Saiba como serão últimas horas do pontífice antes de viajar a Castel Gandolfo, onde ficará por dois meses. Sé será considerada vacante às 16h de Brasília
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| Bento XVI acena para fiéis reunidos na praça de São Pedro, no Vaticano - Gabriel Bouys/AFP |
Sem pompa, nos salões e pátios da Cidade do Vaticano, apenas com uma pequena reunião para se despedir dos cardeais. Assim serão as últimas horas de Bento XVI como papa. Nesta quinta-feira, ele dará seu último adeus como pontífice aos fiéis católicos do mundo todo. A partir das 16 horas (em Brasília), passa a valer a renúncia anunciada em 11 de fevereiro. Não haverá nenhuma cerimônia especial – sua última audiência pública ocorreu nesta quarta e reuniu uma multidão na Praça de São Pedro. Mas os católicos ainda aguardam o momento em que o papa partirá de helicóptero rumo ao palácio de Castel Gandolfo, onde ficará nos próximos dois meses. Durante esse período, serão concluídas as obras de restauração do mosteiro de Mater Ecclesia, no Vaticano, onde Bento XVI ficará definitivamente.
Assim que chegar a Castel Gandolfo, Bento XVI deve cumprimentar o público da varanda da fachada principal, naquela que será a sua última aparição pública como papa. Depois, ele se instalará nos dois andares que compõem o apartamento papal, que inclui o dormitório do pontífice, os quartos dos secretários e das quatro laicas consagradas que cuidam dele e que vão acompanhá-lo nesta nova etapa, além de uma capela privativa.
Como manda a tradição, Bento XVI deixará seus sapatos vermelhos, que evocam o sangue dos mártires, para substituí-los por outros de cor marrom. O anel de pescador, símbolo do selo pontifício, será inutilizado pelo cardeal camerlengo, o italiano Tarcisio Bertone, aquele que assumirá a Igreja interinamente. E os aposentos papais do Vaticano permanecerão trancados até que seu sucessor seja escolhido.
Agenda - Às 11 horas locais (7 horas em Brasília), na Sala Clementina, Bento XVI saudará os cerca de 100 cardeais presentes em Roma. O decano do Colégio dos Cardeais, Angelo Sodano, deve pronunciar uma curta mensagem de despedida. À tarde, por volta das 17 horas (13 horas em Brasília), no pátio San Damacio, coração do palácio apostólico, o papa Bento XVI saudará pela última vez o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, e o decano, e embarcará em um veículo oficial em direção ao heliporto da Cidade do Vaticano.
Nesse momento, todos os sinos tocarão na diocese de Roma para saudar o pontífice que, pela primeira vez em seis séculos, decidiu renunciar ao cargo. Cerca de 20 minutos depois, soarão os sinos de Albano, comemorando a chegada do papa a Castel Gandolfo. Joseph Ratzinger será recebido pelo presidente do governo do estado da Cidade do Vaticano, o bispo da diocese de Albano, o prefeito e o sacerdote da paróquia dos Montes Albanos.
Às 17h30 (13h30 em Brasília), Bento XVI aparecerá pela última vez como papa aos olhos do mundo, na varanda de sua residência provisória. Ao anoitecer, milhares de fiéis estarão presentes no local, carregando tochas, para dar um último adeus ao pontífice. Depois, às 20 horas (16 horas em Brasília), um destacamento da Guarda Suíça Pontifícia, responsável pela segurança do papa, vai se retirar da entrada principal da residência, fechando a porta e simbolizando o fim de seu serviço. No Vaticano, a Guarda Suíça continuará a postos, mesmo durante o período de Sé Vacante. O horário marca o encerramento oficial do pontificado de Bento XVI, que teve uma duração total de sete anos, dez meses e nove dias. A partir desse momento, a sede apostólica passará a ser governada pelo Colégio dos Cardeais.
A partir de sexta-feira, o cardeal Angelo Sodano enviará a seus homólogos uma carta de convocação para as reuniões gerais que precedem o conclave responsável por eleger o próximo papa. Nesses encontros, serão analisadas as necessidades da Igreja e aparecerão os favoritos ao cargo. Espera-se que o próximo pontífice celebre a Semana Santa.
Conclave - Na última segunda-feira, Bento XVI aprovou a publicação de um "Motu Proprio" (espécie de decreto) para redefinir alguns pontos da Constituição Apostólica e poder antecipar o conclave que elegerá o novo pontífice. A mudança no documento permite aos cardeais realizar o conclave antes do dia 15 de março, prazo originalmente estipulado. Com o início da Sé Vacante, começam também as congregações de cardeais, durante as quais será definida a data do conclave. A primeira congregação será realizada em 1º de março. A partir desse dia, a data do conclave já poderá ser anunciada.
O conclave que escolherá o sucessor de Bento XVI terá a participação de cinco cardeais brasileiros com direito a voto: o arcebispo emérito de São Paulo dom Claudio Hummes; o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer; o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica no Vaticano, dom João Braz de Aviz; o arcebispo emérito de Salvador dom Geraldo Majella Agnelo; e o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Raymundo Damasceno.
Palácio - A cidade de Castel Gandolfo, banhada pelo lago Albano, se encontra 30 quilômetros ao sul de Roma. Em 1626, o papa Urbano VIII ordenou a construção da residência de campo para passar o verão. Desde então, a Igreja Católica teve 31 papas, dos quais apenas 15 pisaram no palácio e se hospedaram nele. Um deles foi Bento XVI, que ao longo de seus quase oito anos de pontificado passou longas temporadas ali, onde escreveu parte da trilogia Jesus de Nazaré. O quarto em que Bento XVI ficará hospedado foi o mesmo em que nasceram 50 crianças durante a II Guerra Mundial, filhos de italianos que ali se refugiaram. Entre janeiro e junho de 1944, cerca de 10.000 pessoas se refugiaram no palácio. Em agradecimento, os pais batizaram essas crianças com os nomes de Eugenio e Pio, em homenagem ao então pontífice Pio XII, Eugenio Pacelli.
Entre as centenas de árvores do jardim se encontra um pequeno lago com uma imagem de Nossa Senhora, um lugar onde os papas costumam descansar durante seus passeios. O palácio de Castel Gandolfo e os jardins ocupam 55 hectares, um território maior que o próprio Vaticano. Nas três vilas que compõem o complexo (o palácio papal, a vila Barberini e outra destinada à administração) trabalham 55 pessoas, muitas das quais vivem no local com suas famílias.
FONTE: Veja
