Em 2012, as fraudes eletrônicas provocaram prejuízos de R$ 1,4 bilhão; explosões de caixas e ações em agências bancárias causaram perdas de R$ 75 milhões
Tira de cabelos brancos,
o chefe dos investigadores Eraldo de Andrade, da 4.ª Delegacia de Delitos
Praticados por Meios Eletrônicos, de São Paulo, trabalhou 28 dos seus anos 59
anos atrás de ladrões nas ruas. Prendeu homicidas e integrantes do Primeiro Comando
da Capital. Andrade olha para cima da mesa e aponta para um computador.
"Nunca vi um ladrão tão bom como esse aqui."
Assim como já ocorre em outros setores da economia formal, até
no universo do crime a internet e a tecnologia inovaram, tornando-se as armas
mais eficazes e lucrativas dos ladrões.
De cada R$ 100 roubados ou furtados de bancos no Brasil, pelo
menos R$ 95 são fraudes eletrônicas, feitas por internet banking ou cartões,
segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). No ano passado, essas
fraudes provocaram prejuízos de R$ 1,4 bilhão nos bancos.
Já os assaltos feitos por quadrilhas nas sedes dos bancos, com
explosões de caixas eletrônicos, apesar de serem espetaculares, causaram
prejuízos estimados em R$ 75 milhões.
"Nos últimos cinco anos, o volume das transações
eletrônicas aumentou muito e os fraudadores aproveitaram. Os bancos estão
investindo em tecnologia para reduzir os riscos. No último ano, houve redução
de 6,7% nas fraudes eletrônicas, apesar de as tentativas terem aumentado
75%", diz Wilson Gutierrez, diretor técnico da Febraban.
Os ladrões nerd ou os crackers, como são chamados os hackers que
fazem o mal, são bem diferentes dos ladrões de banco tradicionais. São de
classe média, estudaram e conhecem computação. Agem em diferentes Estados
brasileiros, em quadrilhas compartimentadas, que dividem as tarefas para
dificultar a ação da polícia.
Eles possuem diversas artimanhas para enganar os clientes dos
bancos, instalando vírus ladrões nos computadores de terceiros ou direcionando
as vítimas para páginas falsas na internet. Assim, os fraudadores obtêm os
dados bancários da vítima e desviam dinheiro para suas contas. Nessa modalidade
de crime, os bancos arcam com prejuízos do cliente fraudado.
Cartões. Também há muitas fraudes eletrônicas em cartões de
crédito e débito. Foi o que ocorreu com o consultor Marcelo Guzzard. Ao abrir a
página de seu banco, ele viu que tinha despesas em cartões de crédito que
chegavam a R$ 10 mil. "Mostrei que não eram minhas. Cheguei a ter o nome
negativado, mas a situação se resolveu", conta.
A dificuldade de identificar o endereço dos computadores
bandidos é um trunfo dos ladrões. Convênio feito pela Polícia Federal com a
Febraban, que começou a repassar os dados das fraudes para facilitar a
investigação, ajudou a diminuir a impunidade. Assim como a Lei Carolina
Dieckmann, que endureceu com os criminosos virtuais depois que as fotos da
atriz foram vazadas na internet.
FONTE: Bruno Paes Manso - O Estado de S.Paulo
