Senador mineiro fará valer sua maioria para comandar o partido; Serra ensaia aproximação com o PPS e Eduardo Campos
![]() |
| O ex-governador José Serra e o senador Aécio Neves (Foto: Fábio Guinalz/Fotoarena/AE) |
O senador Aécio Neves (MG) decidiu assumir a presidência nacional do PSDB, mesmo sem progressos nas tentativas de aproximação com o ex-governador José Serra. Após meses relutando e preocupado com a antecipação do debate eleitoral, Aécio cedeu à pressão de aliados mais próximos, como o atual presidente do partido, Sergio Guerra (PSDB-PE), e o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Ele acredita que sua recusa em assumir o comando da legenda possa indicar pouca disposição para a disputa do Palácio do Planalto no ano que vem. Classifica a situação como "irreversível a esta altura".
Diante desse cenário, tucanos ligados a Serra afirmam que o ex-governador paulista está “livre” para negociar sua transferência para o PPS ou até mesmo para o PSB, do governador Eduardo Campos (PE). Aécio não acredita que Serra saia do PSDB e saiu da conversa que teve com ele, na última segunda-feira, “convicto” de que Serra precisa é de "carinho" do partido. Acostumado, assim como toda a legenda, com as decisões tomadas em cima da hora por Serra, ele aposta na paciência e na certeza de que seus correligionários mais próximos não o acompanhariam em uma possível troca de legenda, o que enfraqueceria a idéia.
Nos últimos dias, Aécio tentou um acordo com Serra em torno de uma unidade. O senador procurou pessoalmente o ex-governador e ex-prefeito de São Paulo em busca de um apoio formal. Líderes do PSDB paulista, no entanto, afirmaram que Aécio rechaçou a proposta de entregar a Serra o comando nacional do partido. Em troca, o ex-governador se comprometeria a aclamar Aécio candidato único do partido à Presidência já na próxima segunda-feira, quando o senador participará de um encontro dos tucanos em São Paulo. No entanto, a desconfiança mútua persistiu. Do lado de Aécio, paira o medo de, uma vez no comando do PSDB, Serra trabalhar para viabilizar sua terceira candidatura ao Planalto (foi derrotado em 2002 e 2010). Entre os “serristas”, o temor é de que a liderança do PSDB nas mãos do senador se transforme num instrumento para tirar espaço do ex-governador dentro do partido.
Sem o acordo, que seria inédito na história do PSDB, partido fundado em 1988 por dissidentes do PMDB, Serra deve continuar as conversas já iniciadas com o PPS, do deputado federal Roberto Freire, e com o PSB. Um cenário possível, segundo os interlocutores do ex-governador, é a transferência de Serra para o PPS, sigla que, em 2014, poderá apoiar uma eventual candidatura de Eduardo Campos ao Planalto, contra Aécio e a presidente Dilma Rousseff (PT).
PLANOS – À frente do PSDB, Aécio Neves pretende "terceirizar" os detalhes mais triviais do cotidiano para assessores próximos e concentrar sua atuação no comando político. Principalmente na "intensa e qualificada" agenda de viagens que pretende ter no segundo semestre deste ano. O Rio de Janeiro, onde o PSDB encontra dificuldades para compor um palanque forte para 2014, será um dos principais focos. Aécio articula, já para este ano, uma série de reuniões públicas para "discutir o Brasil" com intelectuais e artistas que mantêm boas relações com o partido, como a atriz Fernanda Montenegro. Ele pretende apostar em sua identificação com o Estado, de "nascido em Minas e batizado no Rio", para conseguir mais que os 27% que José Serra obteve dos fluminenses nas últimas eleições.
Enquanto discute com o PDT uma possível aliança para o governo do Rio, Aécio acompanha com atenção os movimentos em torno da possível candidatura do senador Lindberg Farias (PT-RJ) ao cargo de governador fluminense. Ele acredita que o PT "cozinhará" o senador até a última hora e que ele não sairá do partido, mesmo que não seja candidato. Especula-se que Lindberg possa ir para o PSB, de Eduardo Campos, caso o PT não abrace seu pleito. Se o PT aceitar comprar a briga de Lindberg e lançá-lo candidato, contra o pupilo do governador Sérgio Cabral, o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), Aécio acredita que sua margem de manobra pode aumentar no Estado, devido à sua grande amizade com Cabral.
Quanto a Eduardo Campos, Aécio torce para que o governador pernambucano seja mesmo candidato. Ele acredita que, assim, Campos rache a base do governo federal e tire votos e apoios de Dilma, ajudando a levar a eleição para o segundo turno. Em síntese, ele não acredita que Campos represente séria ameaça de tirá-lo do segundo turno, mas que, certamente, pode ajudar a levá-lo até ele.
O ex-governador do Ceará Tasso Jereissati tem defendido dentro do PSDB a ideia de que Campos não levará os “votos do Nordeste” e que sua força é expressiva apenas em Pernambuco. Segundo sua tese, as rivalidades de baianos e cearenses com os pernambucanos, por exemplo, podem enfraquecer Campos nesses Estados mais populosos.
Com relação ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador mineiro diz a assessores próximos estar confiante em que terá seu total apoio à sua candidatura à Presidência. O aval de Alckmin, não externado publicamente até agora, pode vir da necessidade de o paulista ter um palanque presidencial forte para ajudar a alavancar sua candidatura à reeleição no Palácio dos Bandeirantes. Após a vitória de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo, a preocupação com a disputa pelo governo estadual no ano que vem aumentou dentro do PSDB paulista.
FONTE: LEOPOLDO MATEUS E ALBERTO BOMBIG- Época
