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sábado, 21 de dezembro de 2013

Iniciativa do Unicef esclarece jovens de Fortaleza sobre doenças sexualmente transmissíveis

Com o objetivo de melhorar o acesso de adolescentes e jovens aos serviços de saúde e garantir o diagnóstico precoce de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como aids, sífilis e hepatite B, uma unidade móvel percorre diversos bairros de Fortaleza (CE), oferecendo atendimento multiprofissional gratuito. A iniciativa é a primeira etapa do projeto Fique Sabendo Jovem, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza. O organismo da ONU pretende firmar parcerias com gestores de outros municípios e levar as ações para várias cidades do país.
De acordo com a oficial de programas do Unicef, Tati Andrade, que coordena o projeto em Fortaleza, a proposta é alcançar jovens que, em geral, não procuram os serviços tradicionais por vergonha ou medo de um possível resultado positivo nos exames de doenças sexualmente transmissíveis. Ela esclarece que o aumento no número de casos de contaminação por HIV entre essa parcela da população preocupa autoridades e profissionais ligados à área.
"Isso é preocupante porque, com os medicamentos disponíveis atualmente, é possível lidar razoavelmente bem com os efeitos colaterais da doença e de seu tratamento, mas o tratamento precisa ser iniciado precocemente. Pelo relato dos próprios jovens, percebemos que o maior problema nessa questão é o preconceito, notamos que eles viveriam muito melhor se não houvesse isto", disse ela. Tati Andrade acrescentou que o cronograma do projeto vai promover ações voltadas a adolescentes que cumprem medidas socioeducativas e estudantes da rede pública de ensino.
Ainda segundo a oficial de programas do Unicef, o ônibus do Fique Sabendo Jovem conta com uma sala de pré-aconselhamento, onde os profissionais orientarão os jovens sobre direitos sexuais e reprodutivos e uma sala onde serão feitos testes para diagnosticar possíveis DSTs. Caso recebam resultado positivo, eles serão levados a uma terceira sala, de pós-aconselhamento. "Quando isso acontecer, os profissionais vão acompanhar o jovem, orientá-los sobre os próximos passos, sobre onde buscar auxílio médico e medicamentos. Eles também terão a oportunidade de conversar com outros jovens que vivem com HIV e que podem ajudar nesse processo", disse.
Leandro Costa, 26 anos, recebeu o diagnóstico positivo para HIV há dois anos e é ativista do projeto em Fortaleza. Após ter participado das duas ações do Fique Sabendo Jovem, ele diz ter comprovado, na prática, a eficácia da comunicação feita de jovem para jovem. "No ônibus tem uma equipe multiprofissional, com enfermeiro, psicólogo, assistente social, mas muitos dos jovens que recebemos preferem falar e tirar suas dúvidas conosco, que somos jovens como eles. Conversamos claramente e de forma objetiva sobre prevenção, importância do uso do preservativo entre outras coisas. Quase não há resistência, porque falamos a mesma linguagem", disse.
Dados do Unicef apontam que o número global de mortes de adolescentes em razão da aids subiu quase 50% entre 2005 e 2012, em forte contraste com a queda de 30% registrada no mesmo período, considerando a população mundial. Ainda segundo o Fundo, somente em 2012, cerca de 110 mil pessoas entre 10 e 19 anos com aids morreram em todo o mundo. Em 2005, o número era 71 mil.
De acordo com o organismo da ONU, na próxima fase, no ano que vem, o projeto será implementado em cidades do Sul. É também nessa Região que o Ministério da Saúde vai testar uma nova estratégia para prevenir a infecção pelo HIV com o uso de remédio, a partir de 2014. Por meio de um projeto-piloto, as unidades de saúde do Rio Grande do Sul disponibilizarão antirretrovirais para grupos vulneráveis ao contato com o vírus. A medida foi anunciada em 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids. Na mesma data, a pasta também anunciou mudanças no atendimento a pessoas portadoras do HIV. Para reduzir as possibilidades de transmissão e oferecer melhor qualidade de vida ao paciente, a partir de agora, assim que a pessoa for diagnosticada com o vírus, ela receberá o tratamento imediato na rede pública. A estimativa é incluir mais 100 mil pessoas no tratamento, em 2014, com a mudança de protocolo.
FONTE: Agência Brasil

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Unicef lança no Brasil projeto que oferece teste de DST para jovens

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lança no sábado (14) o projeto Fique Sabendo Jovem, em Fortaleza. Trata-se de uma iniciativa pioneira no mundo, voltada para jovens de 15 a 24 anos. Em uma unidade móvel, profissionais de saúde farão testes rápidos para detectar doenças sexualmente transmissíveis (DST), como HIV e sífilis.

A Unicef vai documentar a experiência para que o projeto seja ampliado para todo o Brasil e outros países. O Ministério da Saúde já promove no Brasil a campanha Fique Sabendo, voltada para a população como um todo. Esse evento faz parte da Mobilização Nacional de Prevenção e Testagem para Sífilis, HIV e hepatites B e C.

Os profissionais do Fique Sabendo Jovem também estarão à disposição para conversar sobre questões sexuais. O foco principal será a população de risco ampliado, da qual fazem parte pessoas que têm relações sexual com outras do mesmo sexo e aquelas exploradas sexualmente. Serão contemplados também os jovens que cumprem medidas socioeducativas. O projeto prevê ações nas escolas.

"O diferencial desse projeto é a participação do jovem, não só na elaboração, porque [os participantes] também vão trabalhar na unidade móvel e na unidade de saúde. Eles vão fazer com a equipe de saúde o acolhimento do jovem. Eles também têm um papel fundamental na divulgação", diz a coordenadora do Programa HIV/Aids do Unicef no Brasil, Cristina Albuquerque.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2012, havia cerca de 530 mil pessoas infectadas pelo HIV, sendo que 130 mil desconheciam a situação. No mesmo ano, a porcentagem de pessoas infectadas que fazem o diagnóstico precoce para o HIV subiu de 32% para 37%.

O anúncio foi feito hoje (10) no Fórum Mundial de Direitos Humanos, que ocorre em Brasília até sexta-feira (13). O encontro inclui conferências, debates temáticos e atividades que contarão com a presença de autoridades, intelectuais e profissionais reconhecidos internacionalmente. O objetivo é promover uma reflexão sobre o tema direitos humanos. O evento recebeu mais de 10 mil inscrições.

FONTE: Agência Brasil

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Pneumonia e diarreia matam 5 mil crianças por dia no mundo

As maiores causas de morte entre crianças com menos de 5 anos de idade no mundo são pneumonia e diarreia. Essas duas doenças são responsáveis por 17% e 9% das mortes nessa faixa etária, respectivamente, resultando em um total de 5 mil mortes diárias. Os dados são do Relatório de Progresso 2013 sobre o Compromisso com a Sobrevivência Infantil: Uma Promessa Renovada, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado hoje (13).  
 
A ocorrência dessas doenças, segundo o Unicef, é altamente concentrada. "São doenças dos pobres e sua distribuição é altamente concentrada, com cerca de três quartos das ocorrências de mortes por pneumonia e diarreia em apenas 15 países", informou o relatório. Para o fundo, o principal problema - e, ao mesmo tempo, a principal vantagem - é que as causas de mortalidade infantil podem ser evitadas com medidas relativamente simples, acessíveis à maioria dos países, independentemente de níveis de renda. 
 
No caso da pneumonia, o país que registra mais mortes pela doença é a Índia, seguida pela Nigéria, pelo Congo e o Paquistão. Os casos de diarreia estão fortemente concentrados na África, onde a maioria dos países tem mais de 10% de mortes de crianças abaixo dos 5 anos causadas pela doença. De acordo com o Unicef, a principal causa da diarreia no continente é o rotavírus - responsável por 28% dos casos. 
 
Outra doença considerada pelo Fundo uma das principais causas de mortalidade infantil é a malária, que mata por dia 1,2 mil crianças com menos de 5 anos - 7% do total. O foco dos casos de malária é a África Subsaariana, com destaque para a Nigéria e o Congo, com os maiores índices de mortalidade pela doença. A Tanzânia e o Benin também se destacam como países com os menores indicadores de proteção das crianças contra o mosquito transmissor - mais de três quartos delas não dormem com tela de proteção, conhecida como mosquiteiro - considerado o método mais efetivo de prevenção à doença.  
 
Fatores como complicações nos primeiros 28 dias de vida (período neonatal), desnutrição e o vírus HIV são causas apontadas também como importantes para a morte de crianças abaixo dos 5 anos. Para o Unicef, a educação da mãe, o acesso à saúde, a higiene, o saneamento básico e a imunização por meio de vacinas são mecanismos por meio dos quais pode haver redução das taxas de mortalidade.

FONTE: Agência Brasil

Mortalidade infantil no Brasil cai 77% em 22 anos, aponta Unicef

A mortalidade infantil no Brasil caiu 77% entre 1990 e 2012, de acordo com o Relatório de Progresso 2013 sobre o Compromisso com a Sobrevivência Infantil: Uma Promessa Renovada, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo o estudo, em 1990, a taxa de mortalidade infantil no Brasil era 62 para cada mil nascidos vivos. Em 2012, o número caiu para 14,  o que coloca o país em 120º lugar no ranking entre mais de 190 países. A lista é decrescente e quanto mais à frente, maior o índice de mortalidade.
A taxa de mortalidade infantil calcula a probabilidade de morte entre o nascimento e os 5 anos de idade a cada mil nascimentos. Ela compõe a expectativa de vida ao nascer, que faz parte do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e é um dos indicativos mais usados para mensurar o desenvolvimento dos países e nortear a elaboração de políticas púbicas.
O Brasil teve melhora em todos os índices apurados. No ranking do Unicef, o país está atrás de outros desenvolvidos como Finlândia, Japão, Cingapura, Noruega e Islândia – primeira colocada no ranking. Os cinco países com os piores índices de mortalidade infantil estão no continente: Serra Leoa, Angola, Chade, Somália e Congo.
FONTE: Agência Brasil

segunda-feira, 22 de julho de 2013

UNICEF: 30 milhões de meninas podem sofrer mutilação genital na próxima década

Menina etíope sofreu mutilação genital quando tinha
1 ano de idade. Foto: UNICEF/Kate Holt
Trinta milhões de meninas correm o risco de sofrer mutilação genital/excisão na próxima década, alerta relatório lançado nesta segunda-feira (22) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). A pesquisa foi feita em 29 países da África e do Oriente Médio onde a prática ainda persiste.
O documento “A Mutilação Genital Feminina/Excisão: Uma visão estatística e exploração da dinâmica de mudança” aponta que há um conflito entre a opinião das pessoas e o peso da tradição, acentuado pela falta de comunicação sobre o tema.
Enquanto a mutilação genital feminina foi praticamente abandonada por alguns grupos e países, ela permanece arraigada em muitos outros, mesmo quando há legislação contra a prática.
A MGF/E permanece quase universal na Somália, na Guiné, no Djibuti e no Egito, com mais de 90% das mulheres e meninas entre 15 e 49 anos sendo mutiladas. Por outro lado, a prática tem diminuído em Benin, no Iraque, Libéria, Nigéria, Quênia, República Centro-Africana e na Tanzânia.
O relatório observa que embora a legislação contra a mutilação genital seja bem-vinda, medidas complementares são necessárias. Ele recomenda que haja um debate público sobre o tema e ressalta que a educação tem um importante papel para acabar com essa atividade.
Existem atualmente 125 milhões de meninas e mulheres que foram submetidas à mutilação genital, que consiste no corte de parte ou de toda a genitália externa da mulher. A prática é reconhecida mundialmente como uma violação dos direitos humanos e não tem benefícios para a saúde, provoca dor intensa e tem várias consequências imediatas e de longo prazo para a saúde, de acordo com agências da ONU.
Desde 2008, cerca de 10 mil comunidades em 15 países, representando cerca de 8 milhões de pessoas, pararam com a mutilação feminina. Em dezembro de 2012, uma resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas pediu que os Estados-Membros intensifiquem os esforços para eliminar a prática. Além disso, cerca de 1.775 comunidades em toda a África declararam publicamente seu compromisso de acabar com a mutilação feminina no ano passado.

FONTE: UNICEF

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Unicef diz que combate à desnutrição infantil deve ser prioridade

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) definiu hoje (10), durante conferência em Londres, no Reino Unido, que a prioridade mundial deve ser o combate à desnutrição infantil. Os especialistas disseram que, ao combater a desnutrição, as autoridades mundiais também reduzirão os casos de raquitismo e doenças associadas à baixa alimentação.
O diretor executivo do Unicef, Anthony Lake, ressaltou que o raquitismo impede a capacidade de a criança aprender, negando a ela o direito de ter um “futuro decente capaz de contribuir para a prosperidade de sua comunidade”.
A conferência é organizada pela Fundação de Investimentos para as Crianças, com o apoio dos governos do Brasil e do Reino Unido. Especialistas debatem o tema Nutrição para o Crescimento. Os participantes buscam reunir um total de US$ 4 bilhões para melhorar a nutrição de crianças, grávidas e mulheres amamentam no mundo.
O estudo Evolução da Desnutrição Infantil no Brasil e o Alcance da Meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, divulgado pelo Ministério da Saúde, em fevereiro, mostra que o Brasil apresenta queda da desnutrição nas últimas décadas. O déficit de peso ideal para a idade foi superado entre as crianças menores de 5 anos e o de altura deve seguir a mesma tendência nos próximos dez anos, de acordo com a publicação.
Porém, o estudo alerta que ainda há “importantes desigualdades, como as diferenças entre as regiões geográficas, as classes de renda e os grupos populacionais”. A Região Norte ainda apresenta elevada prevalências de déficit de altura e de peso.
FONTE: Agência Brasil

sábado, 1 de junho de 2013

Relatório do Unicef aponta exclusão da criança com deficiência


Crianças com deficiência têm menos oportunidades e menos acesso a recursos e serviços que as demais crianças, aponta o relatório "Situação Mundial da Infância 2013 - Crianças com Deficiência", do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A exclusão não está restrita a um setor específico, mas fere direitos básicos, como o acesso à educação e à saúde.
"Para um número imenso de crianças com deficiência, a oportunidade de participar simplesmente não existe. Com enorme frequência, crianças com deficiência estão entre as últimas a receber recursos e serviços, principalmente nos locais onde tais recursos e serviços já são escassos. Com enorme constância, são objeto simplesmente de pena ou, ainda pior, de discriminação e abusos", aponta o texto do relatório escrito pelo diretor executivo do Unicef, Anthony Lake.
A exclusão das crianças leva à invisibilidade. "São poucos os países que dispõem de informações confiáveis sobre quantos de seus cidadãos são crianças com deficiência, quais são suas deficiências ou de que forma essas deficiências afetam sua vida", diz o relatório. Essa invisibilidade impede que políticas públicas adequadas sejam desenvolvidas.

O Unicef utiliza a estimativa de que 93 milhões de crianças no mundo, ou uma em cada 20 crianças com 14 anos de idade ou menos, vivem com algum tipo de deficiência moderada ou grave (O Unicef utiliza o número com a ressalva de que a definição de deficiência varia de país para país). No Brasil, 29 milhões de crianças até os 9 anos de idade declaram ter algum tipo de deficiência, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
No país, entre os atendidos pelo Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) - que garante um salário mínimo mensal a idosos a partir de 65 anos e a pessoas com deficiência de qualquer idade com renda familiar per capita inferior a um quarto do salário mínimo - pouco mais da metade em idade escolar está na escola. Do total de 409.202 beneficiários com deficiência até 18 anos em 2010, 216.890 (53%) estavam na escola. O número significa um progresso, pois em 2008, o percentual era de apenas 29%.

Confira a íntegra do relatório:

"A inclusão ainda é um grande desafio no Brasil, que enfrenta a falta de programas, de tratamento especializado e políticas públicas para o setor. Existem instituições que visam pura e simplesmente o acolhimento das crianças com deficiência, mas existem poucas instituições e serviços que trabalhem para a inclusão e desenvolvimento da autonomia dessas crianças", comenta o advogado e membro do Movimento Nacional de Direitos Humanos e conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Ariel de Castro Alves.
A exclusão ainda é maior entre os de baixa renda. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que constam no relatório, mostram que em países de baixa renda apenas entre 5% e 15% das pessoas que necessitam de tecnologia assistiva conseguem obtê-la. Nesses países, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), os custos econômicos da deficiência variam entre 3% e 5% do Produto Interno Bruto (PIB). "De maneira geral,famílias com membros com deficiência têm renda mais baixa e correm maior risco de estar abaixo da linha da pobreza do que outras famílias", diz o texto.
Para cumprir a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU), ratificada pelo Brasil, o país lançou em 2011 o programa Viver sem Limite, que prevê a articulação de políticas governamentais de acesso à educação, inclusão social, atenção à saúde e acessibilidade. O Plano Viver sem Limite envolve todos os entes federados e prevê um investimento de R$ 7,6 bilhões até 2014.
O relatório do Unicef mostra também uma diminuição na taxa de mortalidade infantil brasileira. O país está na 107ª posição no ranking mundial de maior taxa de mortalidade, com 16 mortes de crianças até 5 anos a cada mil nascidas vivas. De acordo com o Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade infantil vem apresentando tendência constante de queda, com uma redução de 26,6 óbitos infantis por mil nascimentos em 2000 para 16,2 óbitos por mil nascimentos em 2010, o que representa uma diminuição de 39% neste período.
FONTE: Agência Brasil/Unicef Brasil

sábado, 18 de maio de 2013

Rede ligada à Unicef promove ações em defesa de crianças e adolescentes


Preocupada com o possível aumento dos casos de violação dos direitos de crianças e adolescentes durante os eventos esportivos que o Brasil vai receber nos próximos anos, a Rede de Adolescentes e Jovens pelo Esporte Seguro e Inclusivo (Rejupe), ligada ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), está promovendo a partir de hoje (18) diversas ações nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. A iniciativa faz parte das mobilizações do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, neste sábado (18).
Estima-se que aproximadamente 600 mil turistas circulem pelo país durante os jogos da Copa do Mundo.
Segundo o coordenador do programa do Unicef Cidadania dos Adolescentes, no Brasil, Mário Volpe, o objetivo das ações do Rejupe é dar visibilidade aos riscos a que estão expostos meninas e meninos e reforçar a importância de se denunciar situações de violência sexual. A rede foi criada em 2011 para garantir que jovens lideranças contribuam para a construção de um legado social positivo a partir dos eventos esportivos.
Considerado um crime pouco visível, o que dificulta a responsabilização dos agressores, a violência sexual contra crianças e adolescentes deve ser combatida, na avaliação de especialistas, principalmente com ações de prevenção.
“Nessas épocas, teremos grande circulação de pessoas em várias cidades, os hotéis ficarão lotados, e o controle dos locais onde ocorre o abuso será mais complexo. Por isso é importante reforçar as campanhas que alertam para o fato de que esse tipo de exploração é crime”, explicou.
“É preciso sinalizar de todas as formas que o Brasil está atento e comprometido com a defesa de crianças e adolescentes, fazendo todo mundo compreender que o país não tolera nenhum tipo de violação em relação a eles, passando pelo taxista que vai receber os turistas, por quem vai hospedá-los, pelos donos de restaurantes e pelos próprios turistas”, acrescentou.
Mário Volpe disse, ainda, que além das ações que ocorrerão em razão do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, mais atividades com o mesmo objetivo estão sendo planejadas para a abertura da Copa das Confederações, em 15 de junho, e para o dia 12 de outubro, quando se comemora o Dia das Crianças.
“O Brasil avançou muito nos últimos anos nesse tema, mas é preciso reforçar os mecanismos de prevenção que colocam o país em alerta para proteger crianças e adolescentes e assegurar que eles também participem desses eventos com alegria, de forma lúdica, sem serem negligenciadas”, ressaltou.
Em uma das ações para marcar o dia de combate, jovens da Rejupe em São Paulo estão divulgando em redes sociais, a partir de hoje (18), o vídeo do flash mob (mobilização geralmente combinada pela internet que reúne um grupo de pessoas em um lugar público para chamar a atenção para determinada causa) que fizeram esta semana na Avenida Paulista.

Flash mob contra a exploração sexual de crianças e adolescentes
De acordo com o educador Rafael Alves, integrante da Rejupe em São Paulo, cerca de 40 jovens criaram e fizeram uma dança em que cada passo representa uma modalidade esportiva.
“Como não teríamos como veicular um vídeo como esse em grandes veículos, pensamos nas redes sociais pelo grande alcance que elas têm. Ao final do vídeo, após a dança, quando todos estão focados apenas no esporte, uma menina, vítima de exploração sexual, tenta sem sucesso chamar a atenção das pessoas”, explicou.
Alves acredita que o vídeo vai ajudar a sociedade a compreender que não se pode, em razão da euforia e da mobilização com os eventos esportivos, fechar os olhos para esse tipo de violação que ocorre todos os dias.
Também com o objetivo de mobilizar a população para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes, o Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR) lançaram, na última quarta-feira (15), a campanha "Faça bonito, proteja nossas crianças". 
A estimativa é que mais de 3 mil municípios em todo o país participem de mobilizações em torno da data, que incluem palestras, workshops e caminhadas.
Durante o lançamento da campanha, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse que a população brasileira se mostra cada vez mais consciente em relação à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Em 2012, a Secretaria de Direitos Humanos registrou 130.029 denúncias de violência contra crianças e adolescentes, por meio do Disque 100. O serviço de proteção, vinculado ao Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes da SDH, funciona diariamente das 8h às 22h, inclusive nos fins de semana e feriados. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização, de acordo com a competência e as atribuições específicas, no prazo de 24 horas. O sigilo da identidade do denunciante é garantido.

FONTE: Agência Brasil

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Unicef aponta descompasso entre ensino e realidade de adolescentes no Brasil



A coordenadora do Programa de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Maria de Salete Silva, avalia que há, no país, um descompasso entre o que é ensinado nas escolas e a realidade dos adolescentes. Para ela, isso explica o elevado índice de evasão escolar entre jovens.
“Por que você mata aula?”, perguntou a coordenadora a um adolescente que não queria frequentar a escola. O jovem respondeu: “Eu não mato aula, a escola que me mata”. “Que menino de 16 anos vai querer estudar em uma turma com menino de 12? O que temos que fazer é garantir que ele percorra esse fluxo aprendendo”, defendeu Salete.
De acordo com ela, há uma “desvinculação da escola com o projeto de vida do estudante”. “Não se trata propriamente de desinteresse, mas a vida coloca questões que não estão envolvidas com a escola”. Segundo Salete, para enfrentar esse desafio, as instituições de ensino devem trabalhar para a “construção da história de vida” e não apenas mandar estudantes para a universidade ou o mercado de trabalho.
Divulgada no 14º Fórum de Dirigentes Municipais de Educação da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a publicação Fora da Escola Não Pode! – O Desafio da Exclusão Escolar indica que, entre os adolescentes que abandonam os estudos, a fase mais crítica ocorre a partir dos 15 anos de idade.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011, com 6 anos, 95,4% das crianças brasileiras frequentavam a escola. Com 12 anos, a proporção de meninos e meninas que concluíram os anos iniciais do ensino fundamental no Brasil era 76,2%. A porcentagem diminui com o aumento da idade: 62,7% dos adolescentes com 16 anos concluíram o ensino fundamental. Entre os jovens de 19 anos, apenas 48,7% terminaram o ensino médio.
O Censo 2010 mostra que o percentual de jovens de 18 a 24 anos que não concluíram o ensino médio e que não estudavam chegava a 36,5%. Mais da metade (52,9%) abandonaram os estudos sem completar o ensino fundamental.
Outra questão levantada no estudo é a formação dos professores. Na educação infantil, 43,1% dos docentes não têm curso superior. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o percentual é 31,8% e, nos anos finais, 15,8%. No ensino médio, o índice cai para 5,9%. “A qualificação dos professores é uma grande barreira para garantir a oferta de uma educação de qualidade aos estudantes brasileiros”, diz a publicação.
Entre grupos específicos, o estudo aponta que as crianças e os adolescentes mais atingidos pela exclusão escolar são aqueles que moram em áreas rurais, os negros, os índios, os pobres, os que estão sob risco de violência e exploração e os com deficiência. Isso indica, de acordo com a publicação, que “as desigualdades ainda existentes na sociedade brasileira impactam diretamente o sistema educacional do país”.
“É preciso desafiar os dirigentes a trabalharem junto com as políticas públicas, tem muitas que podem ajudar. Tem que formar professor e escola”, diz Salete.
O 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da Undime vai até sexta-feira (17), na Costa do Sauípe (BA). O encontro é o primeiro depois das eleições municipais de 2012. Ao todo foram feitas mais de mil inscrições de secretários de Educação, técnicos e educadores de todo o país.
FONTE: Agência Brasil

sexta-feira, 22 de março de 2013

Falta de água de qualidade mata uma criança a cada 15 segundos no mundo, revela Unicef

A cada 15 segundos, uma criança morre de doenças relacionadas à falta de água potável, de saneamento e de condições de higiene no mundo, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Todos os anos, 3,5 milhões de pessoas morrem no mundo por problemas relacionados ao fornecimento inadequado da água, à falta de saneamento e à ausência de políticas de higiene, segundo representantes de outros 28 organismos das Nações Unidas, que integram a ONU-Água.

No Relatório sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, documento que a ONU-Água divulga a cada três anos, os pesquisadores destacam que quase 10% das doenças registradas ao redor do mundo poderiam ser evitadas se os governos investissem mais em acesso à água, medidas de higiene e saneamento básico. As doenças diarreicas poderiam ser praticamente eliminadas se houvesse esse esforço, principalmente nos países em desenvolvimento, segundo o levantamento. Esse tipo de doença, geralmente relacionada à ingestão de água contaminada, mata 1,5 milhão de pessoas anualmente.

No Brasil, dados divulgados pelo Ministério das Cidades e pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico, mostram que, até 2010, 81% da população tinham acesso à água tratada e apenas 46% dos brasileiros contavam com coleta de esgotos. Do total de esgoto gerado no país, apenas 38% recebiam tratamento no período.

Há poucos dias, a organização da sociedade civil Trata Brasil divulgou levantamento que confirma a relação entre a falta de saneamento e acesso à agua potável e os problemas de saúde que afetam principalmente as crianças. O Ranking do Saneamento levantou a situação desse serviço  nas 100 maiores cidades do país, considerando a parcela da população atendida com água tratada e coleta de esgotos, as perdas de água, investimentos, avanços na cobertura e o que é feito com o esgoto gerado pelos 77 milhões de brasileiros dessas localidades (40% da população brasileira).

O levantamento mostrou que a política em “grande parte das maiores cidades do país avança, mesmo lentamente, nos serviços de saneamento básico, sobretudo no acesso à água potável, à coleta, ao tratamento dos esgotos e à redução das perdas de água”.

Os pesquisadores destacaram, porém,  que existe um número expressivo de municípios de grande porte que não avançaram nesses investimentos.

De acordo com os pesquisadores, do volume de esgoto gerado nas 100 cidades, somente 36,28% são tratados, ou seja, apenas nas cidades analisadas, quase 8 bilhões de litros de esgoto são lançados todos os dias nas águas sem nenhum tratamento. “Isso equivale a jogar 3.200 piscinas olímpicas de esgoto por dia na natureza”.

Os órgãos das Nações Unidas revelam que, no mundo, o despejo de 90% das águas residuais em países em desenvolvimento – em banhos, cozinha ou limpeza doméstica – vão para rios, lagos e zonas costeiras e representam ameaça real à saúde e segurança alimentar no mundo.

Pelo ranking da Trata Brasil, o índice médio em população atendida com coleta de esgoto nas 100 cidades pesquisadas pela organização foi 59,1%. A média do país, registrada em 2010, era 46,2%. A boa notícia é que 34 cidades apresentaram índice de coleta de esgoto superior a 80% da população e apenas cinco municípios (Belo Horizonte, Santos, Jundiaí, Piracicaba e Franca) tinham 100% da coleta de esgoto em funcionamento.

Trinta e dois municípios se encontram na faixa de sem coleta a 40% de coleta e 34 cidades têm entre 41% e 80% da cobertura de coleta de esgoto. “Ou seja, na maioria dos municípios analisados ainda está distante a universalização dos serviços de coleta de esgoto”, destaca o estudo.

A análise da organização não governamental destacou que vários fatores influenciam na ocorrência das diarreias, como a disponibilidade de água potável, intoxicação alimentar, higiene inadequada e limpeza de caixas d'água. O estudo mostrou a relação direta entre a abrangência do serviço de esgotamento sanitário e o número de internações por diarreia. De acordo com o levantamento, em 2010, em 60 das 100 cidades pesquisadas os baixos índices de atendimento resultaram em altas taxas de internação por diarreias.

Nas 20 melhores cidades em taxa de internação (média de 17,9 casos por 100 mil habitantes), a média da população atendida por coleta de esgotos era 78%, enquanto nas dez piores cidades em internações por diarreia (média de 516 casos por 100 mil habitantes), a média da população atendida por coleta de esgotos era somente 29%.

FONTE: Carolina Gonçalves, da Agência Brasil