No encontro com os voluntários da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Riocentro, o papa Francisco falou por pouco mais de 10 minutos e agradeceu o trabalho de todos. Em sua mensagem, pediu que os voluntários sejam revolucionários.
"Peço que vocês sejam revolucionários, peço para vocês irem contra a corrente, peço que se rebelem contra essa cultura do provisório. Tenho confiança em vocês em irem contra a corrente. Também tenham a coragem de ser felizes", disse Francisco.
No início da cerimônia, um jovem brasileiro e uma polonesa agradeceram a presença do papa e a escolha de seus países para sediar a jornada. A Polônia irá sediar o próximo evento em 2016.
"Não podia regressar a Roma sem antes agradecer de modo pessoal e afetuoso cada um de vocês pelo trabalho com que ajudaram os milhares de peregrinos e os detalhes que ajudaram a fazer dessa Jornada Mundial da Juventude um espetáculo belíssimo", disse. O papa chegou de helicóptero e entrou no pavilhão de papamóvel, sendo aplaudido pelos voluntários.
"Vocês provaram que a maior alegria é dar do que receber", acrescentou. E lembrou que os jovens devem seguir seu caminho, de ter uma família ou o sacerdócio. "Cada um tem seu caminho. Alguns são chamados a ter família, com o sacramento do matrimônio. Há quem diga que hoje o casamento está fora de moda. Está fora de moda?", perguntou o papa. E o público respondeu: não.
Ao final da cerimônia, o pontífice disse que todos podem contar com as orações dele, "pois sei que posso sempre contar com as orações de vocês". Ele orou e abençoou os voluntários.
A notícia que a próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ) será em Cracóvia, na Polônia, foi dada pelo papa Francisco, durante a Missa de Envio, antes da oração do Angelus, e foi recebida com muitos aplausos e alegria pelos fiéis. A missa é a última celebrada por Francisco no Rio. Logo após a oração, muitos gritaram o nome do país e do papa João Paulo II, em cujo pontificado começaram a ser realizadas as jornadas da Juventude.
Papa celebra Missa de Envio em Copacabana
Bandeiras da Polônia são agitadas a todo momento e faixas com o nome de João Paulo II são erguidas pelos que acompanharam a cerimônia. Um grupo de 30 pessoas, que vieram de Varsóvia, comemorou a confirmação da escolha da cidade de Cracóvia para a próxima jornada e convidou os brasileiros a conhecer a Polônia.
Um deles, o padre Krystian Chmiefewski, disse que vai ser difícil fazer uma JMJ melhor que a do Brasil. “Para nós, apesar de tudo, o Rio foi melhor do que Madri e do qua a Alemanha. O espírito do povo, alegre e fácil, inclusive dos motoristas de ônibus, que pararam inúmeras vezes para nos deixar tirar fotos, é uma coisa incrível no Brasil", elogiou Chmiefewski.
O estudante Mikhal Sadownikis, de 18 anos, ressaltou que é difícil imaginar tantas pessoas reunidas na Polônia, mas disse que receberá com a mesma hospitalidade os brasileiros e pessoas de outras naçãoes que forem à próxima jornada. “Estou muito feliz, venham para a minha cidade. Vou recebê-los na minha casa.”
Termina hoje (28), no Rio de Janeiro, a 28ª Jornada Mundial da Juventude, primeiro compromisso fora do Vaticano do qual participa o papa Francisco, desde que assumiu o pontificado em março deste ano. Neste domingo, o ponto alto da programação é a Missa do Envio, que o papa celebra às 10h, na Praia de Copacabana.
A presidenta Dilma Rousseff e ministros de Estado vão assistir à cerimônia, para a qual são esperados também os presidentes Evo Morales, da Bolívia, Cristina Kirchner, da Argentina, Desi Bouterse, do Suriname, e Rafael Correa, do Equador, além dos vice-presidentes do Uruguai, Danilo Astori, e do Panamá, Juan Carlos Varela Rodríguez.
À tarde, o papa almoça com os cardeais e bispos no refeitório do Centro de Estudos do Sumaré. Em seguida, tem encontro com membros da Coordenação do Comitê Episcopal Latino-Americano (Celam), também no Centro de Estudos do Sumaré. Às 16h40, o santo padre deixa a residência do Sumaré, onde ficou hospedado durante a jornada.
Às 17h30, reúne-se com voluntários da jornada no pavilhão 5 do Riocentro, em Jacarepaguá. Às 18h30, participa da cerimônia de despedida na Base Aérea do Galeão e, às 19h, embarca de volta a Roma.
A cerimônia da vigília da Jornada Mundia da Juventude começou há pouco com a chegada do papa Francisco. Centenas de milhares de peregrinos ocupam toda a faixa da praia em torno do palco da celebração. Neste momento, Francisco ouve os testemunhos de alguns jovens.
Antes de chegar ao palco, Francisco percorreu de papamóvel a Avenida Atlântica, do Forte de Copacabana, no Posto 6, até o Leme. No percurso, o papa foi saudade por uma multidão que o saudava e recebia a bênção do pontífice.
A chegada dos peregrinos à Praia de Copacabana para acompanhar a vigília de oração ocorre até agora sem registros de problemas graves. As pistas do Aterro do Flamengo estão fechadas desde as 7 horas da manhã para o trajeto dos fiéis até Copacabana. Na Rua Barata Ribeiro, a movimentação de pessoas ainda é intensa, a maioria carregando saco de dormir. Os organizadores estimam que 3 milhões de pessoas estão na Praia de Copacabana.
Marina Erick levou hoje (27) toda a família e a mãe para ver o papa. Ontem (26), durante a Via Sacra, ela disse que viu o papa Francisco bem de perto. "Eu cheguei às 13h, como fiz ontem. Valeu a pena. Consegui tirar fotos de pertinho", disse emocionada.
Cláudia Subiotto, brasileira que mora há 20 anos nas Ilhas Cayman, no Caribe, trouxe também a família na esperança de ver o papa."Nenhum dos meus filhos é batizado, porque meu marido não é católico. Mas se o papa abençoá-los, com certeza vou batizá-los. Se ele fizer isso será um sinal", disse.
Centenas de manifestantes participam hoje (27) da Marcha das Vadias, na orla de Copacabana, na zona sul da capital fluminense, onde também ocorre a vigília dos peregrinos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Entre as mensagens da marcha estão o fim do preconceito contra homossexuais e o da violência contra as mulheres, além da legalização do aborto.
Vários manifestantes aproveitaram também para criticar a Igreja Católica. Representantes da organização não governamental (ONG) Católicas pelo Direito de Decidir distribuíram uma carta aberta ao papa Francisco pedindo mudanças na Igreja, como o fim da condenação ao aborto e a bênção à união de casais do mesmo sexo. “Viemos fazer um contra-discurso e mostrar que o discurso do papa e do Vaticano não é o único. A gente quer passar essa mensagem para que as pessoas [que participam da JMJ] reflitam e se somem à gente”, disse Kelly de Oliveira, representante da ONG.
A manifestação foi acompanhada de perto por alguns peregrinos da JMJ, que se mostraram indignados. É o caso de Conceição Vilar, que veio da Paraíba para participar do evento católico. “É uma afronta. Eles estão aqui de penetras. Estão tirando a nossa paz e a nossa harmonia. Não há espaço para isso aqui”, disse.
A marcha começou no Posto 5, em Copacabana, e seguiu em direção a Ipanema, para evitar confronto com os peregrinos, que estão concentrados no lado oposto da orla, próximo ao Leme.
O papa Francisco disse hoje (27), em seu discurso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que o momento exige diálogo construtivo, ao se referir às manifestações que ocorrem desde junho em praticamente todas as cidades do país. "Entre a indiferença egoísta e os protestos violentos sempre há uma opção possível: o diálogo, o diálogo entre as gerações, o diálogo entre o povo e todos somos povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce quando suas diversas riquezas culturais dialogam de maneira construtiva."
Ele ressaltou, em espanhol, que é fundamental nesse diálogo a contribuição das grandes tradições religiosas. “A coexistência pacífica entre as diferentes religiões se beneficia da laicidade do Estado, que sem assumir como própria nenhuma posição confessional, respeita e valoriza a presença da dimensão religiosa na sociedade, favorecendo suas expressões mais concretas."
Ao reforçar a defesa do diálogo, o papa Francisco destacou a cultura da humanidade social. "O outro sempre tem algo a me dar, quando sabemos nos aproximar dele, com a atitude aberta e disponível, sem preconceitos. Essa atitude eu a definiria como humildade social, que é a que favorece o diálogo. Ou apostamos na cultura do diálogo ou todos perdemos."
Após o discurso, aplaudido de pé pelos mais de 2 mil convidados, o papa Francisco recebeu cumprimentos e presentes de líderes comunitários e representantes dos vários segmentos da sociedade. A cerimônia terminou com a execução da música tema e do hino da JMJ e com o hino oficial da Cidade do Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa.
De lá, Francisco seguiu em carro fechado para o Centro de Estudos do Sumaré, onde almoça com cardeais do Brasil, a presidência da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e sua comitiva.
Papa acena para fiéis durante passagem por Copacabana - Heitor Feitosa
O papa Francisco disse, há pouco, à multidão reunida na Festa da Acolhida, na orla de Copacabana, que o Rio de Janeiro tornou-se o centro da Igreja nesta semana. Ele agradeceu a presença dos jovens que vieram de longe para vê-lo e aos que queriam ter vindo e não puderam vir para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Estima-se que 1,5 milhão de pessoas participaram do evento.
“Vim aqui ser contagiado com o entusiasmo de vocês. A todos digo, bem-vindos a esta festa da fé”, disse Francisco. Ele agradeceu a hospitalidade dos cariocas e o apoio das autoridades federais, estaduais e municipais. "Os cariocas sabem receber bem e dar uma boa acolhida", enfatizou.
O pontífice saudou também os laicos e a todos os que foram assistir à festa. "Bem-vindos à Jornada Mundial da Juventude, a esta cidade maravilhosa do Rio de Janeiro", completou.
Francisco chegou ao palco da Festa da Acolhida a bordo do papamóvel, que tomou no Forte de Copacabana. No trajeto pela Avenida Atlântica, as milhares de pessoas que o aguardavam não se contiveram e invadiram a pista, cercando o veículo e fotogrando o papa com seus celulares e câmeras digitais. Com simpatia, o papa acenou o tempo todo para a multidão e beijou algumas crianças que foram levadas até ele.
A chegada do papa a Copacabana
Em frente ao palco, a temperatura, em torno de 17 graus Celsius, fria para os padrões cariocas, tornava-se alta para os que encontravam no meio da multidão. Os 4 quilômetros da orla estão tomados por pessoas vindas dos mais diversos países.
As janelas dos prédios localizados em frente à praia estão iluminadas e cheias de curiosos, que acompanham de lá o evento. A quantidade de flashes e bandeiras de diferentes países impressionam. Apesar da multidão presente e da dificuldade para caminhar entre os fiéis, muitos cadeirantes estão na festa, e o clima é de tranquilidade e cordialidade.
Milhares de jovens se reúnem em Copacabana icônico do Rio de Janeiro à beira-mar no Dia Mundial da Juventude - Christophe Simon/AFP
O peruano Miguel Polanco, que veio caminhando de Botafogo até Copacabana, com um grupo de seis amigos, disse que a energia é muito boa e que "vale o sacrifício". Ele chegou a Copacabana às 15h, depois de meia hora de caminhada, na esperança de ver o papa bem de perto.
Moradora de Cambuci, no interior do estado do Rio, Cininha Melo, trouxe um binóculo "para não perder nada" da Festa da Acolhida. “Ganhei [o binóculo] de uma afilhada ontem [24] e já experimentei em casa, dá para ver bem de longe”, disse Cininha, com o binóculo apontado para o palco, onde se encontrava o papa.
A Polícia Militar (PM) mobilizou 1.500 homens para dar segurança ao papa e aos peregrinos na Festa da Acolhida e repetirá o esquema amanhã (26), na Via Crucis, às 18h, também em Copacabana. Este é o maior efetivo usado pela PM em um evento ao ar livre e tem apoio de 30 torres de observação, como ocorre no tradicional réveillon de Copacabana. Além disso, 25 viaturas circulam pelo bairro, apoiadas por 20 motociclistas. Oitenta homens fazem a pé o patrulhamento das ruas que dão acesso à praia.
Todas as unidades do Comando de Operações Especiais participam do esquema, que inclui atiradores de elite posicionados em pontos estratégicos e o auxílio de cães farejadores. FONTE: Agência Brasil
A missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude reuniu cerca de 1 milhão de fiéis na Praia de Copacabana na noite de hoje (23), divulgou a organização do evento católico. Pela estimativa da Polícia Militar, a cerimônia religiosa contou com a presença de 400 mil pessoas.
Um vento frio e uma chuva fina não diminuíram o ânimo dos fiéis. Eles acompanharam toda a celebração e participaram da comunhão. De acordo com os organizadores, cerca de 600 mil hóstias foram distribuídas.
O final da celebração, por volta das 21h, foi um dos momentos em que a chuva ficou mais intensa. Para se proteger, a maior parte dos jovens recorreu a capas, muitas vendidas por ambulantes que circulavam entre os peregrinos.
Após a missa, os Correios lançaram o selo comemorativo da visita do papa Francisco. Ele traz o rosto do pontífice ao lado da paisagem do Rio de Janeiro, além da bandeira brasileira e do símbolo da JMJ.
O secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, representou o papa no lançamento do selo. Ele estava acompanhado do arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, e do presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Wagner Pinheiro de Oliveira.
Ao deixar a Praia de Copacabana, os fiéis enfrentaram filas para embarcar nos ônibus e nas estações do metrô, onde os trens partiam lotados.
O Centro de Operações da prefeitura informou que somente depois das 23h, foi liberada a Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, altura da Rua Rodolfo Dantas, onde os peregrinos deixavam a Praia de Copacabana, após a abertura oficial da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), com show de artistas católicos e a missa.
A rua precisou ser interditada, pouco depois das 21h, devido ao grande volume de pedestres que se dirigiam para a Estação Cardeal Arcoverde do metrô. No momento, o trânsito apresenta retenção na região de Copacabana. Os trens urbanos também circulam lotados agora à noite, com um movimento bem acima do normal.
Artefato classificado como de "baixo potencial lesivo" foi detonado pela Polícia Militar na tarde desta segunda-feira.
Uma bomba caseira foi encontrada nesse domingo (21) no Santuário Nacional de Aparecida, onde o papa Francisco irá celebrar uma missa amanhã (24). O Esquadrão Antibombas do Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar de São Paulo foi chamado e detonou o artefato. Segundo a Polícia Militar (PM), "em nenhum momento, a vida de civis foi colocada em risco".
Em nota, a PM diz que se tratava de um cano aparentemente plástico, envolto em fita adesiva, "um artefato caseiro e de baixo potencial lesivo". O objeto foi encontrado ontem por volta das 11h30 durante um exercício simulado pelas forças de segurança no santuário. A bomba caseira estava no banheiro de um estacionamento.
A nota acrescenta que "episódios semelhantes faziam parte do treinamento das forças de segurança mobilizadas em Aparecida". O papa Francisco já está no Rio de Janeiro, em sua primeira visita ao Brasil. Ele participará, a partir de amanhã, da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Na quarta-feira, o papa deixará o Rio de helicóptero e irá até Aparecida (SP), onde deve chegar às 9h30, para celebrar uma missa e abençoar os fiéis. A visita deve atrair entre 150 mil e 200 mil pessoas.
Em todos os eventos com o papa, são esperadas mais de 1,5 milhão de pessoas. Mais de 20 mil agentes e militares vão trabalhar na defesa e na segurança pública, durante a JMJ, sendo 40 homens da Polícia Federal, que acompanharão o papa em todos os compromissos no Brasil.
Recepção oficial de boas-vindas do Brasil ao Papa Francisco tem a participação de 650 convidados. Do lado de fora, o governo da cidade colocou 1.500 homens e veículos blindados. A presidente Dilma Rousseff, o governador Sergio Cabral e o prefeito Eduardo Paes fizeram as honras da casa e, em seguida, o Papa se dirigiu a uma área do Palácio. Foram tocados o hino do Vaticano e do Brasil, este último acompanhado pelos convidados, enquanto o Pontífice permaneceu de cabeça baixa.
“Com grande alegria, Papa Francisco, dou-lhe as boas-vindas ao Rio de Janeiro e ao Brasil. É uma honra recebe-lo. Uma honra redobrada por se tratar do primeiro papa latino-americano”, disse a presidente Dilma Roussef, no início do discurso. “Sabemos que temos diante de nós, um líder religioso sensível”, também afirmou. Dilma disse que há semelhanças entre as lutas do Papa e dos povos que combatem a exclusão. Citou uma passagem de uma análise do Papa sobre a realidade dos mais pobres e os jovens e garantiu que, nessa questão, está unido ao Pontífice.
Dilma elogiou a parceria com as pastorais católicas no combate às injustiças e a defesa das crianças, jovens e dos direitos de outras sofredores. A presidente contou ao Papa que o Brasil tem colaborado com vários países da África no combate à fome e à pobreza e que esse tipo de iniciativa pode ter ainda mais força na construção de uma aliança global de solidariedade. “Santidade: nós, brasileiros, somos mulheres de homens de fé”, declarou a presidente mesmo considerando que é a fé está além da fé religiosa. A presidente lembrou o Papa que a realização de manifestações dos jovens nas ruas do país são frutos do avanço político do país dizendo que democracia gera mais democracia. Reconheceu que os jovens, cansados da violência, querem dar um basta às discriminações e estar engajados nas grandes lutas mundiais. Dilma considerou que a Jornada Mundial é oportunidade de renovar o compromisso dos jovens com a transformação. E, por fim, saudou o Papa e os jovens do mundo inteiro pedindo que todos se sentissem “em casa”.
Papa Francisco, serenamente, tirou os óculos, cumprimentou a todos e considerou que quis Deus que sua primeira viagem apostólica ao Brasil. “Aprendi que para ter acesso ao povo brasileiro, é preciso entrar no portal do seu coração”. Disse que pede a licença para passar uma semana com o povo brasileiro e que não traz “nem ouro e nem prata”, mas a Jesus Cristo e desejou a paz de Cristo. Cumprimentou as autoridades e diplomatas e dirigiu uma palavra de afeto aos bispos lembrando que essa sua visita outra coisa não quer do que confirmar os irmãos na fé como é a missão do bispo de Roma. “Estes jovens vindos de diversos continentes, falam línguas diferentes” e, em Cristo, encontram as respostas para suas aspirações. “Cristo bota fé nos jovens!” disse, com ênfase, o Papa. E complementou: ˜também os jovens botam fé em Cristo!”.
O Papa lembrou o dito brasileiro de que os filhos são a “menina” dos olhos dos pais. Abrir espaços para o pleno desenvolvimento, dar-lhes valores sobre os quais possam construir a vida e oferecer horizonte de transcendência, foram algumas atitudes que o Papa pediu que todos ofereçam os jovens. Para finalizar, pediu empatia para estabelecer um bom diálogo com todo o Brasil lembrando que o “abraço do Papa” envolve o País inteiro.
Papa Francisco, bem disposto depois de uma viagem longa desde Roma, a bordo do papamóvel sem blindagem realizou um passeio de mais de um quilômetro pelo centro da cidade do Rio de Janeiro. Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, também esteve no carro especial do Papa. Exposto, com visível desespero dos homens de segurança, o Papa saudou milhares de pessoas que estiveram nas imediações da Catedral e do Teatro Municipal. Desde as 9 horas da manhã, vários grupos já se posicionaram em algum ponto das ruas por onde o Papa passou.
A avenida Rio Branco, uma dos cenários das maiores manifestações recentes do povo no Rio de Janeiro, foi percorrida, em parte, pelo papamóvel. A Polícia Militar estimou que mais de 10 mil pessoas estavam presentes nas ruas por onde o Papa passou e o prefeito da cidade, Eduardo Paes, pediu que a população usasse transporte público para facilitar a organização da passagem do Pontífice. Essa é a primeira vez que esse veículo é levado para fora do Vaticano para viagem de um Papa. Esse carro costuma ser usado pelo Papa nas audiências públicas na Praça São Pedro. Estima-se que o carro voltará a ser usado por mais 11 vezes durante essa visita ao Brasil.
Acenando para as pessoas dos dois lados da rua e até no alto dos prédios, o Papa permaneceu sempre simpático e sorridente. Chuvas de papel picado, muitas bandeiras, cantos e saudações tomaram as ruas e o Papa voltou a acolher e beijar várias crianças. Uma senhora que furou o esquema de segurança e tentou se aproximar do carro também foi cumprimentada pelo Papa. Um mar de celulares apontado para o papamóvel o aguardava ao lado do prédio do Teatro Municipal de onde ele desceu para tomar o mesmo carro que o trouxe até a Catedral.Foi levado para uma base para tomar o helicóptero que o levou ao Palácio Guanabara para seu primeiro pronunciamento no Brasil.
O papa Francisco chegou na Base Aérea do Galeão pontualmente às 16h, para sua primeira visita ao Brasil. Ele participará, a partir de amanhã, da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Francisco foi recebido pela presidenta Dilma Rousseff e o vice-presidente, Michel Temer. Também formaram a comitiva de recepção ao papa oito ministros de Estado, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes.
A desembarcar, Francisco beijou duas crianças na testa que lhe recepcionaram com flores. Acompanhado da presidenta, o papa cumprimentou todas as autoridades presidentes, inclusive do Clero. Em seguida, Dilma e Francisco conversaram descontraidamente e cumprimentou pessoas que o aguardavam na Base Aérea do Galeão.
Avião com o pontífice decolou do Aeroporto de Fiumicino, em Roma, às 3h45 desta segunda-feira (horário de Brasília); aeronave deve pousar às 16h no Aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro.
O papa Francisco começou sua primeira viagem internacional. Na manhã desta segunda-feira, 22, às 8h27 (horário de Roma) - 3h27 no horário de Brasília - , o helicóptero do pontífice pousou no aeroporto de Fiumicino, trazendo o Santo Padre para seu vôo.
O avião decolou pontualmente às 8h45, para uma viagem de mais de 12 horas. No aeroporto, as mais altas autoridades italianas, inclusive o primeiro ministro Enrico Letta, se despediram de Francisco.
Durante o trajeto, o papa conversará com jornalistas. O voo está previsto para chegar às 16h desta segunda-feira no Aeroporto Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro.
No Twitter, o papa escreveu:
"Dentro de algumas horas chego ao Brasil, e já sinto o coração cheio de alegria por em breve estar celebrando com vocês a 28a JMJ."
O Comitê Organizador Local (COL) da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) estima o custo total da organização do evento deverá alcançar R$ 350 milhões. De acordo com o COL, cerca de 70% desse custo serão viabilizados por meio de contribuições dos peregrinos, que variam do valor mínimo de R$ 106 ao máximo de R$ 600. O comitê esclareceu ainda que parte do custo vem de doações espontâneas, patrocínios e parcerias, além do licenciamento de produtos que geram divisas para o evento.
Em nota, os organizadores destacam que “a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013 é um evento único, de grandes proporções, e se diferencia pelo aspecto humano, já que busca promover reflexões que visam à construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Serão gerados mais de 20 mil empregos diretos com a realização do evento e estima-se um impacto econômico de mais de meio bilhão de reais. Para sua realização são necessárias inúmeras parcerias. As fontes de financiamento da JMJ vão desde patrocínios privados a doações de pessoas físicas”.
Cerca de R$ 20 milhões foram arrecadados entre patrocínios e eventos promovidos pela JMJ, incluindo a Feijoada JMJ, rifas, venda de produtos. Segundo informou o COL, na Espanha, que foi o último país a receber a Jornada Mundial da Juventude, em 2011, o impacto econômico foi em torno de R$ 920 milhões. O evento gerou 8 mil empregos, sendo 3 mil somente na capital.
O COL acredita que além do aspecto financeiro, a JMJ trará reflexos positivos para o Rio de Janeiro e o Brasil em termos de imagem, o que beneficiará, sobretudo, o turismo.
Em relação aos investimentos efetuados pelo governo federal para o evento, a informação oficial é que os números só serão divulgados após o fechamento da jornada. A assessoria de imprensa da Secretaria-Geral da Presidência da República disse que a maior parte dos recursos está sendo aplicada em segurança, além dos gastos inerentes à recepção do papa como chefe de Estado.
A prefeitura do Rio disse estar trabalhando no planejamento da JMJ há um ano. Sua missão é garantir comunicação, mobilidade, logística, saúde e o bom funcionamento da cidade durante a permanência do papa Francisco. Para garantir o êxito do evento, a administração do município prevê aplicação de cerca de R$ 26 milhões, “através de serviços, logística e planejamento, que incluem desde a urbanização das vias de acesso ao Campus Fidei, limpeza e dragagem do Rio Piraquê, construção de passarelas para os peregrinos, entre outras ações”.
Em nota, o governo fluminense disse ter assumido o compromisso de custear o transporte dos peregrinos e voluntários nos sistemas de trens (Supervia) e metrô, além dos bolsões de recepção de ônibus com peregrinos que vêm de fora da região metropolitana para direcionamento ao seu destino final, conforme for fixado pela prefeitura. O governo estadual comprometeu-se também a custear o evento com o papa Francisco no Palácio Guanabara e o evento de despedida do papa na Base Aérea do Galeão.
“Os custos de transporte serão definidos a partir do número de usuários. Os custos dos bolsões e dos eventos ainda estão sendo orçados. O investimento total do estado está dentro do previsto inicialmente, cujo limite são R$ 26 milhões", diz a nota.
O papa Francisco contará, durante a realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), com um efetivo de segurança de 14 mil pessoas. Destas, 10,2 mil são militares das Forças Armadas e os demais são policiais e agentes dos órgãos de segurança e ordem pública, como da Defesa Civil, da Polícia Civil e soldados do Corpo de Bombeiros. Todos estarão de prontidão para ações de defesa nacional e de segurança pública entre os dias 22 e 28 de julho. Dos 10,2 mil militares das Forças Armadas, 7 mil atuarão no Campus Fidei, onde o pontíficie fará a aparição final.
Na sua viagem ao Brasil, Francisco celebrará uma missa na Basílica de Aparecida, em São Paulo. Durante sua estada, no Rio, ele ficará hospedado na residência do Sumaré.
Essa é a primeira viagem ao exterior do papa. A programação de Francisco é intensa: visita aos moradores da comunidade da Varginha, conversa com presos e concede a bênção para os doentes de uma instituição mantida por doações.
Francisco será recebido pela presidenta Dilma Rousseff; pelo governador do Rio, Sérgio Cabral; pelo prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes; pelo arcebispo do Rio, dom Orani João Tempesta; e pelo arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno Assis. Os deslocamentos serão feitos em um helicóptero.
Desde o dia 15 de junho, o Sistema Brasileiro de Inteligência atua em regime de plantão mapeando potenciais riscos durante os grandes eventos realizados no país, como a Copa das Confederações, encerrada no fim de junho, e a Jornada Mundial da Juventude, que começa daqui a oito dias e terá a presença do papa Francisco. Em um painel digital no Centro de Inteligência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), são atualizadas constantemente as “fontes de ameaça”, a tendência de elas acontecerem durante a jornada e o nível de risco.
Entre os fatores de ameaça estão listados incidentes de trânsito, crime organizado, organizações terroristas, criminalidade comum, movimentos reivindicatórios e grupos de pressão. No Rio de Janeiro, onde ocorre a maioria dos eventos da jornada, o painel da Abin indicava, no dia de hoje (16), um fator com alerta vermelho: o de grupos de pressão, que abrangem movimentos espontâneos, sem hierarquia.
Movimentos reivindicatórios e criminalidade comum apareciam como nível médio, em alerta laranja, dentro da normalidade. Incidentes de trânsito, crime organizado e organizações terroristas têm nível baixo de ameaça, representado pela cor verde.
O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), General José Elito, disse que as análises de risco começaram a ser feitas com um ano de antecedência e que o trabalho também está integrado com as equipes do Vaticano. “Tivemos várias reuniões, foram traçadas várias linhas de ação, hipóteses”, disse o ministro no centro de inteligência integrado.
Em relação à possibilidade, ainda não confirmada, de o papa usar um carro aberto sem vidros blindados durante o percurso que fará no Rio de Janeiro, o ministro disse que o serviço de inteligência trabalhará com ainda mais cuidado para “contrabalançar” o fato de não haver blindagem. “As medidas preventivas vão ter que ser muito mais cuidadosas, mais detalhadas, mas se ele tem esse desejo e está sendo assim colocado, então, certamente está-se olhando minuciosamente o que pode ser feito para evitar uma situação qualquer constrangedora ao papa”.
O general disse que a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude, assim como a Rio+20, são eventos que servem de ensaio e treinamento para a Copa do Mundo e a Olimpíada. Como exemplo de sucesso da atuação do serviço de inteligência, Elito citou a abertura da Rio+20, quando foram detectadas ameaças de blackout em intensidade de mais de 100 vezes por minuto.
“Graças ao centro de cibernética montado, ao centro de segurança da informação montado, à cooperação dos experts daquela área, tudo continuou absolutamente normal. Então, é prevenção, planejamento e integração. É a maneira que temos de amenizar qualquer situação”, disse o ministro.
A Força Nacional de Segurança Pública dará apoio à segurança pública no Rio de Janeiro durante a Jornada Mundial da Juventude, de 23 a 28 de julho, e também nas cidades-sede da Copa das Confederações, entre os dias 15 e 30 de junho. Para a Jornada Mundial da Juventude Católica 2013, a Força Nacional permanecerá no Rio de Janeiro do dia 17 de julho até 5 de agosto, atendendo a solicitação do governo estadual.
O público estimado para a Jornada Mundial da Juventude é de cerca de 2 milhões de pessoas. Para garantir a segurança dos visitantes e da população da cidade, serão mobilizados a FNSP, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Forças Armadas, Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Guarda Municipal da Cidade do Rio de Janeiro.
De acordo com o Ministério da Justiça, o prazo de permanência do efetivo da Força Nacional durante esse evento poderá ser prorrogado.
Fonte: Portal Planalto com informações do Ministério da Justiça