os preços com a maior demanda criada por eventos como o Rock in Rio e o Círio de Nazaré.
O impacto do dólar também foi sentido em outros itens do IPCA, como higiene pessoal, e puxou a alta do pão francês, que acumula 14,79% de inflação em 12 meses e subiu mais 3,37% em setembro. Como importador de trigo, o país teve impacto no preço pela alta da moeda americana no mês passado, assim como por problemas de safra na Argentina.
"O impacto do dólar também é bastante evidenciado nos preços dos eletrodomésticos, que subiram aliados a uma demanda forte dado o crédito do governo para a compra desses itens", acrescentou Eulina, referindo-se ao Programa Minha Casa Melhor, do governo federal.
FONTE: Agência Brasil

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Começa 2ª etapa da Pesquisa Nacional de Saúde com coleta de sangue

Começa nesta segunda-feira (09) a coleta dos exames clínicos de sangue e de urina para a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), que integram a segunda etapa do estudo. A pesquisa está sendo realizada por meio de uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Ministério da Saúde e o Hospital Sírio-Libanês (HSL), com o objetivo de avaliar a incidência de doenças como diabetes, hipertensão, anemia, colesterol alto, obesidade, dengue, entre outras. A primeira etapa do levantamento envolveu entrevistas sobre doenças e medidas antropométricas, incluindo a pressão arterial, realizados em cerca de 80 mil pessoas em 1,6 mil municípios.

O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, explica que a pesquisa permitirá uma avaliação mais ampla e um melhor planejamento das ações estratégicas e políticas públicas. ”Além de permitir que possamos examinar a tendência da saúde do brasileiro na última década, a PNS traz uma radiografia bem detalhada não só do Brasil, mas de regiões, dos estados, capital e interior”, diz.

Responsável pela organização da rede de coleta de sangue e urina, o Hospital Sírio-Libanês firmou um termo de cooperação com duas empresas de medicina diagnóstical, os Grupos “Dasa (Diagnósticos da América)” e “Fleury”. As informações obtidas serão sigilosas, ficarão sob a guarda do IBGE e terão apenas fins estatísticos, sem qualquer identificação dos participantes.

“Esta pesquisa representa um grande desafio. A nossa colaboração se deve à importância que a iniciativa terá para o futuro das políticas públicas de saúde e, desta forma, dos benefícios que trará para a população”, afirma Sérgio Zanetta, diretor de Filantropia do Hospital Sírio-Libanês.

No total, serão investidos R$ 21 milhões na realização pesquisa, sendo que o Ministério da Saúde vai repassar R$ 15 milhões ao IBGE. O restante, R$ 6 milhões, será empregado pelo Hospital Sírio-Libanês na organização da rede de coleta de sangue e urina. Esse recurso integrante do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS) que possibilita que as entidades de saúde de referência assistencial – neste caso o Hospital Sírio-Libanês -, participem do desenvolvimento do SUS transferindo tecnologia, conhecimento, experiência em gestão e oferecendo práticas úteis para serem adaptadas pela rede pública.

No PROADI, os projetos são apresentados pelos Hospitais de Excelência ao Ministério da Saúde. Após aprovação, são desenvolvidos com o recurso despendido pela própria entidade de saúde. Em contrapartida – pela oferta de serviços à população – as entidades usufruem de isenções fiscais, mais especificamente contribuições sociais, devidas ao governo.

As análises feitas pela pesquisa também vão diagnosticar se a pessoa diabetes, anemia falciforme e analisar percentuais de creatinina, potássio e sódio – indicadores que podem revelar eventuais problemas de saúde do paciente. Se os resultados dos exames indicarem algum problema de saúde, o entrevistado será encaminhado a uma unidade de saúde para receber acompanhamento médico.

Histórico – Desde 2009, o Ministério da Saúde se reúne com pesquisadores para iniciar a elaboração da pesquisa. De 2010 a 2011, ocorreram reuniões periódicas com representantes do IBGE, onde foram estudadas experiências nacionais e internacionais; definidas a metodologia; a amostragem e outros pontos importantes. Em 2012, foram fechados os questionários e a parceria com o Hospital Sírio-Libanês para a realização dos exames laboratoriais.

O Ministério da Saúde já realiza, anualmente, o Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), estudo feito por inquérito telefônico em 26 estados e no Distrito Federal. Em 2011, o Vigitel entrevistou 54 mil pessoas, sendo uma importante fonte para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde preventiva. A Pesquisa Nacional de Saúde, portanto, servirá como aliada para agregar informações estatísticas dos hábitos de vida da população comprovadas através dos exames.

Dengue – O exame de sangue também trará a informação do percentual da população brasileira que já entrou em contato com o vírus da dengue. “A sorologia é importante para subsidiar, no futuro, a implantação da vacina conta a dengue no país,possibilitando o mapeamento de áreas suscetíveis a surtos de subtipos da doença.”, afirma Jarbas Barbosa.

O material coletado na pesquisa será guardado no Instituto Evando Chagas, em Belém, que é uma instituição pública do Ministério da Saúde e vai compor um banco de soro humano para monitorar a doença no país, ficando disponível para universidades e institutos de pesquisas. Segundo o secretário, a previsão é de que o estudo seja realizado a cada cinco anos. Os primeiros resultados deste estudo devem ser divulgados em 2014.

A pesquisa faz parte do Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não-Transmissíveis (DCNT) e tem como meta produzir novas informações sobre os hábitos de alimentação, tabagismo, uso de bebidas alcoólicas, prática de atividade física e fatores associados aos comportamentos não saudáveis da população. As informações vão subsidiar as ações de combate às DCNT, responsáveis por 72% dos óbitos no Brasil.

A iniciativa propõe que a PNS dê continuidade aos inquéritos do Plano Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), realizado em 1998, 2003 e 2008. A PNS também deve delinear o perfil lipídico da população e dimensionar o acesso ao diagnóstico de alguns agravos crônicos (como hipertensão, diabetes, hipercolesterolemia, creatinina no sangue, dosagem de sal na urina), com base na comparação de medidas objetivas (antropométricas, de pressão arterial e exames laboratoriais) e subjetivas (morbidade auto referida), além de outras investigações. A PNS foi aprovada no Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

FONTE: Agência Brasil

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes, segundo IBGE

A população estimada do Brasil é 201.032.714 habitantes, pelos dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a junho deste ano. De acordo com o levantamento, há 7.085.828 habitantes a mais do que o registrado em julho de 2012. Os dados foram publicados hoje (29) no Diário Oficial da União.
São Paulo é o estado mais populoso com 43,6 milhões de habitantes, seguido por Minas Gerais com 20,5 milhões de residentes e Rio de Janeiro com 16,3 milhões de pessoas que declaram moradoras da região.
A Bahia registra 15 milhões de habitantes, o Rio Grande do Sul 11,1 milhões e o Paraná, 10,9 milhões de residentes. Em seguida aparecem Pernambuco com 9,21 milhões de habitantes, Ceará com 8,78 milhões, Pará com 7,97 milhões, Maranhão com 6,79 milhões, Santa Catarina com 6,63 milhões e Goiás com 6,43 milhões.
Com menos de 5 milhões de habitantes, estão Paraíba (3,91 milhões), Espírito Santo (3,84 milhões), Amazonas (3,81 milhões), Rio Grande do Norte (3,37 milhões), Alagoas (3,3 milhões), Piauí (3,18 milhões), Mato Grosso (3,18 milhões), Distrito Federal (2,79 milhões), Mato Grosso do Sul (2,59 milhões), Sergipe (2,19 milhões), Rondônia (1,73 milhão) e Tocantins (1,48 milhão).
A Região Norte, tem três estados com menos de 1 milhão de habitantes. Roraima é o menos populoso, com 488 mil habitantes. O Acre tem 776,5 mil habitantes e o Amapá, 735 mil.
Veja abaixo a população de cada unidade da Federação:
Unidade da Federação
População
Rondônia
1.728.214
Acre
776.463
Amazonas
3.807.923
Roraima
488.072
Pará
7.969.655
Amapá
734.995
Tocantins
1.478.163
Maranhão
6.794.298
Piauí
3.184.165
Ceará
8.778.575
Rio Grande do Norte
3.373.960
Paraíba
3.914.418
Pernambuco
9.208.551
Alagoas
3.300.938
Sergipe
2.195.662
Bahia
15.044.127
Minas Gerais
20.593.366
Espírito Santo
3.839.363
Rio de Janeiro
16.369.178
São Paulo
43.663.672
Paraná
10.997.462
Santa Catarina
6.634.250
Rio Grande do Sul
11.164.050
Mato Grosso do Sul
2.587.267
Mato Grosso
3.182.114
Goiás
6.434.052
Distrito Federal
2.789.761
Total
201.032.714

FONTE: Agência Brasil

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Governo vai coletar amostras de sangue e de urina para traçar perfil da saúde dos brasileiros

Pesquisa inédita começa nesta segunda-feira e será realizada em parceria com o IBGE; amostra envolverá 80 mil pessoas, sendo que 20 mil farão os exames laboratoriais.




O IBGE inicia hoje, 12 de agosto, em convênio com o Ministério da Saúde e com a coordenação técnica da Fiocruz, a coleta de informações da Pesquisa Nacional de Saúde 2013 - PNS. Até novembro, cerca de 1.000 entrevistadores visitarão 80 mil domicílios em 1.600 municípios em todo o país, para conhecer a saúde e o estilo de vida da população. A pesquisa também tem o objetivo de produzir dados sobre acesso e uso dos serviços de saúde, ações preventivas, continuidade dos cuidados e financiamento da assistência de saúde.
O desafio é grande. Para saber como está a saúde no Brasil, o IBGE e a Fiocruz planejaram a pesquisa em duas etapas. A primeira consiste no preenchimento de um questionário que captará informações de todos os moradores, em todos os domicílios visitados. Além disso, será selecionado um morador maior de idade em cada um dos domicílios visitados, que responderá outro questionário e terá medidos peso, altura, cintura e pressão arterial. A escolha desse morador será feita aleatoriamente, pelo computador de mão do agente de pesquisa, no momento da entrevista.
Na segunda etapa da pesquisa, aplicada em 25% das áreas visitadas, esse mesmo morador maior de idade selecionado para as medidas antropométricas e de pressão arterial fará exames laboratoriais de sangue e urina.
A coleta da PNS começa pelos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia, Roraima, Amapá e Rio Grande do Sul e, nas próximas semanas, alcançará todas as unidades da federação. A previsão é que a pesquisa seja realizada a cada cinco anos, com detalhamento nos níveis Brasil, grandes regiões, unidades da federação, regiões metropolitanas que contenham municípios das capitais e municípios das capitais, e que os primeiros resultados sejam divulgados em 2014.
Sigilo das informações coletadas pela PNS é garantido por lei
É importante ressaltar que todas as informações coletadas pela PNS, inclusive os resultados dos exames laboratoriais, têm sua confidencialidade garantida pela lei do sigilo da informação estatística (Lei nº5534/68) e só podem ser utilizadas para fins estatísticos.
Todos os entrevistadores da PNS deverão portar o crachá do IBGE e o equipamento eletrônico de coleta de dados (computador de mão). Também será possível confirmar a identidade do entrevistador pelo telefone 0800-721-8181.
Antes de sair às ruas, eles fizeram um treinamento não só para aplicar o questionário corretamente, como para tirar as medidas antropométricas e de pressão arterial. Já os exames de sangue e urina serão realizados por laboratórios credenciados pelo Ministério da Saúde.
Parte do questionário e medidas antropométricas são realizadas em apenas um morador por domicílio
Para produzir os melhores dados sobre a saúde e o estilo de vida dos brasileiros, o questionário da Pesquisa Nacional de Saúde foi elaborado da seguinte forma: primeiro, são feitas perguntas sobre o domicilio, como, por exemplo, abastecimento de água, posse de animais de estimação, ocorrência de visitas de equipes de saúde da família, entre outras. A seguir, as perguntas se referem a cada um dos moradores do domicílio. São perguntas sobre características gerais (sexo, idade, estado civil, entre outras), educação, trabalho, rendimento, deficiência, plano de saúde, utilização de serviços de saúde e saúde de crianças e idosos.
No momento da entrevista, um morador maior de idade será selecionado aleatoriamente pelo computador de mão para responder outro questionário com perguntas sobre trabalho, estado de saúde, acidentes, estilos de vida (consumo de bebidas alcoólicas, prática de atividades físicas e fumo, por exemplo), doenças crônicas, saúde da mulher, atendimento pré-natal (quando for o caso), saúde bucal e atendimento médico. Serão tiradas as medidas antropométricas e de pressão, e o entrevistador também pedirá informações para contatos futuros, sempre garantido o sigilo do informante.
Se for necessário, o entrevistador fará mais de uma visita ao domicílio para completar a pesquisa.
Coleta de material para os exames laboratoriais é feita em casa
Além do questionário e das medidas, serão realizados exames de sangue e urina em 25% das áreas visitadas pelos pesquisadores do IBGE, selecionadas aleatoriamente. Na amostra de sangue, serão feitos exames de hemoglobina glicada, colesterol, hemograma, hemoglobina S e outras hemoglobinopatias, creatinina e sorologia da dengue; na urina, serão analisadas a dosagem de sódio, de potássio e creatinina.
Nessas áreas selecionadas (25%), todos aqueles moradores maiores de 18 anos que tiraram as medidas antropométricas também farão os exames. O morador será informado se faz parte dessa amostra na primeira visita do entrevistador. O laboratório credenciado pelo Ministério da Saúde fará contato diretamente com ele para agendar o dia dos exames, por isso é importante informar corretamente os dados para contatos futuros. O entrevistado não precisará sair de casa: a coleta será feita em domicílio, e também não será necessário ficar em jejum.
Feitos os exames, o morador selecionado escolherá como prefere receber os resultados: correio ou disponibilizado na internet.
Durante a coleta de informações da PNS, quem apresentar pressão arterial elevada, exames laboratoriais alterados, crise de hipertensão ou dores no peito receberá orientações para procurar o serviço de atendimento local indicado pelo Ministério da Saúde.
Pesquisa é inédita e subsidiará políticas de saúde
Pela primeira vez por meio de perguntas e exames, uma pesquisa do IBGE busca conhecer as relações entre o estilo de vida e a saúde da população e produzir informações sobre o atendimento à saúde nas redes pública e particular.
A PNS faz parte do Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares do IBGE (SIPD). Ela dá continuidade a um ciclo de investigações que vem sendo realizado a cada cinco anos, desde 1998, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e seus suplementos de saúde.
Além disso, a PNS também dará suporte a diversas políticas públicas, como o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento de Doenças Crônicas Não-Transmissíveis, Brasil Sorridente, a Rede Cegonha e outras.
FONTE: IBGE

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Mortalidade infantil cai 75,8% em 30 anos, aponta IBGE

A mortalidade infantil no Brasil caiu de 69,1 por mil nascidos vivos, em 1980, para 16,7 por mil, em 2010, o que representa queda de 75,8%. O resultado está na pesquisa Tábuas de Mortalidade 2010 – Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação, divulgada hoje (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na avaliação do Instituto, a redução na taxa de mortalidade infantil é resultado concreto de ações governamentais e não governamentais no campo da saúde e reflete as condições de vida da população.
Segundo o gerente de Componentes de Dinâmica Demográfica do IBGE, Fernando Albuquerque, a mortalidade caiu em todos os grupos etários, mas a redução foi maior nos grupos infantil (até 4 anos) ou infantojuvenil (de 5 a 14 anos), por causa de programas do governo federal e de organizações não governamentais (ONG) com foco na diminuição da mortalidade infantil.
“Aleitamento materno, melhoria nas condições de saneamento básico e higiene pública, campanhas de vacinação, maior acesso da população aos serviços de saúde, maior escolaridade da mãe e política de assistência básica às gestantes são programas que efetivamente têm forte impacto na diminuição da mortalidade infantil e infanto-juvenil”, explicou.
A pesquisa revela que, na Região Nordeste, para cada mil crianças nascidas em 1980, 120 não completariam o quinto ano de vida. Já em 2010, apenas 26 não chegariam aos 5 anos. “Foi uma redução muito forte. Deixaram de morrer 94 crianças, aproximadamente, que nasciam e não completariam o quinto ano de vida. A região Nordeste foi a que apresentou o maior declínio”, esclareceu o gerente.
Albuquerque informou que a mortalidade infantil pode ser desmembrada em neonatal (referente ao primeiro mês de vida) e a pós-neonatal (do primeiro mês ao primeiro ano de vida). Na fase pós-neonatal, a mortalidade está associada a fatores sociais e econômicos. Já na fase neonatal, ocorre por problemas congênitos ou genéticos. “No caso da mortalidade pós-neonatal as causas são mais fáceis de se combater, pois são relacionadas a fatores sociais e econômicos, que estão melhorando no Brasil”, contou.
A pesquisa mostra ainda que o padrão de mortalidade do brasileiro entre 1980 e 2010 caiu em todas as idades, sem concentração em um grupo etário específico.“A diminuição da mortalidade atingiu tanto a base, como o meio e o topo da pirâmide etária”, disse Albuquerque.
Para o gerente, a queda da mortalidade em todas unidades da federação é um fato e os ganhos foram significativos. No entanto, o país ainda está longe dos níveis de mortalidade de regiões mais desenvolvidas do mundo. Enquanto no Brasil a mortalidade está em torno de 16 óbitos em menores de um ano para cada mil nascidos vivos, em países da Europa, a taxa é quatro óbitos por mil.
“Diminuímos muito, mas continuamos um pouco distante das regiões mais desenvolvidas. Então a velocidade com que estes programas são aplicados deve continuar para nos aproximarmos dos níveis de regiões mais desenvolvidas”, analisou.
FONTE: Agência Brasil

Expectativa de vida do brasileiro cresce 11,24 anos entre 1980 e 2010, diz IBGE

A expectativa de vida do brasileiro cresceu 11,24 anos entre 1980 e 2010. O crescimento entre as mulheres ficou em 11,69 anos, enquanto entre os homens a elevação atingiu 10,59 anos.
No mesmo período, na comparação com o restante do Brasil, a Região Nordeste foi a que apresentou maior aumento na expectativa de vida. As informações fazem parte da pesquisa Tábuas de Mortalidade 2010 – Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação, divulgada hoje (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 1980, o nordestino tinha a taxa mais baixa do país (58,25 anos). No período de 30 anos houve elevação de 12,95 anos e, em 2010, atingiu 71,20 anos. De acordo com o IBGE, o crescimento foi decorrente, principalmente, do aumento de 14,14 anos na expectativa de vida das mulheres nordestinas, que passou de 61,27 anos em 1980 para 75,41, em 2010.
Segundo o gerente de Componentes de Dinâmica Demográfica do IBGE, Fernando Albuquerque, o Nordeste representava, em 1980, a região com menor índice de expectativa de vida. A aplicação mais eficaz de programas sociais e de projetos de distribuição de renda favoreceram o crescimento da taxa da região. “Todos os programas [geraram impacto positivo na região: houve] aumento na qualidade de atendimento de pré-natal, transferência de renda [propiciada pelo] Bolsa Família e melhor instrução. O programa Saúde da Família não [previne a mortalidade apenas na infância], mas em todas as faixas de idade. São programas importantes que representam forte impacto na [redução da] mortalidade. [Há] um aumento maior da expectativa de vida na região Nordeste”, explicou.
A elevação da expectativa de vida entre as mulheres foi o fator que favoreceu também o resultado do Rio Grande do Norte, que apontou a maior elevação entre os estados da região (15,85 anos). Lá, a taxa das mulheres ficou em 17,03 anos. “Em 1980, o Rio Grande do Norte também era um dos estados em que a mortalidade era mais elevada, consequentemente com uma expectativa de vida mais baixa. Então de certa forma estes programas aceleraram a diminuição [das taxas de] mortalidade e ganhos na expectativa de vida”, explicou.
O pior resultado de crescimento entre as regiões foi no Sul (9,83 anos). Apesar disso, a região ainda registra as mais altas taxas de expectativa de vida do país. Em 1980 era de 66,01 anos, a mais elevada daquele ano. Em 2010 atingiu 75,84 anos, também a maior expectativa entre as regiões. “Os níveis de mortalidade já eram mais baixos. Os aumentos ocorreram, mas com menos intensidade. Essas expectativas de vida já eram elevadas”, disse o gerente.
A segunda região a apresentar maior crescimento nos 30 anos compreendidos entre 1980 e 2010 foi a Centro-Oeste com elevação de 10,79 anos (de 62,85 para 73,64 anos). Em terceiro ficou o Sudeste que teve elevação de 10,58 anos (de 64,82 para 75,40 anos). A quarta foi a região Norte, que passou de 60,75 para 70,76 anos, representando um aumento de 10,01 anos na taxa.
Na avaliação do gerente do IBGE, no Norte, a dificuldade de acesso aos programas sociais impediu um desempenho melhor na esperança de vida. “Os programas sociais existem, mas há uma maior dificuldade em função da extensão da região e dificuldade de acesso. São populações ribeirinhas, onde o indivíduo tem de viajar vários dias para chegar a um posto de saúde”, explicou.
A pesquisa analisa resultados sobre a esperança de vida por sexo e compara informações sobre as regiões do país e dos estados. O trabalho utiliza dados do Censo Demográfico 2010, das estatísticas de óbitos obtidos no Registro Civil e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do ministério da Saúde para o mesmo ano.
FONTE: Agência Brasil

sábado, 13 de julho de 2013

Taxa de homicídios de negros cresce 9% em cinco anos

Favela Danon, município de Nova Iguaçu, 20 de junho de 2011, Baixada Fluminense. O menino Juan Moraes voltava para casa sem imaginar que aqueles seriam os últimos momentos de sua vida. O que aconteceu no instante em que foi morto é nebuloso e ainda não foi totalmente esclarecido, pois o caso ainda será julgado pelo Tribunal do Júri.

Denúncia do Ministério Público (MP), no entanto, relata que Juan, um menino negro, de 11 anos de idade, foi morto por policiais militares, que faziam uma operação na favela. De acordo com o MP, os policiais atiraram na criança, pensando que ele era um traficante de drogas. Ao perceber que tinham matado um menino desarmado, os policiais tentaram ocultar o crime escondendo o corpo.

O crime, talvez, nunca tivesse a autoria identificada se um irmão de Juan, ferido na ação, não sobrevivesse. Foi ele quem relatou o desaparecimento do irmão e a tentativa dos policiais em sumir com o corpo. Juan foi um dos 35.207 cidadãos negros assassinados no país em 2011, segundo levantamento feito pela Agência Brasil com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.

Cruzando as informações do ministério com dados do censo populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), verifica-se que, em 2011, a taxa de homicídios dessa população foi de 35,2 por 100 mil habitantes, taxa 9% acima do que a observada cinco anos antes, quando foram registrados 29.925 casos, ou seja, 32,4 por 100 mil habitantes.

Ao mesmo tempo em que negros ficaram mais vulneráveis à violência nesses cinco anos, a taxa de homicídios da população branca caiu 13%, ao passar de 17,1 por 100 mil habitantes em 2006 (15.753 em número absoluto) para 14,9 por mil em 2011 (13.895 casos).

O dado reflete a grande disparidade racial que existe no Brasil, quando se trata de vítimas de assassinatos. Com o aumento dos homicídios entre a população negra, a probabilidade de um preto ou pardo ser vítima de assassinato no país passou a ser 2,4 vezes maior do que a de um branco. Em 2006, a proporção era de 1,9.

Mãe de um jovem negro executado em 2006 por um grupo de extermínio, na Baixada Santista, em São Paulo, Débora Maria da Silva não vê uma melhora na situação no país. O gari Edson Rogério Silva dos Santos foi morto a tiros em maio de 2006, durante uma onda de ataques no estado de São Paulo, quando saía para comprar remédio.

Para a mãe de Edson, os negros são as maiores vítimas, porque moram nas áreas mais pobres da cidade. Segundo ela, o Estado ainda mantém uma postura racista, mesmo 125 anos após a abolição da escravatura no país.

“Temos que acabar com isso. Não vivemos mais no tempo da escravatura, que se tem coronéis, capitães-do-mato e sinhozinhos. Apesar de permanecerem as senzalas, que são as periferias, e os porões dos navios negreiros, que são os presídios”, disse Débora, que lidera um movimento por justiça para os assassinatos de maio de 2006.

Para o coordenador da organização não governamental (ONG) Observatório das Favelas, Jaílson de Souza, o aumento da taxa de homicídios de negros tem relação com a mudança geográfica dos assassinatos no país. Nos últimos anos, enquanto o Sul e o Sudeste têm vivenciado a redução das taxas de homicídios, o Norte e Nordeste têm visto um aumento da violência.

Esses estados, segundo Souza, são os que concentram as maiores populações de pretos e pardos. “Quando essa geografia da morte muda, e há mais violência no Norte e Nordeste, essa mudança acaba por gerar mais morte de negros, sejam pardos ou pretos. Em Alagoas, por exemplo, há um branco para cada 20 negros”, disse.

Dos cinco estados onde o assassinato de negros mais cresceu, quatro são do Nordeste e um no Norte. O Rio Grande do Norte teve um crescimento de 2,7 vezes na taxa de homicídios, ao passar de 16,1 por 100 mil habitantes, em 2006, para 43,6 por 100 mil, em 2011. Na Paraíba, a taxa dobrou, de 30,1 para 60,3 por 100 mil.

Entre os outros estados onde o crescimento foi grande entre 2006 e 2011, estão Alagoas (de 53,9 para 90,5 por 100 mil habitantes), o Amazonas (de 22,3 para 42 por 100 mil) e Ceará (de 17,8 para 29 por 100 mil).

Para Jaílson de Souza, o crescimento econômico do país, sem uma mudança da estrutura social, também contribui para o incremento da violência entre as populações mais vulneráveis. “Nosso desafio é reconhecer que não basta o crescimento econômico, tem que ter uma política que leve em conta o racismo, que é um elemento estrutural da desigualdade brasileira.”

FONTE: Agência Brasil

quarta-feira, 19 de junho de 2013

15 mil alunos do Ensino Fundamental fumam crack, diz pesquisa

Aproximadamente 75 mil alunos do último ano do ensino fundamental nas escolas brasileiras fumavam maconha e 15 mil fumavam crack no ano passado, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2012, divulgada hoje (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar dos números representarem 2,5% e 0,5%, respectivamente, dos cerca de 3,15 milhões de escolares do 9º ano, a situação serve de alerta para as autoridades e a sociedade como um todo, de acordo com o gerente de Estatísticas de Saúde do IBGE, Marco Antonio Andreazzi.
“Estamos falando de adolescentes, em sua maioria, entre 13 e 15 anos de idade, que frequentam a escola, que relataram ter usado essas drogas nos últimos 30 dias”, comentou. Ele demonstrou maior preocupação em relação ao crack. “Esse percentual de 0,5%, embora pareça bastante pequeno,  merece cuidado e análise mais aprofundada:  o crack é uma droga debilitante, que provoca o afastamento da escola, da família e do convívio social”, disse ele.
O estudo aponta que quase metade (45,5%) dos alunos nesse ano escolar tinha 14 anos de idade. Entre os entrevistados, 7,3% disseram ter experimentado algum tipo de droga ilícita como maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança-perfume e ecstasy. Desse total, 2,6% tinham menos de 13 anos. Dentre os entrevistados, 34,5%  haviam provado maconha e 6,4%, crack. O Centro-Oeste é a região com o maior percentual de alunos do 9º ano que haviam experimentado alguma droga, com 9,3%. A Região Nordeste aparece com o menor percentual. Analisando os resultados por capitais, o maior percentual foi encontrado em Florianópolis (17,5%), Curitiba (14,4%) e os menores em Palmas e Macapá (5,7% em ambas).
Em relação ao álcool, 50,3% dos entrevistados disseram ter experimentado uma dose de bebida alcoólica na vida e 26,1% disseram ter consumido álcool nos últimos trinta dias, com destaque para Porto Alegre (34,6%) e Florianópolis (34,1%). Os menores percentuais foram encontrados em Belém (17,3%) e Fortaleza (17,4%).
Cerca de 22% dos estudantes disseram ter sofrido pelo menos um episódio de embriaguez. No sul, esse percentual foi 56,8% e de 47,3% no Nordeste. A proporção das meninas (51,7%) foi maior que a dos meninos (48,7%). A forma mais comum de obter bebida alcoólica foi em festas (39,7%), com amigos (21,8%), ou comprando no mercado, loja, bar ou supermercado (15,6%). E 10,2% dos escolares adquiriram bebida alcoólica para o consumo durante o período considerado, na própria casa.
Outro dado revelado pela pesquisa no que se refere à saúde dos adolescentes é a queda no número de escolares que haviam provado tabaco nas capitais entre 2009 e 2012 (de 24,2% para 22,3%). Os dados mostram que 19,6% dos estudantes brasileiros do último ano do ensino fundamental haviam experimentado cigarro e 29,8% informaram que pelo menos um dos responsáveis era fumante. 89,3% dos escolares estudam em escolas que informaram possuir política sobre proibição do uso do tabaco.
Ao comparar os dados das pesquisas de 2009 e 2012, verificou-se que o percentual de escolares que fizeram uso de cigarros nos últimos 30 dias manteve-se estável, em torno de 6%. As cidades com maiores proporções de escolares fumantes no período foram Campo Grande com 12,4% e Florianópolis com 9,7%.
FONTE: Agência Brasil

domingo, 16 de junho de 2013

Estudo do IBGE acirra disputa entre Ceará e Piauí por território

Uma disputa centenária por terras na divisa entre Piauí e Ceará, em região conhecida como "faixa de Gaza do Nordeste" devido a imprecisões no limite dos Estados, se acirrou após uma pesquisa do IBGE apontar que a maioria dos domicílios está em território cearense.

Imagem: Editoria de Arte/Folhapress
O governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), não aceita o resultado e pede que o STF (Supremo Tribunal Federal) decida a quem pertence a área de quase 3.000 km² -o equivalente a duas cidades de São Paulo-, onde vivem cerca de 10 mil pessoas.

O litígio começou em 1880, quando decreto assinado por dom Pedro 2º formalizou uma troca de terras -o Ceará cedeu parte do litoral e ganhou um pedaço do Piauí.

Em 2011, o Piauí ingressou com a ação no STF. A AGU (Advocacia-Geral da União) assumiu a missão de tentar a conciliação, e a pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) serviria de referência.

PESQUISA

O levantamento, feito em uma área piloto nos municípios de Pedro 2º (PI) e Poranga (CE), apontou que 75% dos domicílios da faixa estão no Ceará. A área foi escolhida por ser a mais conflituosa.

"O IBGE (...) não foi lá. Fez um estudo em casa, no computador. Por isso não aceito os resultados", afirma o governador do Piauí.

Martins defende que o STF considere o decreto de 1880 e uma carta do Exército produzida há 30 anos. Já o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), quer a demarcação com base no estudo do IBGE.

Segundo o procurador do Estado do Piauí João Batista Júnior, o Estado comunicará à AGU e ao STF, no próximo dia 20, que não fará acordo.

No Censo 2010, o IBGE não diz a quem a área pertence. A região se tornou uma espécie de terra sem lei, onde a polícia não atua e prefeituras não investem. Segundo o IBGE, 80% das famílias da área não têm água. Faltam estradas, postos de saúde e escolas.

Em nota, o instituto diz que não fixa limites de municípios e que segue as legislações estaduais.

Pelo lado do Ceará, o procurador-geral, Fernando Oliveira, diz que o governo considera o IBGE uma instituição "séria" e que lamenta a saída do Piauí das negociações.

ABANDONO

Enquanto a situação não se resolve, moradores se queixam de abandono. Prefeitos se justificam dizendo que não podem aplicar recursos fora da área fixada pelo IBGE.

No distrito de Pitombeiras, em Pedro 2º (PI), não há posto de saúde, e moradores gastam R$ 120 para levar os doentes à sede do município. "Ou paga ou o doente morre em casa", diz o comerciante Pedro dos Santos, 51.

No povoado Arraial, em Poranga (CE), o casal José de Castro, 56, e Maria Magalhães, 49, diz que faltam estradas e escolas de qualidade para os sete filhos.

Eles têm opiniões diferentes sobre a "naturalidade". "Quero ser piauiense, mas em casa seria complicado. Teria de delimitar território, pois a mulher quer ser cearense", brinca Castro.


FONTE: Yala Sena, colaboradora da Folha de S. Paulo em Teresina