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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Sem regra sobre perda de mandatos, Renan promete devolver condenações ao STF

O presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou nesta terça-feira (3) que não cabe a nenhuma das Casas do Legislativo rever, repetir ou validar sentenças judiciais aplicadas a parlamentares. A declaração foi dada em meio a um debate no Plenário sobre de quem é a responsabilidade por declarar a perda de mandato do parlamentar condenado em definitivo: ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou a cada uma das casas do Congresso.
- Os Poderes são autônomos. Nós vamos apreciar, entre os dias 16 e 20 de setembro, a proposta de emenda à Constituição do senador Jarbas Vasconcelos [PMDB-PE] que estabelece a perda automática de mandato para o parlamentar condenado, com sentença transitada em julgado. Antes disso, qualquer decisão [do STF] nessa direção nós vamos devolver, porque, se a pessoa não tem direito político, como é que ela pode exercer um mandato, ser mandatária do povo? Não dá mais para conviver, absolutamente, com isso - disse Renan.
A polêmica foi motivada pela decisão da Câmara dos deputados de manter o mandato de Natan Donadon (sem partido-RO), condenado pelo STF a 13 anos por peculato e formação de quadrilha. Ele está preso desde 28 de junho no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. No dia 28 de agosto, o processo de cassação de Donadon foi a Plenário em votação secreta, já sob jurisprudência firmada pelo Supremo no dia 8 de agosto. Na sessão do STF em que foi julgado, e condenado, o senador Ivo Cassol (PP-RO), seis ministros da Corte votaram a favor da tese de que caberia a cada casa do Congresso cassar deputado ou senador atingido por sentença condenatória. Quatro votaram pela perda automática, juízo idêntico ao emitido durante o julgamento do Mensalão.
Na segunda-feira (2), uma liminar concedida pelo ministro do STF Luiz Roberto Barroso suspendeu os efeitos da votação da Câmara, que soou, para todo o país, como a absolvição pelo Legislativo de um parlamentar condenado pelo Supremo. A medida tomada por Barroso tem caráter provisório, ou seja, o colegiado do Supremo terá a palavra final sobre a legalidade, ou não, da sessão que manteve o mandato de Donadon. A despeito da posição que adotou no julgamento de Cassol, o ministro explicou na argumentação da liminar que a perda deve ser automática quando o período de condenação supera o tempo restante de mandato, inviabilizando a continuidade do exercício do cargo.
Cassol foi condenado a quatro anos e 8 meses, em regime semiaberto, acusado de fraudar licitações. Mas o parlamentar alega inocência e vai recorrer da decisão.
Por três vezes, Renan garantiu que, enquanto estiver na Presidência do Senado, qualquer decisão do STF transitada em julgado não será submetida à revisão, mas defendeu o estabelecimento de uma regra clara sobre a perda de mandato, justamente com a votação da PEC 18. Questionado sobre a possibilidade de uma votação semelhante à da Câmara no caso do senador Ivo Cassol, o presidente do Senado afirmou que é preciso esperar até que a decisão do Supremo transite em julgado, ou seja, até que não haja mais possibilidade de recurso.
Repercussão entre os senadores
O senador Wellington Dias (PT-PI) reconheceu que a decisão da Câmara “causa constrangimento à nação”, mas manifestou preocupação com uma possível interferência do Judiciário no Legislativo.
Já na opinião do senador Walter Pinheiro (PT-BA), o Congresso não pode mais ficar entrando em “querelas” com o Judiciário.
O parlamentar petista manifestou apoio à PEC 18/2013. Para ele, a Justiça tem mais meios de apurar denúncias do que o Congresso, onde o julgamentos se dão sob o prisma político.
Na mesma linha, o senador Pedro Taques (PDT-MT) apoiou a PEC 18 e classificou a manutenção do mandato de Donadon como "um absurdo”. Ele também criticou a decisão do ministro Barroso, dizendo que a liminar é "uma alquimia jurídica”.
- O ministro está criando uma Constituição só pra ele; uma Constituição pra chamar de 'minha' - disse Taques, ressaltando que respeita a "alta capacidade técnica" do ministro, conduzido recentemente ao Supremo com a aprovação do Senado.
Para o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), a Casa deve fazer “gestões firmes” no sentido de que a Câmara dos Deputados aprove a PEC do voto aberto no caso da cassação de parlamentar. Ele chegou a sugerir que os líderes partidários condicionem a aprovação, no Senado, do orçamento impositivo à aprovação da PEC do voto aberto. O senador defendeu o fim do voto secreto para todas as proposições no Legislativo.
- A população brasileira quer saber como vota seu representante no Congresso Nacional – afirmou Rollemberg.
O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) disse nunca ter visto um episódio tão constrangedor para o Parlamento quanto a sessão que manteve o mandato de Donadon. O senador Cyro Miranda (PSDB-GO) foi na mesma linha e classificou a decisão da Câmara como um ato “extremamente constrangedor”.
Para o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), os homens públicos precisam "mais de ações do que de retórica". A PEC 18 e o fim do voto secreto seriam medidas práticas que o Congresso poderia tomar, na avaliação dele. A manutenção do mandato de Donadon, no ver de Randolfe, atinge todo o Parlamento.
Voto aberto
Quanto às cobranças em prol do voto aberto, instituto que teria evitado, no entender de muitos senadores, a permanência de Donadon como deputado, Renan disse que seria mais razoável a Câmara aprovar primeiro a PEC 86/2007, do senador Alvaro Dias. A proposta prevê o voto aberto exclusivamente nos processos de perda de mandato de deputados e senadores.
- Em oito dias, essa emenda poderia ser promulgada - observou.
Num segundo momento, conforme argumentou, as possibilidades de voto aberto poderiam ser ampliadas por meio da aprovação da PEC 20/2013, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que acaba com o voto secreto em qualquer situação.
No início da noite, a Câmara aprovou em segundo turno a PEC 349/2001, que prevê o voto aberto em todas as votações, nas duas Casas do Congresso. No entanto, como é originária da Câmara, a proposta ainda terá de passar por exame, em dois turnos, no Senado, antes de ser promulgada.
FONTE: Agência Senado

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Renan: líderes decidirão vetos que serão votados nesta terça-feira

O presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou nessa segunda-feira (19) que os vetos a serem votados pelo Congresso na sessão programada para esta terça-feira (20) serão definidos pelos líderes partidários. A informação foi dada após reunião com a presidente da República, Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.
- Vou conversar com os líderes, para saber o que é consensual - afirmou Renan.
De acordo com o presidente do Senado e do Congresso, Dilma está preocupada com a votação dos vetos, que incluem temas polêmicos como o Ato Médico (VET 24/2013), as novas regras de distribuição do Fundo de Participação dos Estados (VET 25/2013) e o fim da multa de 10% do FGTS como contribuição social paga pelas empresas nas demissões sem justa causa (VET 27/2013).
Para Renan, será um grande aprendizado para os três poderes, já que pela primeira vez o Congresso vai analisar vetos com as novas regras estabelecidas pelos líderes partidários em julho.
Segundo o presidente do Senado, a votação dos vetos permitirá o fortalecimento do Congresso, desde que as decisões sejam “revertidas para a sociedade”. Do contrário, afirmou, poderá ocorrer o fortalecimento do Poder Judiciário, se houver questionamentos judiciais.
Renan explicou que os líderes partidários poderão priorizar a análise de qualquer veto, assim como pedir sua exclusão da pauta desta terça, para que sejam analisados em outra oportunidade.
- O importante é que o Congresso ajude a debelar crises. Não pode jogar no sentido de estabelecer confrontos - afirmou.
De acordo com Renan, a presidente manifestou grande preocupação com a questão fiscal.
- O Brasil não pode dar um tiro no pé, passar um sinal distorcido. É muito importante o controle das contas públicas - disse.
O presidente do Senado adiantou que há acordo para garantir a hereditariedade das permissões de taxistas, vetada por Dilma, mas que a inclusão do veto (VET 26/2013) na pauta do Congresso será decidida na reunião.
Novas regras
A sessão desta terça-feira será a primeira do Congresso Nacional a ser realizada de acordo com a resolução aprovada em 11 de julho, que impõe um novo rito para a análise de vetos da Presidência da República a matérias legislativas aprovadas pelos deputados e senadores. Esse novo rito estabelece que os vetos publicados a partir de 1º de julho de 2013 serão apreciados em 30 dias.
Para cada veto novo, será constituída uma comissão mista de três senadores e três deputados, que deverá apresentar um relatório em até 20 dias. Findo o prazo de 30 dias, com ou sem votação, a matéria vai à análise do Plenário, impedindo qualquer outra votação.
Antes de aprovar as novas regras, o Congresso arquivou 1.478 vetos, que haviam sido considerados prejudicados por se referirem a orçamentos já executados ou a leis já revogadas. Os 1,7 mil vetos restantes não serão submetidos à nova metodologia de análise, ficando sua votação sujeita ao entendimento entre os partidos.
Outras matérias
Da pauta da sessão constam ainda o Projeto de Resolução do Congresso (PRN) 3/2009, que cria uma comissão mista que vai tratar de assuntos relacionados à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP); e o PRN 1/2013, que regulamenta a apresentação de emendas ao Orçamento pelas comissões resultantes do desmembramento da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, ocorrido em fevereiro.
FONTE: Agência Brasil

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Renan defende acordo entre Congresso e governo para aprovar orçamento impositivo

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defende um acordo entre o Congresso Nacional e o Executivo Federal para adoção do Orçamento impositivo. Em entrevista na manhã desta terça-feira (13), o senador afirmou que a negociação pode evitar questionamentos legais à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que obriga a execução de emendas parlamentares individuais ao Orçamento.
A PEC do Orçamento Impositivo (565/06) está na pauta de votações da sessão plenária da Câmara dos Deputados.
- O ideal é que aconteça um acordo entre o Legislativo e o Executivo com relação ao orçamento impositivo. Seria melhor colocar um pouco mais de planejamento nele. Se houver acordo, será melhor porque você supera inclusive a possibilidade de judicialização. Por isso que eu trabalho no sentido de que haja um acordo. Acho até que estamos perto dele – disse o presidente do Senado.
Segundo informações da Agência Câmara, está prevista para esta terça-feira (13) uma reunião entre os líderes da base na Câmara e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, para tratar da PEC do Orçamento Impositivo. O governo tem oito ressalvas ao texto aprovado na semana passada pela comissão especial que analisou a proposta.
- Nós vamos dar a sua tramitação aqui na Casa o tratamento regimental. Nós vamos priorizar na medida do possível – acrescentou Renan.
FONTE: Agência Câmara de Notícias

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Presidente do Congresso reconhece legitimidade de protestos

A manifestação na área externa do Palácio do Congresso Nacional levou o presidente do Poder Legislativo, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a divulgar nota à população em que reconhece a legitimidade das reivindicações. Renan diz no texto que deu ordens à Polícia Legislativa para que não use de “violência, mantendo apenas a ordem necessária”.
“O Congresso Nacional continuará aberto às vozes das ruas e recolherá todos os sentimentos das manifestações a fim de encaminhar soluções no que lhe couber, como não poderia ser diferente em um ambiente democrático”, diz a nota.
Enquanto isso, o presidente em exercício da Câmara e vice-presidente do Congresso, deputado André Vargas (PT-PR), está reunido com o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Vargas também divulgou nota em que diz que está acompanhando do gabinete do governador todos os acontecimentos no Congresso e solicitou o reforço de força policial para evitar possível depredação do Palácio do Congresso Nacional.
“O presidente entende ser legítima toda a forma de manifestação democrática. No entanto, sua maior preocupação é garantir a segurança dos manifestantes, dos servidores e do patrimônio público”, diz a nota divulgada pela assessoria de comunicação da Câmara.
O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), bem como a maioria dos líderes partidários, está em viagem à Rússia. A assessoria de Henrique informou que ele está acompanhando toda a manifestação e está preocupado com a integridade dos manifestantes, dos servidores e do patrimônio da Casa.
Neste momento, a maior parte dos manifestantes já se dispersou da frente do Congresso Nacional. No entanto, um grupo ainda permanece na chapelaria da Casa e em frente à entrada do Salão Nobre ameaçando invadir. Ao todo, 620 policiais militares, além da Polícia Legislativa, fazem a proteção das dependências do Parlamento.
FONTE: Agência Brasil

terça-feira, 21 de maio de 2013

'Declarações de Joaquim Barbosa não colaboram com instituições', diz Renan Calheiros


O presidente do Senado, Renan Calheiros, reagiu nesta terça-feira (21) às declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa.  Segundo Renan, as afirmações de Barbosa “não colaboram com o fortalecimento das instituições”.
Barbosa afirmou nesta segunda-feira (20) que os partidos “são de mentirinha” e que o Congresso é “ineficiente e inteiramente dominado pelo Executivo”. As declarações foram feitas durante palestra proferida em uma universidade de Brasília (DF).
Horas depois, a assessoria de imprensa do STF divulgou nota na qual informa que Barbosa estava no evento “na condição de acadêmico e professor” e que “não houve a intenção de criticar”.
"Fica muito difícil nessas horas você saber se quem falou foi o chefe do Poder [Judiciário] ou o professor. De qualquer modo, a declaração não colabora com o fortalecimento das instituições", avaliou o presidente do Senado.
FONTE: Agência Senado

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Renan e Alves: PEC contra o STF não deverá avançar


Presidentes do Senado e da Câmara se reuniram com o ministro Gilmar Mendes e sinalizaram que a PEC contra o Supremo deverá ser arquivada

Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e
deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) 

(Dida Sampaio/AE e Beto Barata)
Os presidentes da Câmara e do Senado estiveram reunidos nesta segunda-feira (29) com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir a liminar que suspendeu a tramitação do projeto PL 4470/12, aprovado na Câmara mas que ainda não pôde começar sua tramitação no Senado, e a PEC 33/11, cuja admissibilidade foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), na semana passada. Na opinião do ministro, a PEC invade prerrogativas do tribunal. Uma decisão sobre as duas questões, no entanto, só deverá sair na próxima semana.

O projeto limita o acesso de novos partidos aos recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Já a PEC prevê que o Congresso Nacional referende as súmulas vinculantes, as ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) e as ações declaratórias de constitucionalidade (ADC) emitidas pelo STF. Caso o Congresso se posicione contra a decisão do Supremo, a questão irá para consulta popular. A proposta também amplia de seis para nove o número mínimo de ministros do STF necessários para declarar a inconstitucionalidade das leis.

Conheça as propostas:


Conversa informal

Segundo o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, a conversa foi bastante informal, e serviu para apaziguar as relações entre o Legislativo e o Judiciário. “Fomos mostrar que da parte do Legislativo não há nenhuma intenção de estremecer as relações que devem ser sempre e serão respeitosas entre os dois poderes”, disse Alves. "Vamos agir para que Legislativo e Judiciário não tenham mais ruídos."

O presidente do Senado, Renan Calheiros, disse que não há novidades sobre a tramitação do projeto, e que na próxima segunda ele deve procurar Gilmar mais uma vez para que uma decisão final seja tomada. 


Distensão


Quanto à PEC, Alves disse que está examinando do ponto de vista jurídico se ela fere a Constituição. No entanto, ele ressaltou que pelas regras atuais não houve problema no fato de a CCJ ter dado início à análise da proposta. “Criou um ruído que nós não queríamos, e na conversa com o ministro acho que distensionamos”, disse.


Uma mudança deve ser apresentada para a tramitação de futuras PECs. Apesar de 94 dos 124 deputados que integram a comissão terem assinado a lista de presença no dia em que a PEC 33 foi aprovada, apenas 21 deputados estavam presentes no momento da sua aprovação. Alves vai propor que mesmo na CCJ as PECs sejam votadas apenas de forma nominal, sendo necessária a presença de pelo menos metade dos deputados.


FONTE: Agência Câmara de Notícias

sexta-feira, 26 de abril de 2013

STF reage à proposta que cerceia Corte; Barbosa emite nota contra projeto


Henrique Alves diz que por ora não criará comissão para a PEC; para Joaquim Barbosa, ela 'fragiliza a democracia' 


Alves pediu estudo para analisar se PEC fere preceitos fundamentais 
(Antônio Cruz/Agência Brasil)
A forte reação no Judiciário levou o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a anunciar nesta quinta-feira (25) que não vai instalar de imediato a comissão especial prevista para analisar a Proposta de Emenda à Constituição que submete ao Congresso decisões do Supremo Tribunal Federal. Alves definiu a aprovação da proposta pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) como "inusitada" e afirmou que só levará adiante a tramitação após uma análise jurídica.
"A decisão da CCJ realmente foi inusitada, surpreendeu a todos. Pedi um levantamento sobre o aspecto jurídico da questão, mas certamente a comissão especial eu não vou instalar enquanto não tiver uma definição muito clara do respeito à harmonia entre os poderes."
Para Barbosa, proposta fragiliza a democracia
(Agência Brasil)
No Supremo, a reação continuou. De Nova York, o presidente do tribunal, Joaquim Barbosa, divulgou nota – antes de voltar a Brasília, na noite desta quarta-feira – afirmando que "essa medida, se aprovada, fragilizará a democracia". E prosseguiu: "Tem quase 80 anos a tradição já consolidada de se permitir que o Supremo declare a invalidade jurídica de uma lei votada pelo Congresso por violação de uma cláusula constitucional. Por que alterar isso agora, em pleno século 21?"
O ministro Gilmar Mendes afirmou que é melhor fechar a Corte se for aprovada a proposta. "Ela é inconstitucional do começo ao fim, de Deus ao último constituinte que assinou a Constituição", disse. "Eles (congressistas) rasgaram a Constituição. Se um dia essa emenda vier a ser aprovada, é melhor que se feche o Supremo Tribunal Federal."
Gilmar Mendes: "Rasgaram a Constituição" (ABr)
O ministro Marco Aurélio Mello, que na véspera tinha dito que a aprovação da proposta era uma retaliação, observou nesta quarta-feira que na CCJ existem dois deputados condenados por envolvimento no mensalão, os petistas João Paulo Cunha e José Genoino. "Parece que a matéria se mostrou bastante tranquila, porque não houve discussão a respeito, ninguém levantou o dedo para suscitar uma dúvida quanto ao objeto da proposta. E é sintomático que na comissão tenhamos dois réus da ação penal 470", disse.
Marco Aurélio Mello:
 
"E é sintomático que na comissão tenhamos 

dois réus da ação penal 470" (ABr)
O líder do PT, José Guimarães (CE), tentou desvincular o partido da polêmica com a PEC 33, apesar de a proposta ser de autoria de um petista, Nazareno Fonteles (PI) e ter sido pautada por outro, o presidente da CCJ Décio Lima, além de ter o apoio de dois petistas condenados no mensalão, José Genoino (SP) e João Paulo Cunha (SP).
A oposição também reagiu. O PSDB e o novo MD protocolaram mandados de segurança no Supremo pedindo a suspensão da tramitação da PEC.
Íntegra da nota enviada pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa:

"Separação de Poderes não é uma noção abstrata. Faz parte do direito de todos os cidadãos. Integra o conjunto de mecanismos constitucionais pelos quais um poder contém ou neutraliza os abusos do outro.

Tem quase 80 anos a tradição já consolidada de se permitir que o Supremo Tribunal Federal declare a invalidade jurídica de uma lei votada pelo Congresso por violação de uma cláusula constitucional. Por que alterar isso agora, em pleno século 21? Essa medida, se aprovada, fragilizará a democracia."

FONTE: Eduardo Bresciani e Mariângela Gallucci - O Estado de S.Paulo

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O troco de Renan contra o procurador-geral Roberto Gurgel


Denunciado ao STF às vésperas da eleição para a presidência do Senado, Renan Calheiros prepara o revide contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Ele pretende contrariá-lo no Congresso e questionar sua conduta


A VINGANÇA
Renan orientou seus aliados a fazerem de tudo para 
constranger o procurador da República, Roberto Gurgel
Nos últimos dias, o comportamento sereno, em público, escondeu um contrastante estado de ânimo de Renan Calheiros (PMDB-AL). Recém-eleito presidente do Senado, o parlamentar alagoano remoeu por dentro um sentimento de vingança absorvido dos ensinamentos de Maquiavel, em “O Príncipe”para se manter, o político deve aprender a ser mau e valer-se disso de acordo com sua necessidade, ensinava o pensador florentino. O alvo da ira de Renan é o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Às vésperas de sua inevitável eleição, Gurgel divulgou representação encaminhada ao STF em que o denunciou por apresentar notas frias como justificativa de patrimônio. A denúncia aumentou ainda mais a indignacão nacional com a recondução ao comando do Senado de um político afeito a práticas dignas dos tempos do coronelismo. Mas a acusação também atiçou ainda mais a fúria de Renan. Agora, fortalecido internamente por ter alcançado uma vitória mais ampla do que se previa, Renan prepara o revide. Em conversas reservadas, ele espalhou que Gurgel atua com propósitos políticos. Na última semana, o presidente do Senado mobilizou aliados para votarem contra as matérias de interesse do procurador da República na Casa. Num outro passo mais ousado, Renan passou a trabalhar nos bastidores para tentar transformar Gurgel de acusador a acusado.

A primeira medida em retaliação a Gurgel será apressar a recondução do professor Luis Moreira ao Conselho Nacional do Ministério Público. Ele é adversário político de Gurgel, a quem acusa de não submeter o MP aos mesmos critérios de transparência que cobra do Legislativo e do Executivo. A indicação de Moreira vinha sendo protelada por um acordo de cavalheiros no Senado. Não se mexia com as denúncias contra parlamentares, inclusive Renan, e, em troca, mantinha-se o adversário de Gurgel longe no Conselho. O ataque pré-eleitoral quebrou esse acordo – e não só.  

Aliado de Renan desde 1989, quando os dois programaram a campanha presidencial enquanto jantavam um pato laqueado em Pequim, o senador Fernando Collor (PTB-AL) partiu na semana passada para uma nova ofensiva direta contra Gurgel. Em 2012, Collor  tinha ido à tribuna do Senado para acusar o procurador-geral de “ chantagista” e “ prevaricador”. A nova denúncia de Collor, em parceria com Renan – uma dupla cujos métodos políticos remetem ao cangaço – envolve a aquisição pela Procuradoria de 1.226 tablets por R$ 3,9 milhões, numa licitação aberta às 12h30 de 31 de dezembro de 2012. Embora a compra tenha sido realizada por pregão eletrônico, um aspecto básico chama a atenção – o preço. 

A procuradoria-geral pagou R$ 2.398 pelo tablet, enquanto outras empresas concorrentes ofereciam o preço de R$ 1.996. Em grandes lojas da capital federal, é possível encontrar equipamentos que atendem às mesmas especificações do edital, pelo preço de R$ 2.231. Pregões recentes, na Universidade Federal de Goiás e da Funart, para compra de tablets com a mesma configuração registraram preço de R$ 2.049 e R$ 2.069. Outro aspecto é que a empresa vitoriosa, a Versátil Informática, de Brasília, terminou a licitação em sexto lugar. Acabou vencedora porque as cinco empresas que estavam à sua frente foram desclassificadas. Em seu recurso contra a licitação, a “Criar Êxitos”, do Mato Grosso do Sul,  que terminou em primeiro e perdeu o negócio, acusou por escrito: “Parece que o pregoeiro e a empresa vencedora estão mancomunados”.

Procurado por ISTOÉ, Gurgel ofereceu, através de uma assessora, suas explicações para o caso.  Afirmou que “durante o processo licitatório não foi registrado qualquer pedido de esclarecimento e impugnação. O certame teve ampla competitividade, contando com mais de vinte participantes.” Citando uma auditoria sobre a licitação, Gurgel informou que ela concluiu que havia ocorrido “observância dos princípios recomendados pelo Tribunal de Contas da União e os constantes da Lei 8666/93”. A auditoria foi realizada pelo próprio Ministério Público, que tem Gurgel como procurador-geral há quatro anos, com mandato até julho, sem direito a uma nova reeleição. Consultado sobre as acusações de “chantagista” e “prevaricador”, Gurgel mandou dizer que não iria comentá-las, por considerar que “são críticas genéricas.” 

Entre aliados de Collor, a versão é menos trivial. Carrega a malícia e o veneno típicos do político alagoano notabilizado pelo estilo “bateu, levou”, adotado ao longo de sua trajetória política. Eles acusam Gurgel ter feito uma troca de favores com o ex-senador Demóstenes Torres para ser reconduzido a um segundo mandato no Ministério Público, em agosto de 2011. A versão é que, naquele momento, em posição frágil entre vários integrantes da Comissão de Constituição e Justiça, ele pediu apoio político a vários senadores, entre os quais Demóstenes, ex-presidente da própria CCJ e então personagem influente no Senado. Em troca desse apoio, insinuam auxiliares de Collor, ele arquivou os dados da Operação Vega, que envolviam Demóstenes com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Procurado, Demóstenes não quis se pronunciar. “Ele fez chantagem a um senador da Republica”, diz Collor. O futuro das acusações contra Gurgel é obscuro e parece pouco provável que, com base apenas nas denúncias já conhecidas, a Mesa Diretora da Casa, que tem a responsabilidade de aceitar uma investigação dessa natureza, aceite alguma acusação contra ele. No entanto, os aliados de Renan recordam que, conforme o artigo 52 da Constituição, cabe privativamente ao Senado processar e julgar crimes de responsabilidade do procurador-geral da República. Como se vê, Renan e sua turma não parecem estar de brincadeira quando ameaçam retaliar o chefe do Ministério Público.

CONFRONTO À VISTA 
Conforme o artigo 52 da Constituição, cabe ao Senado processar e julgar crimes de responsabilidade do procurador-geral da República

Escolhido em circunstâncias semelhantes às de Renan para presidir a Câmara de Deputados, o deputado Henrique Alves (PMDB-RN) herdou uma questão igualmente beligerante e espinhosa: a perda de mandato dos quatro deputados condenados pelo mensalão. O Supremo considerou que tinha o direito de definir a cassação dos deputados, apesar das determinações do artigo 55 da Constituição, que reserva ao Congresso a  palavra final sobre perda de mandato. Henrique Alves, em campanha, comprometeu-se em defender as prerrogativas da Câmara. “É imprescindível a última palavra do Legislativo”, disse em entrevista à ISTOÉ (6/2/2013). Após a vitória, Henrique Alves encontrou-se com Joaquim Barbosa, presidente do STF. Embora tenha dito que a conversa não tratou do assunto, na saída, disse que “não há hipótese” de a Câmara contrariar a decisão do Supremo. Ficou uma ambiguidade. Uma parte do debate envolve a condenação pelo Supremo, as penas de prisão e as multas. Não há hipótese de o Congresso modificar isso. Outra parte envolve a perda do mandato, resolvida pelo STF, cabendo ao Congresso apenas referendar – burocraticamente – a decisão. 


Antes de chegar à Câmara, a sentença do mensalão precisa completar seu percurso no STF. Cada condenado irá apresentar  recursos e embargos, que permitem a revisão de decisões tomadas com pelo menos quatro votos em contrário. Uma dessas decisões envolve, justamente, o ritual de perda de mandatos, definida pelo apertado placar de 5 a 4. Os deputados condenados vão recorrer, pedindo ao STF que se faça uma nova deliberação, devolvendo a decisão para a Câmara. Eles acreditam que têm chances de reverter a decisão por duas razões. Teori Zavaski, o mais novo ministro do STF, não votou na primeira fase do julgamento e deve fazer isso agora. Se mantiver seus posicionamentos passados, inclusive por escrito, Zavaski trará o quinto voto a favor da defesa, empatando a decisão. Há mais ainda. Dilma Rousseff não nomeou, até agora, o substituto da vaga deixada por Carlos Ayres Britto. Nada impede que o novo nomeado, ainda em estudos, se apresente para votar os recursos, caso a deliberação seja mais demorada. É mais um voto que pode pender a balança para um lado ou para outro. Depois que essas questões forem resolvidas, no Supremo, o debate chega à Câmara. E aí todas as ambiguidades terminarão.


Montagem sobre fotos de adriano machado/ag. istoÉFotos: ED FERREIRA/AGêNCIA ESTADO/AE; Adriano Machado/ag. istoé
FONTE: Isto É

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Gabinete de Renan não explica gasto de R$ 128 mil com assessoria jurídica


Escritório de advocacia de Alagoas, sem registro na OAB, recebeu 8 000 reais mensais de dinheiro público no período de agosto de 2011 a novembro de 2012


Apesar das denúncias, Calheiros foi eleito presidente do Senado
 semana passada 
(Celso junior/AE)

O novo presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), gastou 128 000 reais de verba indenizatória de seu gabinete com serviços advocatícios que nem a assessoria de imprensa do parlamentar, nem o escritório de advocacia contratado especificam. Segundo levantamento da ONG Contas Abertas, os gastos foram registrados entre agosto de 2011 e novembro de 2012, em pagamentos mensais de 8 000 reais para o escritório Newton e Newton Advocacia.
Os advogados associados do escritório, Paulo Azevedo Newton e Sérgio Paulo Caldas Newton, foram procurados ao longo da semana, mas não informaram a especificidade do contrato realizado entre eles e o senador. “Isso foi há muito tempo, já não me lembro mais direito”, disse Paulo Azevedo.
Apesar de o advogado dizer que não se lembra, o último pagamento identificado pelo sistema de transparência do Senado foi bem recente, há apenas três meses, em novembro de 2012. Ainda não é possível verificar no sistema se também houve pagamento em dezembro. Já Sérgio Paulo disse não lembrar se seu escritório havia trabalhado para Renan Calheiros e, como não estava em seu local de trabalho, não poderia confirmar a informação. Após o primeiro contato, os advogados não atenderam mais às ligações do Contas Abertas.
A sede da Newton e Newton Advocacia fica na própria casa de Paulo Azevedo, em um condomínio de alto padrão na capital alagoana, Maceió. Entretanto, a OAB do estado afirma que o escritório não possui registro na entidade.
Silêncio – A assessoria de gabinete de Renan Calheiros também foi procurada ao longo da semana para especificar os serviços prestados pelos advogados ao parlamentar e pagos com dinheiro público. Entretanto, até o fechamento da reportagem, não deu nenhuma resposta.
Na descrição de gastos da “Cota para Exercício de Atividade Parlamentar”, isto é, verba indenizatória, os 128 000 reais aparecem como “contratação de consultorias, assessorias, pesquisas, trabalhos técnicos e outros serviços de apoio ao exercício do mandato parlamentar”. Para o secretário-geral do Contas Abertas, Gil Castello Branco, é importante que haja real transparência com relação a esse tipo de despesa. “É importante que o senador esclareça qual a natureza dos serviços jurídicos prestados por esse escritório de Alagoas, até porque o Senado tem consultores para assessorar os parlamentares nas mais diversas áreas.”
Ano passado, Calheiros desembolsou um total de 305 900 reais com verbas indenizatórias. Deste montante, 61,5% foi utilizado para pagar serviços de consultoria.
Renan Filho – O levantamento dos gastos misteriosos de Renan Calheiros com assessoria jurídica da Newton e Newton aparece um dia depois de revelado que o filho do senador, o deputado federal Renan Filho, tem usado dinheiro público de verba indenizatória do seu gabinete para pagar advogados que atuam para ele próprio e para o pai em ações particulares.
Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, escritórios alagoanos que representam a dupla em demandas particulares, nas justiças Comum e Trabalhista, já receberam ao menos 190 000 reais do gabinete do parlamentar na Câmara desde fevereiro de 2011.
Em janeiro, o site de VEJA revelou que Calheiros usa verba de gabinete para alugar a sede do PMDB em Alagoas. O aluguel é pago ao seu próprio suplente – que omitiu ser dono do imóvel à Justiça Eleitoral.
FONTE: Contas Abertas

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Renan Filho dá verba da Câmara para advogados que defendem os Calheiros

O deputado federal Renan Filho (PMDB-AL) tem usado recursos da verba indenizatória (dinheiro público) para pagar a advogados que atuam para ele próprio e o pai, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), recém-eleito para presidir o Senado, em causas privadas. Escritórios alagoanos que representam a dupla em demandas particulares, nas justiças comum e trabalhista, já receberam ao menos R$ 190 mil do gabinete do parlamentar, na Câmara desde fevereiro de 2011.

Dida Sampaio/AE - 09/05/2012
Renan e Renan Filho em conversa no Senado

As verbas indenizatórias são recursos distribuídos aos deputados para custear a atividade parlamentar, como passagens aéreas, telefone, correio e aluguel de escritórios políticos. Os valores variam de R$ 23 mil para deputados do DF até R$ 34,2 mil para os de Roraima.
Com sede em Maceió, o escritório Omena Barreto Advogados Associados é contemplado, mensalmente, com R$ 10 mil da cota do deputado. Nos registros da Receita Federal, a empresa foi fundada em maio de 2011, mesmo mês em que se iniciaram os repasses do gabinete. De lá para cá, o valor já pago pela Câmara aos advogados soma R$ 170 mil.
Um dos sócios, Rousseau Omena Domingos não atua oficialmente para Renan Filho em nenhuma ação judicial relacionada ao mandato ou à atividade parlamentar. Na prática, tem procuração para atuar só em um processo, em curso no Tribunal de Justiça (TJ-AL), no qual Renan Filho pleiteia indenização por danos morais e materiais ao Consórcio Nacional Volkswagen.
Na ação, ajuizada em 2010 e que permanece ativa, o deputado sustenta que adquiriu um carro da empresa e, mesmo após quitá-lo, não conseguiu retirar as restrições necessárias para revendê-lo. A Justiça de 1.ª instância em Murici (AL), terra natal e reduto eleitoral dos Calheiros, deu ganho de causa ao parlamentar.
Sem fronteiras. Na justificativa apresentada à Câmara, Renan Filho alega que o escritório de Omena presta, de Maceió, serviços de consultoria e assessoria parlamentar na elaboração de projetos e relatórios que apresenta no Congresso. "O mundo hoje não tem distância. Ele atua em Alagoas. Eu estou sempre lá e ele vem a Brasília", comenta.
Omena afirma que os honorários da ação foram acertados à parte com o deputado e não têm relação com os repasses da Câmara. Questionado sobre o valor combinado, não soube informar ontem. "O contrato não foi assinado pelo meu escritório, mas por um amigo e a gente fez uma parceria nessa ação", explicou.
Graças aos Calheiros, o escritório também amealhou, sem licitação, contrato com a Prefeitura de Murici, governada pelo tio de Renan Filho e irmão do senador Renan Calheiros, Remi Calheiros (PMDB), que sucedeu a Renan Filho no cargo em 2010. O extrato do contrato, assinado pelo prefeito em 2011, prevê a prestação de serviços para o levantamento e recuperação de créditos tributários. Conforme o advogado, a concorrência não se aplicaria para serviços desse tipo: "Escritório de advocacia é com inexigibilidade. A técnica do advogado, nem todos têm".
O escritório de José Marcelo Araújo, de Maceió, recebeu outros R$ 20 mil do gabinete, no início de 2011. No Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 19.ª Região, ele defendera, até o ano anterior, a Agropecuária Alagoas e seus sócios, entre eles o senador. Na ação, uma trabalhadora rural pleiteava vínculo empregatício por serviços prestados na fazenda dos Calheiros. A Justiça deu ganho de causa à agropecuária. Questionado, o deputado disse não ter de dar explicações sobre a atuação do advogado nesse caso. "Ele trabalhou para outra pessoa", disse, referindo-se ao pai. "Imagine se, quando você contrata (o advogado), tem de checar se prestou serviços para alguém." 
FONTE: Fábio Fabrini - O Estado de S. Paulo

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Denúncias contra Renan vão ser arquivadas, avisa Jucá


Aliados do novo presidente do Senado estão decididos a abafar eventuais pedidos de investigação contra o peemedebista no Conselho de Ética


Senador Renan Calheiros fala perante o Senado Federal no Congresso Nacional depois de ser reeleito como presidente do Senado, em Brasília - Pedro Ladeira/AFP








Os aliados do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) estão decididos a passar o rolo compressor sobre eventuais pedidos de investigação contra o novo presidente do Senado. A estratégia é arquivar sumariamente qualquer representação que venha a ser apresentada ao Conselho de Ética para apurar denúncia de que o peemedebista não tinha, em 2007, patrimônio suficiente para justificar os gastos com despesas pessoais decorrentes de um relacionamento extraconjugal.
"Vamos arquivar", disse na sexta-feira o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Na época do escândalo, Renan foi acusado de ter esses gastos bancados por lobista de uma empreiteira e acabou renunciando à presidência do Senado para escapar de ter o mandato cassado. "Não adianta ficar remoendo o passado. Isso é matéria vencida e discutida no Senado", emendou Jucá.
Ele argumentou que Renan já foi absolvido pelas urnas ao se reeleger para o Senado em 2010. "Renan não pode ser presidente condenado, mas investigado não tem problema", disse Jucá, destacando que o próprio procurador-geral da República, Roberto Gurgel, é alvo de pedido de investigação no Senado.
É com base no argumento de que Renan já foi alvo de investigação da denúncia apresentada por Gurgel ao Supremo Tribunal Federal que seus correligionários planejam arquivar qualquer pedido de apuração no Conselho de Ética. A estratégia é pôr no comando do Conselho um peemedebista aliado de Renan. Até agora, nenhum partido anunciou a apresentação de representação contra Renan. O PSOL só irá se posicionar sobre o assunto depois do carnaval.
A apresentação de pedido de investigação contra Renan é um dos temores de seus colegas de Senado. A avaliação é que o caos será instalado na Casa, caso isso venha a ocorrer. A preocupação cresceu depois que o procurador-geral da República apresentou, há uma semana, denúncia contra o peemedebista no Supremo. Gurgel sustenta que Renan não tinha patrimônio suficiente para justificar os gastos com despesas pessoais decorrentes do relacionamento extraconjugal que o fez renunciar à presidência do Senado.
Em 2007, o parlamentar apresentou notas fiscais para comprovar que o dinheiro obtido com venda de gado bancou os gastos com o relacionamento extraconjugal. A Procuradoria-Geral da República considerou, no entanto, que as notas eram "frias". Se a denúncia criminal for aceita pelo Supremo, Renan passará da condição de investigado para a de réu.
FONTE: Veja (com Estadão Conteúdo)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Senado elege Renan Calheiros presidente da Casa pelos próximos dois anos



Denunciado pela Procuradoria-Geral da República por três crimes, Renan Calheiros (PMDB-AL) é o novo presidente do Senado. Foi eleito na manhã desta sexta-feira (1º) em votação secreta por seus pares, com 56 votos.

O outro candidato foi o senador Pedro Taques (PDT-MT), que recebeu 18 votos. Dois senadores votaram em branco e outros dois, nulo.

Taques havia recebido apoio público de bancadas de oposição como a do PSDB e a do DEM, e da governista do PSB. Mas as promessas de manutenção de cargos na Mesa Diretora falaram mais alto.

Os crimes que o Ministério Público Federal atribui a Renan levaram ele a renunciar à presidência do Senado, cargo que ocupava desde 2005, em 2007.

Senadores de oposição criticaram a manutenção da candidatura de Renan, mas já consideravam sua eleição uma inevitabilidade.

Como disse Álvaro Dias (PSDB-PR), não havia fatos novos para o "público interno" --governo e Senado.

Em entrevista ontem à Folha, Renan disse estar confortável em assumir a presidência do Senado mesmo sob suspeita, por considerar que a ação da procuradoria era motivada politicamente.

A denúncia do procurador-geral, Roberto Gurgel, ocorreu na semana passada, e hoje cedo a revista "Época" divulgou o teor da acusação: falsidade ideológica, uso de documentos falsos e peculato.

O senador é acusado de pagar despesas pessoais com dinheiro de Cláudio Gontijo, que trabalha para a empreiteira Mendes Júnior.

Para justificar que tinha renda para fazer os pagamentos, Renan apresentou documentos e afirmou que tinha ganhos com a venda de gado. O senador pagava uma pensão mensal à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.

A denúncia também aponta o peculato decorrente do desvio da verba indenizatória do Senado. Renan, diz a procuradoria, desviou recursos da Casa para uma locadora de carros que pertence a um laranja do senador.

SILÊNCIO

Em seu discurso antes da votação, Taques disse que a eleição de Renan acontece em meio ao "silêncio dos covardes". A declaração foi dada ao final de sua fala, quando houve um momento de breve silêncio.

"Eu peço o voto de cada senador. Peço silêncio aos senhores. Ouçam esse silêncio. Esse silêncio é o silêncio do covarde. É o silêncio de quem tem medo. Sintam esse silêncio. Esse é o silêncio de quem aceita, de quem não resiste. Expresso a vossa excelência, senador Renan Calheiros, meus respeitos pessoais", afirmou o senador.

Já Renan, em seu discurso como candidato, deu um recado aos chamados "independentes" ao dizer que a ética é uma "obrigação de todos nós".

"A ética não é objetivo em si mesmo. O objetivo em si mesmo é o Brasil, o interesse nacional. A ética é meio, não é fim. É obrigação de todos nós, responsabilidade de todos nós e dever desse Senado Federal", afirmou. Em sua fala, Renan evitou comentar a denúncia da procuradoria.

FONTE: Folha de S. Paulo